Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
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Área da Suframa é tomada por cinco mil pessoas
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Manaus

Área da Suframa é tomada por 5 mil pessoas em menos de 30 dias

As famílias, que ocupam a área no Distrito Industrial de forma irregular, derrubaram a floresta e vendem o lote de terra por até R$ 3 mil


05/04/2015 às 20:52

Uma área gigantesca de mata virgem está sendo devastada no Distrito Industrial, Zona Leste, há pelo menos um mês. Aproximadamente 5,5 mil famílias estão instaladas no local, loteando terrenos, seja para benefício próprio ou para venda. Dependendo da localização, os pedaços de terra são comercializados por até R$ 3 mil e estão demarcados por  varas e identificados com placas com os nomes dos possíveis donos.

A derrubada das árvores começou a modificar a visão de quem passam pela avenida Flamboyant, no Distrito II. Os invasores já estão se instalando à beira da pista, de onde é possível ver uma grande nuvem de fumaça, oriunda das queimadas, além das casas improvisadas.

A CRÍTICA esteve na área destruída, no último fim de semana, e constatou que os invasores chegam a todo momento munidos de ferramentas como terçados, foices, facões e até motosserra. Eles saem de bairros próximos, como o  Nova Vitória, mas também de bairros mais distantes, como Compensa, na Zona Oeste.

Muitos barracos e palafitas estão levantados  e há pessoas que  dormem nas instalações para impedir que outras pessoas “tomem” suas “propriedades”. “Tem que ser esperto, senão vem um e toma o teu lugar”, disse um invasor identificado apenas como Eduardo.


O responsável  por um balneário que fica próximo a área invadida contou que está preocupado com a proporção da devastação  e com a segurança de seus clientes. “A gente consegue perceber a diferença quando chega aqui. Antes, sentíamos a pureza do ar. Agora respiramos a fumaça vinda das queimadas”, disse ele, sem se identificar, e que teme ainda que as nascentes existentes no matagal sejam afetadas pela poluição.

Negócio organizado

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Apesar do pouco tempo, a invasão demonstra estar organizada. A comunidade é dividida em duas etapas e pretende ligar o Distrito Industrial ao bairro João Paulo, também na Zona Leste.  Além disso, alguns invasores montaram “negócios” para facilitar o comércio no local, como pontos de vendas de material de construção, mercearias e até venda de refeições.

O que também chama a atenção é que, apesar de muitos invasores justificarem que querem apenas um local para morar e sair do aluguel, a reportagem verificou que parte da avenida estava tomada por carros e motos dos próprios invasores. “A gente não sabe quem são essas pessoas e é claro que tem os aproveitadores. Mas se a pessoa tem até carro, pra quê ele vai invadir?”, questionou o dono do balneário.  Quem não tem transporte próprio, chega na invasão de mototáxi, táxi e até ônibus especial.

Ocupação irregular nos últimos 30 dias

Questionados pela reportagem, os invasores disseram que a iniciativa não possui uma liderança, porém outros, apontaram uma mulher identificada apenas como “Loira”, como uma das articuladoras do movimento. Embora essa liderança não esteja bem definida, eles também disseram que estão se organizando para que durante esta semana uma máquina passe pela invasão para abrir as ruas.

A comunidade é apenas uma das invasões  que iniciaram no último mês, na avenida Flamboyant, no Distrito Industrial. Em outro ponto da mesma avenida, uma outra área começou a ser invadida durante o feriado da Páscoa. A nova invasão fica próximo ao prédio do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e a Central de Energia e Tratamento de Resíduos da Amazônia (Cetram), e ainda não foi batizada. Os invasores também estão montando seus acampamentos na beira da pista.

Saiba mais:  Abaixo-assinado

Uma invasora que preferiu não se identificar disse que os mais de 5 mil invasores pretendem fazer um abaixo-assinado para pedir a liberação da área à  presidente Dilma Rousseff.  A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que a área pertence à Suframa. A CRÍTICA tentou entrar em contato com a Suframa, mas a assessoria não atendeu as ligações no feriado.

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