Domingo, 13 de Outubro de 2019
Manaus

Área particular é invadida e lotes distribuídos em terreno no bairro Santa Etelvina, em Manaus

Cerca de 150 pessoas pretendem ocupar área que até semana passada era um terreno baldio. De propriedade particular, a recém-nomeada comunidade Samambaia já possui quase 30 barracos construídos



1.gif Terreno fica no cruzamento das ruas Samambaia e Santa Etelvina, bairro Santa Etelvina, Zona Norte
03/02/2015 às 14:39

Com o discurso de luta pela casa própria e por mais segurança no bairro, cerca de 150 pessoas pretendem ocupar uma área que até semana passada era um terreno baldio. Nos quase 30 barracos recém-construídos ninguém sabe a dimensão exata do local e tampouco conhece o proprietário do terreno que fica no cruzamento das ruas Samambaia e Santa Etelvina, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus.

A organização para a ocupação já deu nome ao local, que agora é conhecido como “Comunidade Samambaia”. O espaço é de propriedade particular de uma empresa de construção civil da capital, segundo consta na base de dados da Secretaria Municipal de Finanças, Tecnologia da Informação e Controle Interno (Semef).

A estimativa de que há 150 pessoas prontas morar ali é do autônomo Jadson Silva dos Santos, 49, que diz ter sido um dos primeiros a montar sua pequena estrutura de madeira. Jadson conta que tem trabalhado na limpeza do terreno nos últimos sete dias acompanhado de colegas que também “precisam”.

Ele é um dos muitos chefes de família que estão indo para o local "guardar seu espaço". "Não dá mais para viver de favor na casa da minha sogra. Esse espaço era ponto de bandido e agora estou tentando utilizar para benefício de quem precisa", afirma Jadson.

Segundo ele, os vizinhos dão apoio aos futuros moradores. “Todo dia tinha assalto aqui e os bandidos corriam para se esconder no matagal. Como capinamos, eles não têm mais como agir porque não há esconderijo”, relatou.

Foram distribuídos lotes com dez metros de frente e 15 metros de fundo. O cabeleireiro Raimundo de Souza Santos, 66, tem um desses lotes marcados com um barraco erguido com madeira e lona. Morando de aluguel no Jorge Teixeira 4, ele conta que decidiu ir até a “Comunidade Samambaia” por sugestão de amigos.

“Falaram que ia ter essa invasão aqui e eu decidi tentar a sorte. Não tenho mais dinheiro para pagar aluguel e estou em busca de conseguir minha casa própria se der certo”, disse Raimundo.

Preocupada com a situação, a dona de casa Carla Andrade, 27, já ocupa o local com o marido e dois filhos. “Eu tenho medo que os donos não falem agora se vão nos deixar aqui e depois apareçam querendo destruir tudo o que fizemos”, desabafa.

Morando de aluguel a duas quadras dali, Carla disse que a maior preocupação era com a área inútil. “Todos estavam insatisfeitos com esse ponto aqui sem ser utilizado. Todos os dias era um assalto diferente, um ladrão se escondendo por aqui”. Segundo ela, há um mês uma jovem foi estuprada no matagal.

Para eles, a propriedade do terreno não é definida. “Uns dizem que é da Prefeitura, outros dizem que é privado. Nós queremos saber de quem é porque nós estamos precisando desse espaço”, disse o autônomo Jerônimo Batista, 32.

Jerônimo diz morar no bairro há 25 anos e afirma nunca ter visto alguém se manifestar como proprietário. “Se não pudermos ficar aqui queremos que isso seja cuidado para acabar com a violência nessa área”.

A área pertence a uma empresa de construção civil e a ocupação não foi permitida. Para uma reintegração de posse, o dono precisa se manifestar na Justiça conforme informou a Semmas.  Por e-mail, a reportagem tentou contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Invasões

Há menos de dois meses a Polícia Militar (PM) comandou uma operação de reintegração de posse. Um deles, no Rio Piorini, Zona Norte, em um terreno de 162 mil metros quadrados ao lado do Complexo de Treinamento de Direção Veicular do Departamento Nacional de Trânsito no Amazonas (Detran-AM) que havia sido ocupado por mais de 200 pessoas. A equipe de A CRÍTICA esteve no local e constatou que não houve retorno dos ocupantes. O proprietário colocou um vigia na entrada da área para inibir a entrada de novos ocupantes.

Outras duas invasões foram registradas entre dezembro e janeiro. Uma delas é a “Green Ville do Tucumã”, que possui mais de 200 barracos nas margens do igarapé do Bindá entre os bairros União e Parque Dez, Zona Centro-Sul. A outra foi na estrada do conjunto Vivenda Verde e o igarapé do Tarumã Açu, Zona Oeste.


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