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Manaus
INVASÃO

Áreas públicas próximas a Avenida das Flores são alvo de invasores

Sem ordenamento nem fiscalização, o problema ganhou proporção e começa a fugir do controle 04/10/2017 às 11:06
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(Foto: Márcio Silva)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Desde que iniciaram as obras da avenida dos Flores, o trecho entre os bairros Cidade Nova e Santa Etelvina, na Zona Norte, tem sido alvo de diversos focos de ocupações irregulares por conta das valorização imobiliária da região. Sem ordenamento nem fiscalização, o problema ganhou proporção e começa a fugir do controle. Comerciantes, moradores de bairros do entorno e do próprio conjunto habitacional Cidadão 12, que fica perto dali, estão invadindo áreas públicas para construir garagens, muros, cercas e até pequenos prédios comerciais nas margens da avenida. Muitos já estão, inclusive, com placas de “vende-se”.

Morador há 7 anos do conjunto Cidadão 12, o lavador de carros Jair Maciel, 42, foi um dos que decidiu “esticar” o quintal, cercando a área pública. Ele alega que tomou a medida após ver que os vizinhos estavam construindo muros, garagens e até abrindo becos no terreno, desapropriado pela Superintendência Estadual de Habitação (Suhab).

Conforme Jair, a “invasão em massa” começou após o início da construção da avenida das Flores. Ele afirmou que as ocupações foram autorizados pela própria superintendência, o que foi negado pela pasta, por meio de nota.

Empresários

Outra moradora da avenida, que também invadiu um trecho da área pública, e preferiu não se identificar temendo represálias, relatou que a invasão nos terrenos próximos da pista foi iniciada por empresários, que tiveram a conivência do poder público. Segundo ela, os trechos no sentido Cidade Nova/Santa Etelvina, onde há construções de alvenaria, foram apropriados por esses empresários. Depois disso, todos começaram a invadir.

“Muitos moradores sabem do envolvimento desses empresários, mas ninguém tem coragem de denunciar” reforçou.Na rota das obras No mês passado, o Grupo Integrado de Prevenção às Invasões de Áreas Públicas (Gipiap) demoliu uma cerca que delimitava o estacionamento de um supermercado, erguido há 13 anos de forma irregular, em área pública. No dia da reintegração, o empresário reconheceu a ocupação irregular e se propôs a comprar o terreno, mas o Estado e a Prefeitura de Manaus informaram que ele recebeu notificação para desocupação da área. As pastas não esclareceram como nem quando deverá ocorrer tal desocupação.

A Suhab informou ontem que vai estudar, junto ao Gipiap, uma forma de combater as ocupações irregulares que estão ocorrendo nas margens da avenida das Flores.

Gipiap deve ir ao local

O coordenador do Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas (Gipiap), Luiz Nazaré Cruz da Silva, informou que, ainda esta semana, o grupo deve se deslocar à região citada pela reportagem para verificar a denúncia e adotar as medidas cabíveis.

Áreas verdes sob a ‘mira’ de invasores

As áreas verdes localizadas nas proximidades da avenida das Flores também estão no foco das ocupações irregulares. Pelo menos 50 barracos foram erguidos em uma clareira aberta em um terreno que fica no sentido Cidade Nova/Santa Etelvina, no último mês.

A invasão foi batizada com o nome de Novo Milênio e tem como entrada a rua Jiboia - também “batizada” pelos próprios ocupantes. Logo na entrada da invasão, uma placa de “agradecimento” foi colocada, destinada ao prefeito e também ao governador pela “colaboração para a construção da via”.

No entanto, no terreno há uma placa informando que a propriedade é particular. Nem o fato de ser uma área verde inibiu os invasores, que, após desmatar o terreno, passaram a demarcar lotes e construir barracos.

Quem tem se disposto a morar nessas áreas invadias afirma que a situação tem piorado com a expansão das ocupações, principalmente por causa dos “responsáveis”, que querem comandar cada comunidade, dando início a conflitos entre ocupantes.

A CRÍTICA tentou contato com os ocupantes, mas eles preferiram não se manifestar.

A reportagem também entrou em contato com a Superintendência de Habitação do Estado do Amazonas (Suhab), que informou , por meio de nota enviada à redação, que o órgão precisa de mais detalhes sobre o caso, como o endereço aproximado, para conferir se a área é estadual ou municipal.

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