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Manaus
CADÊ O VERDE?

Áreas verdes desmatadas em Manaus levarão de 5 a 10 anos para se recuperarem

Espaços de proteção permanente na capital vêm sendo destruídos constantemente nos últimos meses por ocupações irregulares e queimadas 21/09/2018 às 21:27 - Atualizado em 22/09/2018 às 10:04
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Foto: Winnetou Almeida
Cecília Siqueira Manaus (AM)

As áreas verdes e de proteção permanente desmatadas nos últimos meses em Manaus levarão de cinco a 10 anos para se recuperarem minimamente, isso se houver intervenção humana para a recuperação, com o plantio de mudas. Essas áreas de floresta da capital têm sido alvo constante de invasões e queimadas.

A última ocupação irregular registrada nas últimas duas semanas, no Corredor Ecológico do Mindu, Zona Norte, resultou em pelo menos três hectares – quase cinco campos de futebol oficiais - de árvores e vegetação primária destruídos em apenas quatro dias.

Uma muda leva, em média, de cinco a dez anos, para chegar ao estágio de árvore jovem, sem contar com fatores externos, depredação e manutenção, segundo o diretor de arborização e paisagismo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Deyvson Braga.

"Um tempo mínimo, que vamos obter resultados práticos, é de pelo menos cinco anos, que é o tempo que uma árvore chega à sua idade jovem. Mas isso depende de cada espécie, que, além disso, tem as condições ambientais que influenciam diretamente no desenvolvimento dela”, explicou Deyvson, acrescentando que, atualmente, o corredor ecológico é uma área prioritária para a pasta.

Espécies como pau-pretinho, munguba, cumaru, jatobá, pupunha, manga, ingá, acerola, entre outras, são as mais usadas em ações de plantio e restauração de áreas degradadas. “Estamos em pleno verão, estiagem, não é o mais recomendado para plantarmos. As atividades devem ocorrer a partir de novembro, onde teremos pelo menos seis meses para que essas mudas possam se desenvolver”, disse Deyvson, nessa sexta-feira (21), quando foi comemorado o Dia da Árvore.

O titular da Semmas, Antônio Nelson de Oliveira Júnior, afirmou que com as ações da pasta a cidade deu um salto em relação às capitais brasileiras mais arborizadas. Entre o ano de 2016 e setembro deste ano, foram plantadas mais de 27 mil mudas arbóreas em espaços públicos.

“Essas são as que vão trazer sombra e conforto térmico, além de devolver um ar puro para a cidade. Temos agora uma ação de mudas ornamentais, para embelezar e trazer benefícios à natureza”, disse Antônio.

Ação após denúncia de moradores

Mais de 300 mudas de espécies frutíferas e florestais foram plantadas pela manhã, dentro de uma área verde situada na avenida Coletora, conjunto Águas Claras 1, Zona Norte. A área, que não possuía cobertura vegetal e estava sendo visada por invasores, vinha sofrendo com constantes queimadas e incomodando moradores dos arredores.

A cabeleireira Cristiane Rocha, 31, contou que alguns invasores tentaram se aproveitar do trecho abandonado para ocupar futuramente. “Planejavam fazer bares e outros estabelecimentos comerciais, praticamente já estava tudo dividido”, disse.

A química Raimunda Farias disse que, há pelo menos dois anos, a comunidade solicitou que a área fosse restaurada ou que houvesse a instalação de uma academia ao ar-livre.

'Consciência ambiental está maior'

Iniciado neste ano, o projeto “Ornamenta Manaus”, pode ser visto em prédios de órgãos públicos, áreas de proteção e canteiros das avenidas Efigênio Sales, Pedro Teixeira, Nilton Lins, Lóris Cordovil e Constantino Nery.  De acordo com o secretário Antônio Nelson, a Semmas tem atuado junto às comunidades e moradores com palestras e informações sobre educação ambiental.

“Nessas vias, a gente tinha um índice de 30% dessas árvores que emplacavam, pois tinha muito vandalismo e acidentes. As pessoas quebravam ou passavam com o carro por cima, então com esse trabalho de educação, conseguimos passar para 70% o índice de árvores que emplacam. A consciência ambiental está maior, as pessoas estão denunciando, e peço que continuem, desta forma se cuida do meio ambiente”, enfatizou.

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