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Arquiteto contesta o projeto para a construção do novo porto da Manaus Moderna

O arquiteto acha que o projeto atual não deixa espaço para a circulação livre de pedestres e nem para a reutilização urbana do Centro da cidade.  Sua ideia é preservar a orla da Manaus Moderna 26/08/2015 às 20:31
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Arquiteto e ex-secretário municipal João Bosco Chamma é contra o projeto apresentado pelo Dnit sugerindo a construção de flutuantes e o aterro de uma área de 100 metros na frente de Manaus.
Nelson Brilhante ---

A matéria de capa do caderno Cidades de A CRITICA, edição de domingo, causou polêmica. O arquiteto João Bosco Chamma, ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e da extinta Empresa Municipal de Urbanização, contestou a informação do superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Fábio Galvão, de que está legalmente liberado o projeto de construção do novo porto na Manaus Moderna.

Chamma integra um comitê que estuda o licenciamento dessa obra e diz que a mesma não está liberada. Ele afirma que o Dnit obteve apenas a Certidão de Informação  Técnica (CIT) de que pode construir um porto naquela área, mas que o documento é meramente formal, não significando autorização final.

Segundo o arquiteto, a CIT, fornecida pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) não autoriza a execução da obra. “O documento só diz que é permissível e não que é uma aprovação. A pessoa não pode usar de má fé e dizer que o projeto está aprovado apenas com uma CIT”, argumenta Chamma.

O arquiteto acha que o projeto atual não deixa espaço para a circulação livre de pedestres e nem para a reutilização urbana do Centro da cidade.  Sua ideia é preservar a orla da Manaus Moderna, além de abrir alternativa de ocupação da área desabitada, por meio do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

O arquiteto critica o aterro de 100 metros, proposto pelo Dnit, área que será ocupada pela administração do porto, estacionamento e serviços sociais. “Não podemos alterar uma coisa que tem mais de um bilhão e duzentos milhões de anos, que é o rio Negro. Ninguém tem o direito de acabar com uma praia natural, fazendo aterro”, critica João Bosco Chamma.

Chamma conta que, em 2010, foi levado a Brasília pelo chefe de gabinete do então ministro Alfredo Nascimento para apresentar o projeto elaborado por um grupo de engenheiros e arquitetos. De acordo com ele, o custo do projeto era R$ 116 milhões, mas, algum tempo depois, foi excluído do mesmo. “Nossa equipe trabalhou mais de um ano, preparando tudo, mas, sem nenhuma explicação, fomos sacados, e outra empresa ganhou a licitação”, protesta o arquiteto.

Dois ancoradouros

A proposta tem como pontos fundamentais dois ancoradouros flutuantes, mas, em frente ao igarapé de São Raimundo, zona Oeste, e na orla do bairro Educandos, zona Sul, o último interligado ao Centro por uma ponte.

Exigências precisam ser cumpridas

A assessoria do Implurb informou que, em outubro de 2014, emitiu uma Certidão de Informação Técnica (CIT) sobre a construção do Porto de Cargas/Dnit, mas o documento só ganha validade se forem atendidas algumas condicionantes.

“Durante audiência realizada no primeiro semestre de 2015 na Câmara Municipal de Manaus, com a participação do superintendente do Dnit, Fábio Galvão, não houve apresentação oficial do projeto básico do porto, e o mesmo, após diversas considerações, ficou de agendar nova data para apresentação formal do projeto básico.

O superintendente disse que atenderia as condicionantes”, diz a nota. O projeto inicial estabelecia uma ligação com a orla do rio, resgatando a paisagem, perdida com a implantação das feiras no final da Praça dos Remédios e na antiga Ilha de Monte Cristo. Essa proposta acabou se tornando num grande porto de carga e descarga. A nova proposta visa a organização dos diferentes fluxos fluviais, urbanos mercantis e de passageiros através da criação de um novo aterro em frente a Feira da Manaus Moderna e conectado ao Porto de Manaus por uma ponte paralela à Av. Lourenço da Silva Braga, por trás do Mercado Municipal Adolfo Lisboa.


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