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Arquiteto desenvolve projeto sustentável para transformar orla da capital amazonense

Projeto apresentado pelo arquiteto João Bosco Chamma defende a ‘requalificação’ do espaço urbano como a nova ‘cara’  16/05/2015 às 11:40
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Projeto de Bosco sugere uma integração do novo porto a toda região central
Náferson Cruz ---

Aliar a prática de atividades socio-econômicas com o desenvolvimento sustentável, transformando a orla de Manaus, no trecho que compreende a bacia do São Raimundo, Zona Oeste, até a foz do igarapé do Educandos, Zona Sul, em um espaço mais atrativo para moradores e turistas. Essa concepção seria a fiel proposta para a melhoria e o ordenamento do espaço, aliado à qualidade de vida da população.

Porém, pouco se oportunizou, nos últimos anos, estudos que contribuíssem para a “requalificação” desta área da cidade, como no projeto elaborado pelo arquiteto e urbanista, João Bosco Chamma, pioneiro em estudos para a orla de Manaus.

Na proposta, que foi apresentada na 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, estão integrados à nova orla dois terminais portuários (São Raimundo e Educandos) para embarque e desembarque de passageiros e de carga, cada um com dois acessos de entrada e saída, duas estações, além de espaços com áreas verdes e uma gama de serviços nos moldes do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC), mas constituídos de restaurantes, lanches, consultórios médicos, guichês de passagens e drogarias.

“Este é uma projeto de infraestrutura física e principalmente com espaços verdes, pois pensamos que o novo porto não pode ficar na frente da cidade, se isso vier a acontecer vamos perder o nosso cenário natural para uma muralha de ferro como querem fazer numa outra proposta”, disse Bosco.

O projeto também contempla alternativas de integração com a cidade. Neste viés, João Bosco elenca a implementação do novo modal (sistema de transporte público) e otimização de espaços vazios, como galpões e prédios, para dar lugar ambientes de estudos e outras adequações.

A ousadia urbanística e arquitetônica prevê, ainda, a integração com a construção de blocos de apartamentos distribuídos em 50 mil habitações através do “Prosamim 3” - São Raimundo, Aparecida e Presidente Vargas -, o que na observação de Bosco Chamma recolocaria aproximadamente 200 mil moradores residindo na orla da capital, parte deles atuando nas atividades portuária e entorno.

Quanto aos investimentos que seriam necessários para a implementação de um projeto desta envergadura, Bosco destoa que a questão é um pouco “afanosa”, por dispor de grande quantidade de recursos em virtude do crescimento populacional de Manaus, maior do que a da receita, proporcionalmente.

“Em 1989, tínhamos 1,050 milhão de habitantes e um funcionalismo público de 9 mil. Hoje, temos 2 milhões de habitantes e 43 mil servidores. A cidade tem que se descentralizar, mas como vamos fazer isso se 100% de imposto que a pessoa paga 75% fica na federação (União), 20% no Estado e 5% vem para o municípios, onde são criados os problemas? Nas cidades, então, a carga para a prefeitura é muito grande”, explicou.

*Leia o artigo de Bosco Chamma no Portal A Crítica

Dignidade

O arquiteto Bosco Chamma defende a construção do porto como forma de organizar aquela região e dar mais “dignidade ao município”. Segundo ele, 49% da população amazonense reside nos 61 municípios e 51% está em Manaus, fazendo com que o fluxo de passageiros e de transporte de cargas sejam bastante intensos e “misturados” no porto da Manaus Moderna, gerando um caos na região.

Projeto do DNIT recebe críticas

A CRÍTICA teve acesso a documentos que mostram que o consórcio SPVS Rio Negro foi o vencedor da licitação para desenvolver as obras, mas o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do Amazonas (Dnit), responsável pelo projeto, resolveu desqualificar a empresa por uma irregularidade.

Entretanto, ao invés de anular a causa, o Dnit deu vencimento à empresa Laghi Engenharias, que havia entrado com a ação. De acordo com Bosco Chamma, a Laghi venceu a concorrente porque previa o pagamento de R$ 100 a mais para a função de servente.

Após a empresa Laghi apresentar o projeto de revitalização do porto, que teve um custo de R$ 5 milhões para a criação, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) apresentou ao Dnit a falta de integração do projeto da Laghi com a cidade, por considerar o projeto da reforma do porto “elemento desagregador”, além da falta de qualificação nas construções.

Serviço portuário

Cada um dos portos comportaria 200 embarcações. As menores ficariam no interior da circunferência. No projeto, o local dispõe de vias para embarque e desembarque.

Em números:

R$ 150 milhões é o valor estimado pelo arquiteto João Bosco Chamma para a requalificação da orla de Manaus, que compreende o corredor fluvial que vai do São Raimundo, Zona Oeste, até a bacia de Educandos, na Zona Sul.

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