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Manaus
ÁGUA

Arsam identifica mais de 200 vazamentos na rede de distribuição de água em 2018

Problema é causado por falta de reaterro e recapeamento asfáltico após os reparos. Manaus Ambiental declara que incidentes são "inevitáveis" pelo tamanho da rede 06/03/2018 às 09:25 - Atualizado em 08/03/2018 às 09:11
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Foto: Euzivaldo Queiroz/AC
Silane Souza Manaus (AM)

Mais de 200 vazamentos na rede de distribuição de água de responsabilidade da concessionária Manaus Ambiental foram identificados este ano pelo departamento de engenharia da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Amazonas (Arsam). O problema, de acordo com a instituição, é ocasionado por vários fatores operacionais como a falta de reaterro e recapeamento asfáltico após os reparos.

O diretor-presidente da Arsam, Walter Cruz, que em quatro meses de gestão emitiu mais de dez notificações a respeito disso a Manaus Ambiental e critica a situação. “Esses prazos são absurdos, como pode um vazamento ser consertado e a via continuar exposta por vários dias, ocasionando outros problemas relacionados e transformando pequenas intervenções em grandes crateras”, questionou.

No ano passado, a Arsam identificou uma média de dois vazamentos por dia, totalizando mais de sete mil vazamentos no ano de 2017. No mesmo período, o órgão fiscalizador estadual sugeriu a Prefeitura de Manaus à aplicação de 14 multas no valor de R$ 5,9 milhões contra a concessionária de água por diversos motivos, entre eles o de deixar de realizar investimentos para a execução dos planos de obras.

Nos dois primeiros meses deste ano, foram sugeridas quatro penalidades de multa contra a Manaus Ambiental, mas o valor supera o de 2017, chegando a R$ 6,2 milhões. A maioria por descumprimento de cláusulas contratuais e por falta de providências para normalização dos serviços de abastecimento de água, cobranças indevidas, ineficácia em procedimentos e descumprimentos de prazos diversos.

O vazamento na rede de distribuição de água tem ocasionado diversos rompimentos de grande proporção em adutoras causando transtornos à população da cidade. O mais recente aconteceu esta semana na rua Fortaleza, bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste, onde pelo menos sete famílias perderam suas casas.

A mototáxista Claudenora Fróes dos Santos, 30, foi uma das pessoas afetadas. Conforme ela, não estava na residência na hora, mas veio correndo quando soube do problema. Quando chegou, os vizinhos estavam tentando salvar o pouco das coisas que ela tinha. “Eu ainda perdi máquina de lavar, colchão e guarda-roupa. A Manaus Ambiental ficou de ressarcir o prejuízo, mas se passou quatro dias e não pagou nem o auxílio aluguel as famílias que tiveram de sair de casa assim como eu”, afirmou.

Esta foi à segunda vez, em cinco meses, que um problema parecido ocorreu na adutora daquela rua. Em setembro do ano passado, a tubulação rompeu e prejudicou outros moradores que até hoje não conseguiram retornar para as suas casas. “Está acontecendo isso porque eles (Manaus Ambiental) fazem um serviço mal feito”, apontou a dona de casa Valdete Pereira da Costa, 37.

Quatro rompimentos em 2017

Pelo menos quatro rompimentos de adutora registrados no ano passado provocaram muita dor de cabeça aos manauenses. Dois deles ocorreram em fevereiro, com dez dias de diferença, em trechos da alameda Cosme Ferreira, na Zona Leste, os outros dois em dezembro, no intervalo de seis dias, na rua Pará, na Zona Centro-Sul. Todos afetaram significativamente o trânsito em toda a cidade.

Prefeitura silencia

A prefeitura não soube informar quantas multas sugeridas pela Arsam foram efetivamente aplicadas no ano passado e este ano contra a Manaus Ambiental, nem se a concessionária pagou algum valor neste período.

A Arsam informou que só faz as sugestões de multa por que de acordo com a Lei Orgânica do Município, o serviço de saneamento é de responsabilidade da prefeitura e a instituição fiscaliza o abastecimento de água e esgotamento sanitário por conta de um convênio celebrado entre a agência e a prefeitura.

Porém, dia 14 de março deste ano, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município (Ageman) assumirá as atribuições. No início deste mês, a prefeitura cobrou da Manaus Ambiental o ressarcimento de R$ 472 mil referente ao valor gasto na obra emergencial de recuperação de uma erosão na rua Pará, ocasionada pelo vazamento de uma rede de abastecimento de água.

A prefeitura informou que ainda espera o fim do trâmite legal para receber o ressarcimento do valor.

Multas estão em fase de recursos, diz empresa

A Manaus Ambiental informou que todas as multas estão sendo devidamente defendidas perante as instâncias superiores. E a cobrança referente ao valor gasto pelo Município na obra emergencial de recuperação de uma erosão na rua Pará, na Zona Centro-Sul, a empresa está em tratativa com a prefeitura sobre o tema. De acordo com a concessionária, Manaus tem aproximadamente 3,8 mil quilômetros de redes e por isso alguns incidentes “são inevitáveis”.

“A empresa possui um plano anual de substituição de redes que alcançam aproximadamente dez quilômetros de rede. Também investe em sistema de proteção e monitora as pressões nas redes, continuamente”, disse em nota.

Sobre os transtornos causados pelo rompimento de adutora, a empresa informou que vem realizando todo o atendimento necessário ao bem-estar das famílias atingidas pelo último incidente, no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste, com relocação e demais tratativas referentes ao caso.

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