Publicidade
Manaus
Manaus

Artesãs fazem almofadas que atenuam incômodo de mulheres que fizeram mastectomia

Após remover a mama devido ao câncer, mulheres enfrentam dificuldades no pós-operatório por não ter como descansar o braço sem lesar a área operada 31/10/2015 às 19:09
Show 1
Amigas e artesãs, Alcinete Maia, Wall França e Marlete Brasil produzem a almofada que reduz significativamente o incômodo causado pela ausência da mama
Silane souza Manaus (AM)

A artesã Nete Maia, 48, fez uma mastectomia, remoção da mama, em 22 de abril de 2014, um mês após descobrir que tinha câncer de mama. Hoje, depois de passar por oito quimioterapias, ela diz que se sente vitoriosa, visto que, quatro de suas irmãs faleceram antes mesmo de passar pelo processo cirúrgico e, até então, ela está muito bem de saúde. Porém, ela destaca que enfrentou dificuldades no período pós-operatório por não ter como descansar o braço sem lesar a área operada.

Um grupo de amigas artesãs, incluindo Nete, pretende ajudar na recuperação dessas pacientes que sofrem com este incomodo. Elas estão trazendo para Manaus o projeto “Almofada de Coração”, cujo desenho facilita o descanso do braço após o processo cirúrgico, reduzindo o inchaço pós-operatório. Além disso, protege a região de possíveis choques, tanto em relação ao braço que fica diretamente em contato com a parte operada quanto pelo cinto de segurança de um veículo.

De acordo com a artesã Wall França, esse projeto foi criado nos Estados Unidos e levado para a Dinamarca, depois se espalhou por quase todo o mundo. “Como eu faço trabalho voluntário com mulheres que fizeram mastectomia, vejo como elas sofrem após a operação por não ter muita ajuda no processo de recuperação e resolvi abraçar a causa. Quando conheci o ‘Almofada de Coração’ eu amei, porque vi que ele pode ajudá-las a se recuperarem mais rápido”, relatou.

Conforme Wall, o objetivo inicial é fazer as almofadas e doá-las para pacientes da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon). Até então, além de Nete, ela também conta com o apoio de outras três amigas artesãs: Adriana Fernandes, Nazaré Vieira e Marlete Brasil, que juntas deram início aos trabalhos fazendo as primeiras almofadas de demonstração. “Como é um trabalho independente e voluntário nós precisamos de ajuda com o material”, confessa.

 Wall França ressalta que, além das almofadas ajudarem na recuperação, também faz uma coisa muito mais importante, levam o carinho a essas mulheres que nesse momento, sem dúvida, merecem um coração repleto de muito amor.

Números

Dados do Ministério da Saúde mostram que o câncer de mama é o tipo mais letal entre as mulheres, no mundo, e afeta, por ano, mais de 57 mil brasileiras. No Amazonas, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são registrados 390 novos casos de câncer de mama, ao ano, em todo o Estado.

De acordo com o Inca, ocorrem 10 mil mortes anuais por câncer de mama, no Brasil. Porém, nos últimos 40 anos, a sobrevida vem aumentando nos países desenvolvidos e, atualmente, é de 85% em cinco anos, enquanto, nos países em desenvolvimento, permanece com valores entre 50% e 60%.

SUS faz esforço

O Secretário de Estado da Saúde, Pedro Elias de Souza, afirmou que o Amazonas vem acompanhando o esforço de  ampliar o acesso das mulheres ao exame, que auxilia no diagnóstico precoce do câncer de mama. Ele destacou que dados do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) mostraram que no primeiro semestre de 2014, foram realizadas, no Estado, 30.437 mamografias. Neste ano, no mesmo período, foram 34.120 exames.

De acordo com dados do Cadastrado Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o Amazonas possui 60 mamógrafos, nas redes pública e privada, sendo 50 para o uso da clientela do SUS. A quantidade atende ao parâmetro de cobertura que o Ministério da Saúde adota, que é de 1 mamógrafo por cada 240.000 habitantes.

Para Pedro Elias, um dos desafios enfrentados na região como um todo, e em particular no Amazonas, é descentralizar a oferta do serviço, com sua expansão para os municípios mais distantes.

A coordenadora de Atenção Oncológica do Estado do Amazonas, Marília Muniz, revela que, diferente dos demais tipos de câncer, o de mama não tem prevenção, e sim diagnóstico precoce. E tem cura. Sendo assim, ela afirma que quanto mais cedo ele é descoberto, maiores as chances de cura e menores as chances de mutilação (mastectomia). “Por isso, é importante a realização dos exames de rotina, a exemplo da mamografia, que é indicada para mulheres com idade a partir de 40 anos e deve ser feita anualmente”, disse.

Marília explica que, de uma maneira geral, as mulheres a partir dos 40 anos devem procurar uma Unidade Básica de Saúde, mesmo que não tenha identificado alterações em suas mamas porque o câncer de mama pode não ser percebido.

Riscos

Entre os fatores de risco para os cânceres de um modo geral, inclusive o de mama, estão: obesidade, reposição hormonal, não ter filhos, não amamentar, consumo de cigarros e bebidas, história pessoal ou familiar de câncer de mama.

Preocupação

O acesso à mamografia no Sistema Único de Saúde e ao tratamento do câncer de mama aumentou mais de 100% na região Norte, no primeiro semestre de 2015, quando comparado com o mesmo período dos últimos cinco anos. Os dados são do Ministério da Saúde e foram divulgados na última semana.

Doações

De acordo com a artesã Wall França, qualquer pessoa pode ajudar o projeto doando tecido, 100% algodão, enchimentos e linhas de costura. Para informações sobre como doar ou como adquirir uma almofada o número é: (92) 99134-6046.

Em números

Foram realizadas 104 mastectomias, de janeiro a julho deste ano no Amazonas, conforme o  Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). Todos os procedimentos foram  realizados na FCecon, que faz parte da rede estadual de saúde e é a referência para a doença.

Publicidade
Publicidade