Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
Meio Ambiente

Prefeitura sanciona lei que institui a Semana de Preservação dos Igarapés

A partir de agora, a terceira  semana do mês de março fica instituída como a data de luta em prol dos igarapés da capital amazonense



1102043.JPG Lixeira viciada em Petrópolis é a porta de entrada para a poluição do igarapé (Winnetou Almeida)
03/07/2016 às 13:52

O Município de Manaus tem aproximadamente 900 quilômetros de igarapés na área urbana, sendo que 22 deles são  afluentes do Mindu, cuja nascente está preservada, mas os demais ramos deste importante igarapé  estão poluídos. De olho na reversão desta situação, no último dia 27 o prefeito Arthur Neto (PSDB) sancionou uma lei que institui a Semana de Preservação dos Igarapés da cidade. A partir de agora, a terceira  semana do mês de março fica instituída como a data de luta em prol dos igarapés da capital amazonense.

Para se ter ideia da carga de resíduos sólidos que eles recebem, de janeiro a maio deste ano o serviço de limpeza da Prefeitura de Manaus retirou mais de 2,4 mil toneladas de lixo dos leitos deles, uma média diária de 25 toneladas. Esse trabalho custou aos cofres públicos  R$ 797 mil por mês, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp). O titular da pasta, Paulo Farias, diz que esta é uma das modalidades mais caras de limpeza do mundo.

Motivos

Diante deste cenário, muitas perguntas ficam no ar: por que tanto resíduo ainda é lançado dentro dos leitos dos igarapés? É falta de conscientização? De acesso à destinação correta do lixo doméstico? Ou, ainda, de programas eficientes de proteção desses cursos de água? Enfim, não precisa ser especialista na área para saber que as interrogações carregam consigo também as respostas. População, empresas e poder público têm cada um as suas parcelas de culpa no problema, que fica mais evidente nos momentos de enchente do rio Negro, que faz com que o lixo atirado nos igarapés fique represado e a mostra para toda a população ver. 

Manaus cresceu desordenamento e quem reside às margens de igarapés não pensa duas vezes em se livrar de seu lixo sapecando-o dentro do leito do curso d’água. A desculpa é a de que o carro da coleta domiciliar não passa pela área ou, quando passa, não leva todos os resíduos. “Aqui a coleta não passa, o carro só vem até a rua de cima. Isso faz com que muitas pessoas joguem o lixo dentro do igarapé do Bindá”, afirma a dona de casa Marilane Nunes da Silva, 31.

Além do lixo doméstico, é comum  ver dentro dos leitos dos igarapés carcaças de geladeira, sofá, televisão, entre outros objetos. Moradores afirmam que se colocar esse tipo de lixo na rua, os caminhões de coleta não levam. O secretário municipal de Limpeza Urbana, Paulo Farias, afirmou que, por lei, o lixo acima do limite de responsabilidade do município a pessoa deve contratar uma empresa de  coleta privada. “Acima de 200 litros ou 50 quilos, este lixo não é de nossa responsabilidade”, explicou.

O secretário explicou que, assim como a pessoa paga para que a loja faça a entrega do produto na sua casa, ele tem que pagar para se livrar dele quando não o quiser mais. Conforme ele, há dezenas de empresas de resíduos em Manaus, que dão destinação correta para estes tipos de resíduos. Quanto à coleta, é feita em todas as vias trafegáveis. “Buscamos várias estratégias para fazer a coleta nos locais de difícil acesso, mas independente das características da trafegabilidade da via toda Zona Urbano é atendida pela coleta”.

Lei vai focar nas novas gerações

Para o prefeito Arthur Neto, com a lei que institui a Semana de Preservação dos Igarapés da Cidade de Manaus, o poder público vai  fazer um trabalho muito significativo em prol dos cursos de água  da cidade. “Vamos promover anualmente o desenvolvimento de atividades, campanhas e projetos para enfatizar a importância da preservação. Precisamos educar desde cedo para que, no futuro, tenhamos cidadãos mais conscientes”, disse.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Itamar de Oliveira Mar, a nova lei veio para contribuir ainda mais para o trabalho que a secretaria desenvolve na cidade. “Temos um grande privilégio de ter a nascente do Mindu preservada. Mas os demais igarapés estão poluídos. Agora é trabalharmos juntos para conseguirmos mais resultados”, completou.

O projeto tem o objetivo de promover, anualmente, o desenvolvimento de atividades, campanhas e projetos de incentivo colocando a importância da preservação dos igarapés para a cidade. Escolas, colégios e entidades não governamentais poderão desenvolver programações, como a realização de palestras e atividades práticas de incentivo à preservação dos cursos de água presentes na área urbana de Manaus.

Chuvas

O lixo dos igarapés de Manaus não é somente das pessoas que moram no entorno destes locais, conforme afirmou o secretário da Semulsp, Paulo Farias. “Como a cidade tem uma área acentuada quando chuva forte praticamente todo resíduo que fica abandonado no solo vai parar nos igarapés. Então é importante que as pessoas mantenham a frente de seus domicílios limpas e não jogue lixo na rua”, ressaltou. 

Paulo Faria

O secretário municipal de Limpeza Urbana, Paulo Farias, afirmou que a pasta desenvolve várias ações para conscientizar a população quando ao descarte de resíduos em igarapés. Conforme ele, a secretaria realizou mais de oito mil orientações sobre o assunto. Também promove constantemente atividade com abordagem lúdica nas escolas e instituições para mostrar como deve ser feito o manuseio do lixo e proteção do meio ambiente. A terceira frente de atuação envolve a presença de agentes da pasta fiscalizando os locais mais vulneráveis inibindo as pessoas de jogar resíduos dentro do igarapé monitorado. 
 


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