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Artur Neto promete ‘briga’ por financiamento federal

Prefeito de Manaus sustenta que não há solução para o transporte público sem financiamento do governo federal 30/11/2014 às 21:52
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Artur Neto
luciano falbo ---

O prefeito Artur Neto (PSDB) vai reunir com o governador José Melo (Pros) essa semana para discutir a implantação de um novo sistema de transporte coletivo na capital. Artur, que no fim deste mês encerra a primeira metade do seu mandato de quatro anos, afirmou para A CRÍTICA que não dá mais para adiar a discussão e que vai lutar por financiamento do Governo Federal para o novo modal.

Já o financiamento para a construção de cinco novos terminais de integração para o sistema de ônibus convencionais está sendo discutido desde ontem pelos dois gestores com técnicos das administrações e representantes da Corporação Andina de Fomento (CAF).

A discussão de um novo modelo de transporte público, um verdadeiro plano C, reaparece quase cinco meses após a realização da Copa do Mundo em Manaus, que foi a esperança de melhorias efetivas no setor. No entanto, o evento não deixou esse legado. O monotrilho não saiu do papel, por conta decisão da Justiça Federal. O Bus Rapid Transit (BRT), sistema de pista exclusiva para ônibus articulados também não saiu do discurso e deu lugar ao Bus Rapid Sistem (BRS), que utiliza pista exclusiva para tráfego e as plataformas do falido sistema Expresso, dividindo espaços com outros veículos e com os ônibus dos sistemas convencionais.

Artur afirmou que a escolha pelo novo sistema será feita de acordo com os dados técnicos que a prefeitura possui. “Agora, a gente tem que fazer. O que não pode é não fazer”, disse. “A gente tem que olhar todas as possibilidades. Escolher uma. E brigar pelo financiamento”, completou.

Para o prefeito, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), apesar de ser mais caro que o BRT, é uma das opções. “Eu, particularmente, gosto muito do VLT. É uma tecnologia francesa. É mais caro, mas exige um espaço menor das vias públicas e transporta muitas pessoas e com qualidade”, afirmou Artur Neto.

 “Agora, não tem solução, com uma tecnologia boa, se não houver financiamento federal. A prefeitura sozinha, mesmo com a ajuda do Governo do Estado, não dá conta”, defendeu o prefeito, que disse ser “um compromisso e uma obrigação do Planalto” a questão da mobilidade urbana. Ele defendeu descentralização de recursos do Governo Federal para dar condições de reorganização e revitalização dos sistemas das cidades.  

Do Expresso ao smart card

Todos os que passaram pela cadeira de chefe do Executivo municipal de Manaus nos últimos anos reconhecem que a cidade necessita de um modelo complementar, e eficaz, ao sistema de ônibus convencional – que padece de superlotação, demora e greves. O ex-prefeito, hoje senador, Alfredo Nascimento (PR), em 2001 implantou o sistema Expresso. Os sucessores de Alfredo não deram continuidade ao Expresso, mas herdaram a dívida. Na campanha que lhe rendeu o primeiro mandato, em 1996, Alfredo Nascimento prometeu construir um metrô de superfície para interligar as zonas Leste e Norte. O metrô nunca foi construído.

 Serafim Corrêa (PSB), que esteve à frente da prefeitura entre 2005 e 2008, foi o responsável pela implantação do smart card, que oferece integração temporal via cartão magnético. Assim como o sucessor  Amazonino Mendes (PDT), Serafim fez  licitação para novos ônibus convencionais. O socialista também implantou os sistemas executivo e alternativo.

Apenas soluções paliativas

Em maio de 2011, após uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, Amazonino Mendes e Omar Aziz (PSD), respectivamente, prefeito de Manaus e governador do Estado à época, anunciaram em Brasília que Manaus não teria o monotrilho nem o sistema Bus Transit Rapid (BRT) construídos para a Copa do Mundo. Até então, o BRT seria um sistema complementar ao monotrilho.

 Artur Neto, em fevereiro, recebeu a promessa da presidente Dilma Rousseff (PT) em Manaus do repasse de R$ 125 milhões do Governo Federal para obras de mobilidade na capital. Artur não recebeu o dinheiro a tempo da Copa do Mundo e o BRT não foi implantado. Como alternativa, o prefeito reformou as plataformas do antigo Expresso e rebatizou o sistema de BRS. A prefeitura ainda não recebeu o recurso, o que é motivo de muitas reclamações do tucano. Em meio a muitas discussões, ele  regulamentou os sistemas alternativo e executivo. Além de ter regularizado o transporte feito pelos mototaxistas.

Medidas pró-mobilidade

O prefeito disse que a União pode descentralizar   alguns recursos, como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide),  e dividir entre as prefeituras das grandes cidades para  investimentos em mobilidade. “Esse recurso seria mais útil nas mãos dos prefeitos em um rateio proporcional para se aplicar no subsídio de tarifas”, disse. “A presidente Dilma  pode também desonerar a cadeia produtiva dos ônibus. Aí, vamos poder ter uma nova frota com custo mais baixo. Isso vai ter influência positiva no preço da tarifa”, acrescentou Artur.

Personagem, vereador pelo PSB, Elias Emanuel

“O  BRT é o sistema mais viável”

Para o vereador Elias Emanuel (PSB), que foi o relator do atual Plano Diretor da capital na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o sistema BRT é o mais viável para a cidade. “Esse sitema é o mais barato. É verdade que a gama de desapropriação é grande, mas ainda assim eu creio que essa seja a alternativa mais viável”, disse.

“A cidade precisa ter um anel que faça a interligação do Norte para o Sul ligando também a Zona Leste. Esse anel existe nos dois projetos. Tanto no monotrilho quanto no BRT. Eu não vejo no monotrilho uma saída razoável para a cidade de Manaus porque ela é cara. Ele não saiu do papel porque não havia a conexão do monotrilho com o com o BRT,  a  integração entre os modais, porque os sistemas seriam complementares”, afirma o parlamentar.

Replay: as promessas de sistemas de transporte público

Expresso

Implantado em 2001 pelo então prefeito Alfredo Nascimento, o sistema Expresso  foi uma promesssa de solução para o transporte público. Os prefeitos  seguintes não deram continuidade ao projeto. Agora, Artur reformou as plataformas.   

Metrô de superfície

É de Alfredo Nascimento também outra promessa de sistema de transporte coletivo para Manaus: o metrô de superfície que transportaria diariamente 300 mil pessoas entre as zonas Norte e Leste. Esse projeto nunca saiu do papel.

Monotrilho

De responsabilidade do Governo do Estado, o projeto do monotrilho foi orçado em R$ 1,4 bilhão para a Copa 2014. Questionada pelo MPF, foi suspenso pela Justiça, que afirmou haver  indícios de vícios legais no  projeto básico e na licitação.

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