Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
SEM AMPARO

As dificuldades e a luta de quem é obrigado a morar nas ruas de Manaus

Moradores em situação de rua afirmam que morar embaixo da ponte da Kako Caminha foi a única alternativa de 'habitação' que restou



paulo.JPG Paulo Sales Rodrigues, 73, afirma que só foi morar embaixo da ponte porque não tem para onde ir com a família (Foto: Gilson Melo/freelancer)
13/08/2017 às 06:17

Quem passa sobre as pontes de Manaus não imagina que embaixo exista uma casa de madeira, cujo teto é o concreto da estrutura. E que mesmo em condições precárias e sujeitas à violência, famílias vivem no local. Pois essa realidade é vista debaixo da ponte Kako Caminha, no bairro Presidente Vargas, Zona Sul. Questões financeiras e pessoais são alguns dos vários motivos que levaram as pessoas a morarem no lugar.

Paulo Sales Rodrigues, 73, vive com um filho de 18 anos, a nora e três netos de 8, 5 e 2 anos. Ele disse que improvisou o barraco embaixo da ponte depois que a indenização que recebeu do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) acabou. “Tinha um empréstimo e quando o dinheiro caiu, o banco descontou. Meu nome ficou limpo, mas fiquei sem dinheiro para comprar uma casa”, contou.



De acordo com ele, a família mora no barraco improvisado há sete anos. A nora foi morar com eles depois que o marido foi preso por tráfico de drogas há três anos. Hoje, as crianças mais velhas estudam numa escola nas proximidades e a família sobrevive com o dinheiro de uma pensão que Paulo recebe. “Nesse tempo todo que estamos aqui, nunca recebemos ajuda de nenhum órgão público”, disse.

Manoel Bonifácio, 73, é outro que mora no barraco improvisado embaixo da ponte Kako Caminha. A situação dele é parecida com a de Paulo: também foi indenizado pelo Prosamim, mas no seu caso, o dinheiro ficou com a esposa quando se separou. “Sem condições de comprar ou alugar uma casa, vim morar aqui com três dos meus cinco filhos. O mais novo tem 18 anos. Os outros são casados e têm casa”, afirmou.

Quem vive em situação de rua e dorme embaixo de ponte relata que o maior problema que enfrenta é o preconceito. “As pessoas ficam olhando com suspeita quando estamos andamos perto delas, acham que vamos roubar”, disse Rogério Gomes, 32, que dorme numa cama improvisada com colchão e papelão embaixo da ponte que liga a avenida Senador Álvaro Maia, na Zona Sul, à avenida Brasil, na Zona Oeste.

De acordo com a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), 553 pessoas vivem em situação de rua na capital amazonense.

Centro POP dá assistência às pessoas em situação de rua

A Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) informou que trabalha de forma a recuperar os laços familiares, desfeitos por diversos motivos, como álcool e drogas. De janeiro a junho deste ano foram encerrados 91 atendimentos desse tipo. Destes, 28 pessoas superaram a situação de rua, voltando pra família ou criando autonomia. Conforme a Semmasdh, faz parte da estrutura Municipal das Políticas de Atendimentos dos Direitos a Jovens e Adultos em Situação de Rua, o Serviço de Acolhimento Institucional Amine Daou Lindoso, que hoje tem 27 acolhidos. As ações desenvolvidas no local são realizadas na perspectiva de atender a demanda específicas, verificando a situação apresentada pelo usuário e possibilitando a realização dos devidos encaminhamentos.

Tem também o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP), que oferta trabalho técnico para a análise das demandas dos usuários, orientação individual e grupal e encaminhamentos a outros serviços socioassistenciais.

O Centro POP promove ainda o acesso a espaços de guarda de pertences, proporciona endereço institucional para utilização que serve como referência do usuário para a provisão de documentação civil e encaminhamentos para a rede socioassistencial.


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