Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
Manaus

Assaltos a ônibus viram rotina em Manaus

De janeiro a maio foram 306 roubos na cidade, que causaram prejuízo de R$ 78 mil aos empresários do setor



1.gif Prejuízo das empresas é de R$ 78 mil, mas câmeras mostram que assaltantes também dão prejuízo aos passageiros, que não registram o caso nas delegacias
16/05/2013 às 10:34

Somente de janeiro a maio de 2013, os ônibus das dez empresas que atuam no transporte coletivo de Manaus sofreram 306 assaltos, ou seja, uma média de dois crimes por dia. Os assaltos deste ano refletem um prejuízo total de R$ 78 mil aos empresários do setor. Os dados são do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado (Sinetram).

Além das perdas financeiras e materiais, os assaltos geram sequelas psicológicas e físicas às vítimas. Motoristas, cobradores e os próprios passageiros ficam com traumas e medo de voltar ao trabalho ou de entrar novamente em um coletivo. Há casos de motoristas e cobradores que foram afastados das funções e ficaram amparados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Apesar do investimento em segurança como a instalação de câmeras nos coletivos, alguns criminosos não se intimidam. No entanto, o número de assaltos reduziu desde a instalação dos equipamentos, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM). O uso das câmeras segue a Lei Municipal 789/04. Ela obriga as empresas de transporte coletivo a instalar as câmeras em todos os ônibus.

Modus operandi

Conforme o presidente do STTRM, Josildo Oliveira, a maioria os assaltos são praticados durante a noite e aos finais de semana, principalmente, na sexta-feira. Em quase todos os crimes, motoristas, cobradores e passageiros são rendidos com o uso de arma de fogo. No entanto, há casos de uso de faca e até terçado, o que coloca a arma branca como o segundo instrumento mais usado nos crimes.

As ações são rápidas e, em poucos minutos, os assaltantes fazem um verdadeiro “arrastão” nos coletivos. Eles levam, além da renda do ônibus, objetos dos passageiros e rodoviários. Os principais alvos são carteira porta cédulas e celulares.

Quase como regra, os assaltos são praticados por dois ou três criminosos. O motorista é rendido por um comparsa com arma de fogo, enquanto outro aborda o cobrador e o terceiro recolhe os pertences dos passageiros. 

Conforme Josildo, as linhas que fazem trajetos mais distantes são as mais visadas pelos bandidos porque passam por ruas sem movimento e concentram a maior quantidade de dinheiro por conta da demanda de passageiros. Entre elas estão as que partem das Zonas Norte e Leste para o Centro.

Bandidos se tornam ‘conhecidos’

Alguns motoristas foram assaltados duas ou até três vezes pelos mesmos criminosos. Segundo o presidente do sindicato dos rodoviários, Josildo Oliveira, há linhas de ônibus que são recorrentes em assaltos. Nesses casos, os rodoviários reconhecem o criminoso, mas não podem fazer nada além de registrar o caso em uma delegacia. 

Também não há, conforme Oliveira, como o motorista identificar o assaltante antes dele entrar no coletivo. Vários pontos são mal iluminados e os bandidos entram no ônibus como se fossem passageiros comuns e, só depois, anunciam o crime.

Para Oliveira, a recomendação universal é não reagir. Ele ressalta que há três anos o uso de violência nas ações reduziu, mas o sindicato continua recomendando que o melhor é preservar a vida.

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