Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020
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Assassinato de indígenas em Manaus possuem o mesmo perfil, diz CIMI

Humberto Peixoto, da etinia Tucuia, é o quarto indígena morto na cidade de Manaus ao longo de 2019



show_humberto-peixoto-e1575806853361_FC2FDCDC-C12D-4A66-9B3C-278C766711DD.jpeg Foto: Arquivo pessoal
10/12/2019 às 11:02

Em nota divulgada no último sábado (7) a Arquidiocese de Manaus informou a morte de Humberto Peixoto, que trabalhava na Cáritas Arquidiocesana e assessorava a Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (AMARN). Humberto era indígena do povo Tuiuca, região do rio Negro, noroeste do Amazonas. Ele tinha 37 anos e deixa esposa e uma filha de cinco anos. O Tuiuca é o quarto indígena morto na cidade de Manaus ao longo de 2019, de acordo com levantamento do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

De acordo com a nota, “na última segunda-feira, dia 2 de dezembro, Humberto foi espancado quando retornava para sua casa, por volta das 15h. Foi um ato de extrema violência que o deixou internado em estado gravíssimo, com afundamento do crânio, fêmur quebrado e perfuração na cabeça, o que provavelmente levou à morte encefálica na terça-feira e, na manhã deste sábado, veio a óbito”.



Conforme pessoas próximas ao indígena, Humberto havia participado de uma reunião na Cáritas na tarde de segunda-feira (2). No dia seguinte receberam a informação de que ele estaria internado em uma unidade de saúde no bairro do Coroado, Zona Leste de Manaus. Após contato com familiares, ficaram sabendo da gravidade do fato e de que ele teria sido agredido.

Na segunda-feira (9), vereadores de Manaus fizeram um minuto de silêncio por conta da morte do indígena durante reunião plenária na Câmara Municipal de manaus (CMM). Na ocasião, o vereador Elias Emanuel (PSDB), atribuiu ao Estado a responsabilidade sobre a elucidação sobre os casos de violência e disse que vai solicitar ao secretário de secretário de Segurança Pública, Lousimar Bonates, a intervenção nas investigações sobre o crime.

"Essa é a capital onde há o maior número de indígenas morando aqui e um crime desses não pode passar para as estatísticas de crimes sem solução. Deve ser solucionado, e os culpados devem aparecer e serem punidos em honra da pessoa humana", frisou o vereador.

Não há certeza da motivação do crime, até o momento. Uma hipótese ventilada é a de vingança praticada por criminosos do bairro onde Humberto morava, pois ele não se intimidava com a presença destes indivíduos. Procurada, a Polícia Civil do Amazonas informa que instaurou inquérito para investigar a morte do indígena.

Mortos

Humberto Peixoto é o quarto indígena morto na cidade de Manaus ao longo de 2019. Em 27 de fevereiro, o cacique  Francisco de Souza Pereira, de 53 anos, foi executado na residência onde morava, na rua Bahia da Comunidade Urucaia, Conjunto João Paulo, bairro Nova Cidade, Zona Norte.

No dia 13 de julho, Willame Machado Alencar, de 42 anos, conhecido como ‘Onça Preta’, foi morto com cinco tiros, na ocupação Cemitério dos índios, bairro Nova Cidade, zona norte de Manaus. Carlos Alberto Oliveira de Souza, de 44 anos, Apurinã, foi morto no dia 6 de agosto após ser alvo de disparos de arma de fogo efetuados por homens encapuzados, na Avenida Maria Marrero, na comunidade Conjunto Cidadão 12, localizado na Cidade Nova, Zona Norte.

"Os indígenas viviam em bairros da periferia ou em ocupações da cidade de Manaus com forte presença do narcotráfico", afirma o CIMI.

Internacional

A ativista ambiental sueca Greta Thunberg, de 16 anos, denunciou em suas redes sociais no domingo  (7) a morte de dois indígenas do povo Guajajara no Maranhão. Ela mencionou que ataques do tipo são frequentes e criticou o silêncio das autoridades perante tais crimes.

“Os povos indígenas estão literalmente sendo assassinados por tentar proteger a floresta do desmatamento ilegal. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso”, escreveu a ativista.

Assassinatos aconteceram no sábado (7), quando homens dentro de um carro atiraram contra os indígenas na estrada BR-226, que corta as aldeias El Betel e Boa Vista, no Maranhão. Atentado tirou a vida de Firmino Prexede Guajajara, que morreu na hora, e Raimundo Belnício Guajajara. Nelsi Olímpio Guajajara levou um tiro na perna e está ferido.

De acordo com relatos, os dois voltavam de uma reunião de articulação de povos indígenas para defesa de direitos. No mês passado, Paulo Paulino Guajajara, que trabalhava como guardião da floresta defendendo o território indígena contra exploração ilegal, também foi assassinado por madeireiros próximo ao local do crime deste sábado.

A ativista ambiental sueca Greta Thunberg, de 16 anos, denunciou em suas redes sociais neste domingo (7) a morte de dois indígenas do povo Guajajara no Maranhão. Ela mencionou que ataques do tipo são frequentes e criticou o silêncio das autoridades perante tais crimes.

 


 

“Os povos indígenas estão literalmente sendo assassinados por tentar proteger a floresta do desmatamento ilegal. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso”, escreveu a ativista.

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