Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
Manaus

Assistente social promove encontro entre andarilhos das ruas com a família

Além de resgatar as pessoas das ruas, a assistente ainda realiza ação pelas redes sociais



1.jpg Wilson, ao lado de Rocinéia, voltou sexta-feira ao convívio familiar após 36 anos
24/08/2013 às 15:36

Depois de passar 36 anos vivendo nas ruas como andarilho, sem sequer se comunicar com as pessoas por conta de transtornos mentais, o mineiro Wilson Ramos Cardoso, 59, que há 10 anos estava no município de Itacoatiara (a 180 quilômetros de Manaus) pôde rever família deixada em Jaíba, interior de Minas Gerais. O reencontro, ocorrido na noite da última sexta-feira, foi programado pela assistente social Rocinéia de Souza, 42, do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) São Lucas, instalado há oito meses no município do Médio Amazonas.

Wilson foi o terceiro dos andarilhos de fora do estado encaminhados por ela às famílias, além de outros de Manaus. Os dois outros eram dos estados do Piauí e do Pará. “Eram pessoas que família acreditava terem morrido”, contou Rocinéia.

Após receber assistência médica e tomar remédios, Wilson conseguiu escrever o nome de alguns parentes que foram procurados nas redes sociais da Internet, o meio encontrado por ela para buscar os parentes do andarilho. Minutos depois de lançada a história e os nomes dos familiares, houve contato de pessoas perguntando mais detalhes, fato que emociona ainda a assistente social ao lembrar

Alegria

O fato de conseguir citar os nomes dos irmãos, inclusive com o detalhe de escrever os nomes por idade, permitiu a descoberta da família de Wilson Cardoso. Não é possível saber como ele chegou ao Amazonas e nem ao município onde estima-se estar há uma década vivendo do que consegue pedir. “Ele era conhecido como mudo, mas logo que começamos a tratá-lo, ele foi capaz de falar e escrever os nomes dos familiares”, relatou Rocinéia, que colocou numa armadura a folha com a escrita do ex-andarilho, entregue à família como sinal de que apesar de muito longe e depois de tanto tempo, o laço familiar era forte o suficiente para fazê-lo lembrar os nomes dos irmãos e irmãs.

Higienização e o reconhecimento

Outro que foi reencontrado pela família que vivia em Petrolina, interior de Pernambuco, foi Luiz Raimundo de Moraes, 53. Resgatado pelo Caps de Itacoatiara após sofre um acidente de carro e ter a perna amputada, só depois de passar por um processo de higienização que contou com o corte de uma barba enorme, foi reconhecido. “Ele tinha uma barba enorme, que cobria o rosto quase todo”, relata.

Já entregue à família pela própria Rocinéia de Souza, Luiz Raimundo também teve seu nome divulgado nas redes sociais, pois após a alta do hospital não tinha para onde ser encaminhado. Inicialmente, ele dizia ter parentes em Simões, no Piauí e também em Carnaubal, no Ceará. Uma sobrinha dele, no entanto, resolveu colocar o nome dele em redes sociais e encontrou as informações postadas no facebook do Caps de Itacoatiara. Sem perder a esperança de um dia reencontrar o parente desaparecido, a família pôde recebê-lo com festa e alegria, disse a assistente social que foi testemunha da festa feita para recepcionar Luiz. “Eles ficaram tão gratos que queriam que eu ficasse lá por mais uma semana”, disse ela, que recusou a oferta por ter que voltar ao trabalho.

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