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Manaus
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Atenção básica de saúde atende apenas 60% da população de Manaus

Embora todos os brasileiros tenham direito a ser atendido em uma unidade, serviço na capital é precário. Segundo a Semsa, meta de cobertura em Manaus é de 70%, porém realidade chega a apenas 59,70 19/10/2016 às 10:50 - Atualizado em 19/10/2016 às 14:40
Show show saude
Servidor de UBS entrega 15 fichas para quem chegou às 4h no local (Foto: Winnetou Almeida)
Silane Souza e Alírio Lucas Manaus (AM)

Todo cidadão brasileiro deve ser atendido na rede de Atenção Básica de Saúde, mas em Manaus mais de 40% da população está fora do sistema e sem receber os tratamentos básicos. De acordo com a Secretária Municipal de Saúde (Semsa), a cobertura na capital é de 59,7%.. Quem procura o serviço enfrenta uma série de dificuldades, como conseguir atendimento é um sacrifício, fazer exames então nem se fala. Que o digam os usuários de algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município.

Eram 4h quando a dona de casa Ariadla da Silva, 38, saiu da casa dela, no conjunto João Paulo II, Zona Norte, com os três filhos para tentar marcar uma consulta para na UBS PM Sálvio Belota, no bairro Santa Etelvina, também na Zona Norte. Após uma longa espera, ela recebeu duas notícias desagradáveis: a primeira foi que o atendimento só poderia ser apenas para um dos três filhos, já que lhe foi entregue somente uma ficha.

A segunda, a espera se estenderia até as 16h do mesmo dia, horário que a médica pediatra da unidade inicia os atendimentos. Sem ter como voltar para casa, para não gastar mais R$ 12 com as passagens de ônibus, Ariadla reclamou da maneira como é feita a distribuição de fichas e ainda relatou situações que precisou passar para conseguir atendimento. “Tem vezes que meu marido vem e dorme aqui na frente da UBS para poder conseguir pegar ficha para sermos atendidos”.

Há dois meses esperando para realizar três exames, sendo um deles gastrointestinais, Adriele Anveres, 25, conta que todas as vezes que vai até a unidade de saúde para saber se existe uma previsão, nada é informado. “Preciso me deslocar até aqui para saber se tem alguma previsão e nada. Antes eles ainda ligavam para avisar, hoje em dia nada é informado. Só que não tem previsão. Eu estou há dois meses esperando só para fazer esse exame e nada”, reclamou.

Enquanto Adriele espera marcarem uma data para que sejam realizados seus exames, o vigilante Reinaldo dos Anjos, 52, que tem em mãos seus exames prontos, depois de uma espera de aproximadamente três meses, precisou enfrentar na manhã de segunda-feira, uma fila com quase 200 pessoas só para marcar seu retorno com o médico. A espera aconteceu na UBS Áugias Gadelha, situada no bairro Cidade Nova 1, Zona Norte.

Com apenas uma pessoa atendendo no local, Reinaldo se disse humilhado com o sistema de atenção básica. “É uma humilhação. Nunca tem vaga. Demora a marcarem os exames. Demora a sair o resultado e quando finalmente vamos voltar ao médico, ainda precisamos ficar aqui por horas, sem qualquer organização, esperando para pegar uma ficha, que não será nem para hoje o atendimento”.

Meta era de 70%

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que o Ministério da Saúde não preconiza uma cobertura ideal de atenção básica, devendo esta ser de acordo com a realidade local, onde, para Manaus, ficou estabelecido o ideal de 70% de cobertura, considerando 30% de saúde suplementar registrado para a capital. A meta de 70% vem sendo o objetivo da atual gestão, que ampliou a cobertura de 47,94% para 59,70%.

Conforme a Semsa, a cobertura populacional da Atenção Básica aumentou 12% em Manaus. Para a secretaria, a entrega de 51 unidades construídas ou ampliadas na atual gestão contribuiu para que a cobertura saísse de 47,49% para 59,7% na capital. O secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão, disse que a meta do município é chegar a 70%, desafio comum à maioria dos municípios brasileiros.

“O aumento das ações de assistência e prevenção proporcionado pela ampliação e melhoria da rede municipal foi fundamental para o crescimento da cobertura, mas é necessário chegar aos 70%, o que significa alcançar a totalidade dos usuários que contam apenas com a rede pública de saúde”, informou.

Quanto às denúncias de agendamento nas UBSs, a Semsa limitou-se a informar que as ações de saúde também objetivaram ampliar o acesso aos serviços através de agenda aberta, com marcação de consultas médicas e de enfermagem diariamente na atenção básica.

Proximidade

De acordo com a assessora técnica da Semsa, Nayara Maksoud, a Atenção Básica abrange uma série de ações, incluindo a Estratégia de Saúde da Família (ESF) e ações básicas desenvolvidas nas Unidades Básicas de Saúde, escolas e espaços na comunidade. “Tudo isso realizado por equipes multiprofissionais, que podem contar com especialidades básicas e profissionais como ginecologista, pediatra, clínico geral, nutricionista e assistente social”, explicou.

Em relação à Estratégia de Saúde da Família, no mesmo período de 2012 a 2016, a cobertura saltou de 26,10% para 39,32%, conforme dados da Semsa. “A Estratégia Saúde da Família está inserida na cobertura da Atenção Básica. A diferença entre as duas está no processo de trabalho, em como as equipes desenvolvem a assistência”, destacou a técnica, reforçando que este aumento significa mais proximidade com o usuário.

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