Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
Manaus

Atendimento humanizado para vítimas de violência é essencial no IML, diz especialista

Entre os traumas mais comuns que podem ser desenvolvidos a partir do conflito psicológico da violência ou do sentimento de perda estão os sintomas de depressão e o comportamento autodestrutivo



1.jpg Esse setor acolhe mulheres, homens e crianças, além das famílias das vítimas, proporcionando um atendimento especializado
15/05/2013 às 14:22

A sigla do Instituto Médico Legal (IML) – que realiza além das necropsias, exames de corpo de delito e conjunção carnal em vítimas de violências físicas e sexuais –, suscita medo e traumas para vítimas de violência e pessoas que viveram o impacto da perda de um ente querido. Para minimizar os traumas, a Polícia Civil busca realizar um atendimento humanizado, exclusivo e pessoal por meio do setor psicossocial do instituto.

Segundo os especialistas da área da assistência social, comemorada nesta quarta-feira (15), entre os traumas mais comuns que podem ser desenvolvidos a partir do conflito psicológico da violência, ou do sentimento de perda, estão os sintomas de depressão e o comportamento autodestrutivo que afetam o convívio social, profissional e comportamental das vítimas.

Para a psicóloga do IML de Manaus, Janete Vieira, os momentos após a agressão são os mais difíceis pelo estado de choque que a pessoa passa na sua constituição psíquica.  Segundo ela, expor-se a opinião de conhecidos e parentes, se submeter a um procedimento policial e aos exames de corpo de delito é difícil para vítimas. “Sofrer um trauma psicológico, seja por maus tratos, estupro, acidente, queda ou perda de um ente querido por morte violenta ou natural é sempre um choque para quem tem este contato direto ou indireto com a ação traumatizante”, declarou.

O Instituto disponibilizou um espaço físico com recepção privativa onde é realizada a escuta pelos profissionais da área como os assistentes sociais e psicólogos, um gabinete onde o perito faz o exame pericial com banheiro próprio, sala de entrevista com brinquedos, proporcionando assim privacidade para um ambiente que visa transmitir confiabilidade e segurança.

Janete Viera, conta que crianças menores de 7 anos, vítimas de violência sexual, não passam pelo procedimento de escuta, que acontece em uma sala preparada para receber as vítimas. Neste caso, os pais ou responsáveis pela criança é que conversam com a psicóloga e a assistência social.

A assistente social que comemora o seu dia nesta quarta-feira (15), Sulamita Geber, é uma das responsáveis por abordar e receber as vítimas, além de prepará-las para o atendimento com a psicóloga. “O atendimento individual, na forma de acolhimento e escuta, tem como objetivo colaborar para a reestruturação psíquica e emocional, tanto das crianças quanto dos adultos”, disse.

Segundo Geber, os pais das crianças, que sofreram abuso sexual ou foram lesionadas, são orientados a tomar algumas atitudes como: não relembrar o fato na frente da criança, evitando o sentimento de culpa, a procura do atendimento psicológico, além de inserir a criança no mundo esportivo, onde ela possa ter contato com outras crianças.

Emoção e profissionalismo

Um dos desafios do ser humano é lidar com as emoções e este equilíbrio entre a emoção e o profissionalismo é que os servidores buscam durante os atendimentos no setor psicossocial. Para Janete é preciso ter foco para desenvolver o trabalho da melhor forma possível. Ela mesma conta que já ficou emocionada ao receber uma mãe que acabara de perder o único filho, onde o marido e pai da criança foi o autor do acidente.

“Uma das experiências que mais me marcou foi quando recebemos uma família, onde o pai havia atropelado o único filho ao sair com o carro na garagem de casa. Uma fatalidade em que todos os servidores do IML se comoveram, tanto que juntos recebemos aquela família como se fosse a nossa própria família e demos força naquele momento difícil. É difícil conter a emoção e o sentimento que toma conta de todos é de ajudar as vítimas da melhor forma possível”, declara.

Para o Diretor do IML, Sérgio Machado, esse acolhimento das vítimas alcançou o nível de trabalho desejado pela Polícia Civil.

“A nossa preocupação é com o atendimento a essas vítimas, por isso a Polícia Civil, por meio do IML, busca atender de forma exclusiva e pessoal, já que elas chegam vulneráveis no procedimento policial. O Instituto as acolhe e oferece o atendimento psicossocial, numa nova oportunidade de ressocialização ao ambiente familiar, escolar e social”, destacou.

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