Quinta-feira, 09 de Julho de 2020
NA DJALMA

Ato pró-governo é marcado por hino nacional, oração e críticas à emissora de TV

O grupo de, aproximadamente, 100 pessoas reuniu hoje (6) próximo a um posto de gasolina para prestar homenagens à Polícia Militar do Estado do Amazonas, ao Dia D. Os manifestantes também criticaram o ato ‘Amazonas Pela Democracia’ realizado na última terça-feira (2)



ERALDO_LOPES_3_8DB24DDF-557A-425B-9130-138B9D530A5F.jpeg Foto: Eraldo Lopes
06/06/2020 às 18:09

A "Manifestação Patriótica Pró-Bolsonaro" realizada na tarde de hoje (6) em Manaus, foi marcada por homenagens à Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM) e fortes alusões ao “Dia D”, data histórica em que as tropas do Reino Unido, dos Estados Unidos, do Canadá e da França atacaram as forças alemãs no litoral norte da França, no dia 6 de junho de 1944.

Além do reconhecimento público de dois oficiais que impediram que a Bandeira Nacional fosse queimada em protesto que aconteceu na última terça-feira (2), no ato intitulado ‘Amazonas Pela Democracia’, a homenagem de hoje (6) ocorreu por meio da reprodução da música “Fibra de herói”, canção tradicional do Exército Brasileiro, cantada nos quartéis para homenagear a bandeira do Brasil.



À princípio, a ideia do grupo de aproximadamente 100 pessoas, era reunir-se no Posto 700, situado na Avenida Djalma Batista, e seguir até outro posto de gasolina, situado na mesma via. 

No entanto, os manifestantes pró-Bolsonaro decidiram não fazer a carreata e realizar o ato no ponto de encontro inicial. “Por questão de respeito aos cidadãos, não vamos seguir carreata”, disse Paulo Maffioletti oficial de reserva e um dos entusiastas dos protestos a favor do presidente. 

Foto: Eraldo Lopes

Participaram do ato veteranos do exército, membros do grupo de Caçadores, Atiradores Desportivos e Colecionadores (CAC), lutadores de artes marciais e outros apoiadores de movimentos de direita.  

Dia D

“Hoje é dia 6 de junho, nesta mesma data, em 1944, foi justamente o dia em que as tropas aliadas conseguiram fazer uma ofensiva contra os nazistas. Hoje nós estamos aqui também, mostrando a nossa força, nosso patriotismo”, disse Júlio Nunes, membro do CAC da 12ª Região Militar. 

“A liberdade e a democracia nasceram no dia 6 de junho de 1944 e nós também queremos fazer menção aos pracinha da FEB - Força Expedicionária Brasileira, que combateram os nazistas e fascista no Teatro de Operações da Itália”, acrescentou Paulo Maffioletti. 

Amazonas Pela Democracia

Durante a manifestações, foram feitas muitas alusões ao protesto ‘Amazonas Pela Democracia’, ato que ocorreu na tarde de terça-feira (2), também na Avenida Djalma Batista. Naquela manifestação, a Bandeira do Brasil foi manchada de vermelho e pisada em alusão ao sangue de morte de minorias, com foco na violência contra pessoas negras. A performance terminaria como ateamento de fogo no símbolo nacional, porém, a PMAM interveio.

Foto: Eraldo Lopes

“Minha maior indignação não é contra os tipos de protestos, atos, manifestos ou expressões de opinião, porque o respeito a opinião e a divergência sempre vai existir. (...) Mas eu não posso permitir que grupos peguem a nossa bandeira, rasguem, manchem ela de vermelho e ainda tentam atear fogo. Isso eu não posso permitir”, disse Felipe Silva, representante do Movimento Endireita Amazonas, em discurso. 

O grupo gritou em conjunto os dizeres: ‘a nossa bandeira jamais será vermelha’. “E é assim que nós vamos gritar sempre que nós nos reunirmos levantando e hasteando essa bandeira”, acrescentou Felipe. 

“Quem se diz antifascista e queima bandeira, não é democrata. Depredar patrimônio e praticar atos de violência verbal e física, isso não é democracia”, disse Paulo Maffioletti. “Democracia hoje é Jair Messias Bolsonaro eleito democraticamente. Temos um governo conservador, a esquerda perdeu a eleição e precisa respeitar os resultados das urnas”, acrescentou. 

Atila Araújo, representante da associação dos granadeiros, ressaltou que a convocação deste sábado é um ato pacífico, muito diferente do ‘Amazonas Pela Democracia’. “Quem é patriota e quer realmente lutar pela democracia não faz isso com os símbolos nacionais. A bandeira é um dos símbolos máximos do país e merece respeito”, afirmou.

Foto: Eraldo Lopes

STF

Indagado sobre os protestos em Brasília em que manifestantes pedem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da  Associação dos Vetereanos da Polícia do Exército e Granadeiros do Amazonas (AVPEG-AM), disse ser um assunto complexo. 

“Começa com os ministros do STF que foram empossadas por indicação política e foge muito da meritocracia. Logicamente não se pode negar a qualificação deles, mas, além da meritocracia, a indicação política dos ministros fere um pouco no que tange a essas manifestações populares contra isso”, comentou.

Ato

O ato deste sábado (6) começou e terminou com orações de pastores que apoiaram o movimento. Mesmo tendo cartazes com os supostos pilares do governo federal - pátria, armamento, livre mercado e liberdade de expressão -, o grupo distribuiu adesivos contra uma das maiores emissoras do país, a quem um representante do Movimento Conservador Amazonas chamou em discurso de “tevê funerária”. 

Armando, fabrica bandeiras de clubes de futebol e países há 20 anos, tendo como ponto de vendas o bairro Eldorado. Ele estava na manifestação vendendo bandeiras do Brasil. “Vim vender minhas bandeiras do Brasil e também sou a favor do Bolsonaro porque, no meu pensamento, o Bolsonaro está sendo um bom presidente. Sem corrupção, mas a esquerda sempre é contra e a gente vem dar esse apoio. Eu fabrico as bandeiras e boto para vender”, disse.

Repórter de A Crítica

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