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Manaus
EMOÇÃO

Atores falam sobre emoção de interpretar Jesus em espetáculos do AM: 'É gratificante'

Eles vestem coroas de espinho e carregam cruzes de até 30 kg e, nesta Sexta-Feira Santa, vão atuar durante encenações. Pelo menos três espetáculos acontecem em Manaus até domingo (1º) 30/03/2018 às 09:08 - Atualizado em 30/03/2018 às 09:15
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Hudson Vasconcelos mostra a coroa realista utilizada por ele na ‘Saga do Calvário’. Foto: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Interpretar Cristo em cena em eventos da Semana Santa não é apenas um desafio e responsabilidade, mas também a chance de vivenciar física e psicologicamente alguns dos momentos do Nazareno antes, durante e depois de sua crucificação.

Aos 35 anos de idade, o administrador e músico Arlley Barbosa de Souza já atua como Cristo há 17 anos encenando com os jovens da Área Missionária de Santana da Igreja Católica, no Conjunto Hiléia, Zona Centro-Oeste de Manaus. Ele integra a congregação desde a adolescência.

O espetáculo acontece há anos naquela congregação, que de forma voluntária incentiva os jovens da comunidade a participar e entrar no mundo Cristão através da arte, do teatro, da música, sob a direção do diretor e ator Francisco Mendes Moura, que viu em Arlley potencial para encarnar o “Rei dos Judeus”.

No último domingo (25), houve a encenação do tradicional “Domingo de Ramos”, quando Arlley, interpretando Jesus, encenou a entrada triunfal do Cristo em Jerusalém, evento da vida do Nazareno que é mencionado nos quatro evangelhos.

O conjunto de espetáculos finaliza em apresentação única nesta Sexta-Feira Santa (30) na quadra da igreja no Hiléia, a partir de 18h, com entrada gratuita, quando será encenada a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.


Para o músico Arlley Souza, interpretar Jesus Cristo é uma  sensação indescrítível. Foto: Acervo Pessoal 

“O diretor e ator Francisco Mendes viu em mim potencial para fazer esse papel tão importante que envolve arte cênica e música, pois Jesus canta em diversos momentos nesse espetáculo. Agradeço muito a ele, pois me ajudou a melhorar a cada ano. Obviamente que a aparência, cabelos longos, barba e etc ajudaram nessa escolha por mim, sim”, disse o músico, que tem o biotipo difundido, principalmente na época do Renascimento, do Cristo de barba e cabelos longos.

Para Arlley, vivenciar Cristo é uma sensação indescritível e que ele leva tanto a sério que até jejum faz na Sexta Santa.

“É gratificante e honroso interpretar Jesus. Me sinto muito bem pois parece que faz parte de mim ou sempre fez. Me entrego de corpo e alma, me imagino nas cenas, deixo todos os pensamentos do mundo de lado e me concentro apenas na minha missão, responsabilidade de interpretar o maior papel de todos:  Jesus. É realmente uma coisa fora do comum. Até jejum faço. Tento sentir, imaginar a dor que Jesus sentiu... enfim, não dá pra explicar. É indescritível”, relata ele.

A felicidade de evangelizar através da arte é outro componente que Arlley destaca na atuação do “Rei dos Reis”. “Sou muito feliz e agraciado por essa oportunidade e sigo minha missão de evangelizar com bons exemplos da forma que Deus me presenteou com o dom da arte”, garante o artista.

Saga do Calvário

Há sete anos o administrador de empresas Hudson Vasconcelos de Mendonça, 38, encarna Cristo no espetáculo teatral “Paixão de Cristo Saga do Calvário”, que é organizado pela Paróquia Santíssima Trindade no Japiim, Zona Sul de Manaus.

A peça foi encenada este ano na última quarta-feira (28), quando, novamente, Hudson Vasconcelos vivenciou a emoção que começou, em 2012, ao 33 anos, a mesma idade atribuída à Cristo quando foi crucificado.

“Há 18 anos participo da peça na parte sonora, mas já cantava na Igreja, nas liturgias aos domingos e durante a Saga do Calvário participo na parte musical. Já fui José, depois o filho pródigo e em 2012 surgiu o convite para a retomada da saga, comigo como Jesus”, disse ele. 

“Nessa época deixo a barba crescer, coloco peruca, mega hair e me coloco como Jesus Cristo. Mas, além da preparação física, também faço a espiritual, que ocorre nas celebrações, comunhão, confissão e oração, buscando na essência do Evangelho as suas palavras, gesto e transformando isso em um teatro para que as pessoas possam se remeter àquele tempo em que Jesus viveu e transformou toda a humanidade”, completou.

Serenidade emociona o público

O funcionário público Cleudes Barroso encena Jesus Cristo há 10 anos no Município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus). Diferentemente dos últimos anos, os contratempos profissionais dos participantes da Paixão de Cristo na cidade forçaram o cancelamento do tradicional evento na Igreja Católica São João Batista nesta sexta-feira (30). No entanto, ele avisa que no próximo domingo (1) está confirmada a celebração e encenação da Ressurreição de Cristo, tendo como local o próprio templo católico da cidade.

Em dezembro do ano passado, Cleudes encarnou Jesus em uma peça natalina. O funcionário público é ator de teatro e conta já ter feito inúmeros papéis, mas que nenhum é mais importante que o Salvador dos cristãos. “Meu principal papel é de Jesus”, diz ele.

Quando interpreta o Cristo, Cleudes Barrosa conta se transformar, adotando características como um olhar sereno e observando a compaixão das pessoas que ficam comovidas. “É muito prazeroso interpretar Jesus e levar essa mensagem da Paixão de Cristo para as pessoas, que se emocionam”, diz ele.

Entre cruzes e os espinhos

É comum que em algumas encenações da Paixão de Cristo as coroas utilizadas sejam feitas contendo espinhos de verdade. É assim, por exemplo, na indumentária realista que é produzida por Cleudes Barroso, de Iranduba. “A coroa de espinhos é de cipó trançado e acrescento espinhos de verdade, mas sempre para fora para não nos ferir”.

Outros assessórios utilizados na peça também são feitos com produtos que provocam impacto realista, caso da maquiagem (que retrata, por exemplo, as chagas de Jesus) e do chicote. “O chicote é feito de um material plastificado que encapa os fios de ar-condicionado, que faz um estalo muito grande e praticamente não dói em contato com a minha pele”, revela Cleudes.

Já a cruz que ele carrega na encenação pesa cerca de 20 quilos, mas “finaliza com a sensação de ter uns 50kg por conta do percurso e cansaço que temos”.

Segundo Hudson Vasconcelos, do espetáculo Saga do Calvário, na parte final da final da crucificação ele carrega uma cruz de madeira com mais de 30 quilos. “É pesada, mas nos ajuda a lembrar como é a nossa vida e que diante do sofrimento de Cristo temos que superar; ‘No mundo há aflições, mas tenham ânimo, pois eu venci o mundo’, disse Cristo”, lembra o administrador.

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