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Manaus
Travessia de arrepios

Atravessar em certas pontes de Manaus é motivo de temor para pedestres

Criadas para unir os caminhos dos pedestres, as pontes nem sempre se constituem em locais agradáveis de se locomover 24/11/2016 às 05:00 - Atualizado em 24/11/2016 às 09:41
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O casal Claudemir Jr., Rayssa Bacelar e a pequena Éster: temor com a curta lateral de proteção da ponte de Educandos (Fotos: Clóvis Miranda)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Criadas para unir os caminhos dos pedestres, as pontes nem sempre se constituem em locais agradáveis de se locomover. A CRÍTICA esteve em três desses locais em situação considerada preocupante pelos transeuntes, que não são raras as vezes têm até mesmo que se equilibrar nelas para fazer uma arriscada travessia. E pasmem: até mesmo as crianças sofrem. É de arrepiar!

Um exemplo ocorreu ontem quando moradores da Travessa Capinzal, no Núcleo 15 da Cidade Nova 3, Zona Norte resolveram reconstruir eles mesmos, de forma improvisada e paliativa, a ponte de madeira localizada naquela área da cidade após a mesma ter sido destruída pelas chuvas da madrugada.

Munidos de martelos e terçados, desde as primeiras horas do dia, comunitários como Abimael Rodrigues e Manoel de Jesus da Silva estavam concentrados em restaurar paliativamente a obra para tornar possível que os estudantes pudessem realizar a travessia.

Detalhe importante: as águas do igarapé que passa abaixo da ponte tem jacarés, afirmam os comunitários. “Estamos ajeitando a ponte por causa das crianças, que são o nosso futuro”, disse Abimael. Ao lado, sem camisa e também suado, Manoel reforça: “O jeito foi reaproveitar as tábuas e pregos”.

“Com esse problema, algumas mães e pais decidiram contornar a ponte para pegar seus filhos, pegando um caminho ao lado em torno de 3 quilômetros”, disse o morador Francisco das Chagas, 43.

São Raimundo

A Ponte Presidente Dutra, conhecida como Ponte do São Raimundo, na rua Leopoldo Neves, bairro de São Raimundo, apresenta trechos onde a sua parte lateral está enferrujada e se deteriorando, além de lixo concentrado ao redor da obra.

É fácil constatar avarias na parte da obra sentido Zona Oeste, onde as laterais de proteção feitas ferro revestido de cimento estão seriamente se desgastando a cada dia. É preocupante, também, a existência de rachaduras no piso.

Educandos

Inaugurada em 18 de outubro de 1975, a Ponte de Padre Antônio Plácido de Souza, que liga o bairro de Educandos ao Centro da cidade, sempre teve suas proteções laterais consideradas baixas e oferecendo perigo de queda para algum transeunte, além de desgaste pelo tempo.

“Essa lateral é muito curta, estreita e frágil. Várias vezes já quebrou. Tinha que dar uma reforçada no concreto, além de grades porque passam muitas crianças e há o risco de cair”, diz Claudemir Júnior, que estava em companhia da esposa Rayssa Bacelar e da filha Éster, de 2 anos de idade.

Frase

Qualquer criança pode subir e cair da ponte. Bem aqui tem um igarapé. Não há segurança alguma. Se a mãe olha pro lado, a criança já ‘foi’”

Ketlen Corrêa, estudante, sobre a ponte de Educandos

Blog

Vanderli Silva, dona de Casa 

Vou todos os dias pegar a minha filha de 5 anos na (Escola Municipal) Irmã Zeni, no Núcleo 15. Diariamente temos que passar por essa ponte. Agora fomos surpreendidos por ela estar quebrada. A ponte que era pra ser reformada está deixada de mão. O campo é outra coisa que a gente pede a oportunidade de falar: ele já tem 30 anos e nem iluminação tem, sendo um risco para a comunidade. Fazem aquela obra de esporte, lazer e turismo nos bairros e nós, como sempre, continuamos abandonados. Acho essa situação muito revoltante, um descaso com a população dos bairros. É horrível”, disse ela. Outra moradora, Ana Carolina, 29, iriam pegar três crianças na escola. “A situação é precária. Antes tínhamos uma rua para passar, mas ela desabou”, disse Ana.

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