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Manaus
ROMPEU BARREIRAS

Atriz fez da arte um caminho de sucesso, sem dar espaço para o preconceito

Ednelza Sahdo, de 73 anos, iniciou a carreira ainda na adolescência, em um período em que as mulheres não podiam sair de casa ou frequentae lugares públicos sem a companhia do homem da família 08/03/2017 às 10:00
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Um exemplo de mulher forte, que rompeu barreiras em uma época que mulheres não podiam decidir o próprio destino. Fotos: Aguilar Abecassis
Vanessa Marques Manaus

Entre as maiores virtudes das mulheres, está a de luta por seus direitos e de quebrar paradigmas para crescer diante da sociedade.

A atriz Ednelza Sahdo, de 73 anos, é  dessas mulheres que rompem barreiras. Iniciou a carreira de atriz ainda na adolescência, em um período em que as mulheres não podiam sair de casa ou frequentar lugares públicos sem a companhia do homem da família. “Meu  pai não aceitava muito, porque naquela época, as atrizes eram consideradas 'mulheres faladas’, mas nunca me impediu de fazer o que eu gostava".

Nessa fase o teatro não tinha muito incentivo e as produções eram apresentadas em clubes e foi nesse período que Ednelza se tornou um grande nome do teatro amazonense. "Eu era um furacão na dublagem de musicais. Dublava  Elza Soares, Rita Pavone, Dorinha Durval, Eliz Regina e muitas outras. Fazia tudo, atuava, produzia, cantava eu não parava", conta.

Ednelza logo se tornou uma dama do Teatro Amazonas, produzindo e encenando espetáculos que lhe deram muitos prêmios de melhor atriz. “Viajei o Brasil fazendo teatro”. Outra paixão da atriz é o Carnaval. Por 26 anos foi porta bandeira da Escola de samba Aparecida e em 2014 foi homenageada pela Grande Família.

Nada era obstáculo para Ednelza. Nem quando engravidou do primeiro filho teve medo de ser apontada como ‘mãe solteira’. “Não me escondi em casa, como meu pai queria, logo comecei a usar bata,  comprei uma banheira para meu filho e sai pelas ruas exibindo a minha gravidez”, lembra ela que nunca se deixou de ser oprimida. “Eu sabia que eu era uma mulher integra, então não havia motivo para me esconder”.

Mulher à frente do seu tempo, nunca casou oficialmente, teve quatro filhos e os criou sozinha. “Nunca liguei para o preconceito”, diz a artista que aconselha outras mulheres a irem à luta nesse dia tão especial para elas.

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