Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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ARMA DE FOGO

Aumento da criminalidade e da sensação de insegurança faz crescer procura por armas

De 2005 a 2017, o índice de pessoas com porte de armas cresceu 395%, saltando de 14.865 para 73.615 licenças


27/08/2017 às 09:29

O número de pessoas com licença para ter acesso a armas de fogo continua crescente no Brasil. Segundo dados do Exército Brasileiro, apenas nos sete primeiros meses desse ano o órgão concedeu 14.024 licenças, enquanto em todo o ano passado foram emitidas 20.575.

A Superintendência da Polícia Federal (PF) no Amazonas informou, por meio de nota, que no ano passado foram concedidas sete autorizações e 26 pedidos foram negados. Ao longo dos primeiros meses de 2016, dez solicitações foram atendidas, 16 negadas e seis estão sob análise.

Apesar dos números expressivos, o Exército informou que o órgão emitiu autorizações para caçadores, atiradores desportivos e colecionadores. Segundo a Lei 10.826/03, cabe ao Exército controlar o registro das armas e as atividades das pessoas inclusas nessas três categorias.

Do número total, cerca de 90% são de caçadores, atiradores e colecionadores, os chamados CACs, registrados no órgão. Ainda conforme dados do próprio Exército, de 2005 a 2017, esse índice de pessoas com autorização disparou e cresceu cerca de 395%, saltando de 14.865 para 73.615 licenças. Em 2016, por exemplo, o número de licenças expedidas foi de 20.575, um crescimento de 185% se comparado com o ano de 2015, quando foram 7.215.

No Brasil, dois sistemas têm controle sobre as armas de fogo, regulados pela Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 e pelo decreto 5.123, de 1º de julho de 2004. A Polícia Federal fica responsável pelo cadastro das armas de fogo de empresas de segurança privada, da Polícia Civil e Guarda Municipal, além da concessão de porte para pessoas físicas. O Exército, por sua vez, fica responsável pelo registro de armas das polícias militares, representantes diplomáticos e dos CACs.

Defesa pessoal

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Com casos de criminalidade em alta, muitas pessoas acabam procurando comprar armas para defesa pessoal. Na tradicional loja São Domingos, localizada no Centro de Manaus, apenas no primeiro semestre deste ano foram vendidas cerca de 100 armas, entre pistolas e espingardas.

Segundo o gerente da loja, Diego Gonçalves, os clientes são, na maioria, caçadores que moram no interior, praticantes de tiros e pessoas que se sentem ameaçadas e decidem ter uma arma em casa. “Nós conhecemos nossos clientes, existe um cadastro e uma análise nos órgãos responsáveis, como a Polícia Federal. Mas esse ano nós percebemos que as vendas estão aquecidas”, disse.

Divide opiniões

Com os números mostrando que há muitas pessoas com licenças para ter armas, a universitária Jéssica Rojas, 21, teme que o número de mortes aumente cada vez mais. Segundo a jovem, a população não está preparada para portar uma arma. “Entendo que há um medo, nós estamos sem segurança, mas será que a população saberá usar uma arma”, questionou.

A também universitária Lis Dantas, 20, acredita que deveria haver mais debate, mas defende mais investimentos em segurança pública. Para a jovem, o cidadão deve ter o poder de escolher, mas ela tem dúvidas se a maioria das pessoas tem condições psicológicas de ter uma arma.  “Talvez a segurança de ter uma arma em casa acabe não sendo real. Pois se você não estiver preparado psicologicamente, pode ser morto com a sua própria arma”, disse.

O estudante de Educação Física André Rocha de Souza, 19, afirmou que não acredita que o armamento seja o melhor caminho, mas defende que as pessoas têm o direito de escolher. “Não sou a favor, não acho interessante ter uma arma em casa, acho que acaba que ficamos mais expostos ao crime porque o criminoso sabe usar uma arma e nós não. Na hora do nervosismo o bandido não tem nada a perder”, disse.

Indignada com os crimes noticiados diariamente, a estudante de Economia Clarissa Evangelista, 26, defende que a população se arme e mate bandidos, se for necessário. “Estamos cansados de tanta criminalidade, de ver pessoas inocentes morrendo. Nós temos o direito de nos defender”.

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