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Aumento da tarifa para R$ 3,80 complica troco para usuários em Manaus

A falta das “moedinhas” de 10 e 5 centavos é motivo de discórdia entre cobradores e usuários do transporte coletivo 02/03/2017 às 09:44 - Atualizado em 02/03/2017 às 10:32
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(Foto: Euzivaldo Queiroz)
Alik Menezes Manaus (AM)

O aumento no valor da passagem de ônibus, que passou de R$ 3.30 para R$ 3.80, tem causado dor de cabeça entre cobradores e usuários do transporte coletivo desde o sábado, quando a nova tarifa entrou em vigor. As “moedinhas” de 10 e 5 centavos são o motivo de discórdia entre “as duas faces” do sistema.

A universitária Steffanie Cristine, 18, disse que a tarifa fracionada causa problemas todos os dias porque nem sempre os usuários conseguem levar o dinheiro trocado. “É muito complicado porque, se eles não tiverem troco, você fica lá na frente e acaba atrapalhando a passagem das outras pessoas”, disse a usuária, que tem optado, quando pode, por colocar créditos no cartão cidadão. O problema, aponta ela, é a falta de postos de recarga.

Outro usuário insatisfeito com o problema de falta de troco é o gerente de loja Gabriel Garcez, 21, que diz ter, muitas vezes, “perdido” o troco para as empresas de transporte coletivo. “Depois que passei na catraca, a cobradora vem me dizer que não tem troco e é para eu esperar, mas chega no meu ponto e ela não tem o troco. O que acontece? Eu saio perdendo na história”, reclamou.

E quando o passageiro tem apenas a quantia exata para os ônibus que pegará no dia e o cobrador não tem troco? O usuário fica no prejuízo e desesperado, como foi o caso da dona de casa Tânia Costa, 44. “Dei o dinheiro e ela não tinha os R$ 0,20 para me dar. O problema era que eu tinha o dinheiro contado para a ida e volta. Tive que pedir 20 centavos na rua de pessoas estranhas, foi constrangedor, humilhante”, lembrou.

Lei não é cumprida

Segundo a Lei Municipal, o troco máximo é de R$ 20 e, caso o cobrador não tenha o troco, o usuário não deve girar a catraca e deve descer pela frente, sem pagar. Contudo, usuários relatam que “não é bem assim que a banda toca”. “Tem trocador que é grosseiro, faz cara feia e joga até piadinhas quando não tem o troco. Um absurdo”, disse o técnico em eletrônica Ismael Souza, 29.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que “as empresas estão providenciando moedas de R$ 0,10 junto aos cobradores para passar o troco aos usuários e, dessa forma, evitar atritos entre ambas as partes”.

Bom senso e paciência para evitar discussões nos ônibus

Com a experiência de 15 anos no sistema, cobradora Maria José Valente evita, ao máximo, discutir com usuários. Ela sabe até os horários piores para dar o troco. “Os horários de pico são horríveis porque eles (os usuários) vêm com muita nota de valores altos”, contou.

Ela relatou, também, que recentemente uma amiga cobradora foi agredida por um passageiro por causa do problema de falta de troco e o caso foi parar na polícia. “A gente fica até com medo de agressões. Sorte que na linha em que trabalho as pessoas são tranquilas e educadas”.

Pensando em evitar confusão, a cobradora Waldelina Silva percorre os comércios próximo da casa dela tentando conseguir moedas, competência que deveria ser exclusivamente das empresas. “É um trabalho a mais que tenho, mas prefiro assim, porque trabalhar em paz não tem preço”, disse.

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