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Cobranças

Aumento de até 66% nas multas de trânsito divide opiniões entre motoristas

Se por um lado alguns motoristas acham que a cobrança é exagerada para os padrões atuais em um cenário de crise, por outro boa parte deles acha que o acréscimos nos valores é necessário para coibir as infrações em um trânsito tão caótico como o existente na capital amazonense. 02/11/2016 às 05:00
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O motorista Cleiton Batista Santiago está dividido quanto ao reajuste / Fotos: Winnetou Almeida
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Os condutores de veículo de Manaus se mostraram divididos quanto ao aumento de até 66% nas multas de trânsito em todo o País. Se por um lado alguns motoristas acham que a cobrança é exagerada para os padrões atuais em um cenário de crise, por outro boa parte deles acha que o acréscimos nos valores é necessário para coibir as infrações em um trânsito tão caótico como o existente na capital amazonense. A alteração foi sancionada em maio deste ano, através da Lei Federal nº 13.281, prevendo, também alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Quem é flagrado falando ao celular enquanto dirige comete, a partir de agora, uma infração que passa de grave para gravíssima, sendo multado em R$ 293,47 (antes o valor era de R$ 191,54) e sendo penalizado com 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Pior para quem dirige alcoolizado, que flagrado recebe uma multa de R$ 2.934,70 em vez dos antigos R$ 1.915,40. A reincidência é ainda mais dolorosa aos bolsos do infrator: R$ 5.869,40, com a possibilidade da retenção da CNH, retenção do veículo e a suspensão do direito de dirigir por um prazo de 12 meses.

Entre os que não gostaram do reajuste está o agricultor Raimundo Rodrigues de Souza, 52. Ele argumenta que, com o País em crise, isso é inadmissível. “O País está do jeito que está por causa dos políticos e ainda fazem um negócio desse, como a gente vai viver? Não há condições de ter aumento algum. O Governo deveria diminuir mais o imposto para nós vivermos melhor”, comenta ele. Deveriam educar, não cobrar”, disse.

A opinião é compartilhada pela autônoma Samara Ipiranga dos Santos, 26. “Eu acho um absurdo isso porquê nós já pagamos nossos impostos. Então aumentarem agora essa multa e eu não acho justo. Somos trabalhadores e essa multa é absurda. Tem que diminuir. Nós já pagamos também várias taxas para o Detran: taxa disso, taxa daquilo”, conta.

A motorista observa diariamente pessoas sem cinto e mais no celular. Mas ela cita outras irregularidades. “O que é erradíssimo, também, é que tem motoqueiros que não respeitam e vão cortando na frente dos motoristas. Ainda mais aqui na Zona Leste, onde é um perigo. Os motoristas não dão sinal e nem respeitam os pedestres, e ainda acham que nós que estamos errados. Deveriam dar cursos para os motoristas, pois muitos estão desatualizados e acabam esquecendo”. 

Existe discriminação contra a mulher no dia de hoje, sim, ressalta Samara. “Os homens quando vêem uma mulher no volante, dizem que ‘é porque ela é mulher’ e essas coisas. Há muitas mulheres que dirigem melhor que homens e muito bem. Defende até mesmo a criação de uma lei para favorecer mulheres que se sentem discriminadas pelos homens. Muitas mulheres passam contrangimento muito grandes”, disse a autônoma.

Concordam

O ferramenteiro Marcos Paulo Cruz, 32,  “Nada mais do que justo esse reajuste, principalmente porque o celular na direção tem ocasionado muitos acidentes. Essa cobrança só tem a contribuir. Tem que apertar o cerco. Aumentando o valor aumenta, também, a consciência das pessoas em relação a isso”, observa Cruz.

“O trânsito nos horários de pico é o pior, quando as pessoas saem do trabalho, das escolas, da faculdade”, destaca ele, que afirma ver, com frequência, imprudências como motoristas que não respeitam as faixas de pedestre, nem os semáforos.

José de Arimatéia, 39, que é pedreiro, também concorda com o aumento da cobrança. “Concordo com a multa, sim, pois só assim a gente vai poder diminuir o número de acidentes. É aquela questão: nós não devemos discutir muito porque se você disser que está errado, vai continuar a mesma coisa. Temos que falar que está certo cobrar esses valores visando penalizar para diminuir essa situação do trânsito”, comentou ele.

“Acho que é totalmente errado um motorista que não cumpre com as leis. Muitos acidentes acontecem por causa disso, com as pessoas usando celulares ao ouvido, teclando, essas coisas assim”, completa o condutor que diz observar, diariamente, mais pessoas com o celular no ouvido, teclando em redes sociais como o whatsapp e Facebook,sem cinto, etc. “O maior índice de acidentes ocorre mais com as pessoas falando ao celular e dirigindo mesmo. Inclusive agora mesmo eu vi um acidente que aconteceu na (avenida) Djalma Batista quando uma moça se distraiu ao volante, com o celular, e bateu uma senhora. No trânsito que nós vivemos hoje, é complicado”, ressalta, diz ele, que é morador do Ouro Verde, Zona Leste da cidade.

Dividido

Por sua vez, o motorista de carros de frete Cleiton Batista Santiago, 32, disse estar dividido sobre a decisão de aumentar o valor das multas de trânsito. “Por um lado eu concordo com esse aumento. Muitas pessoas tiram uma vida por causa de uma latinha de cerveja. No momento que você vai pegar uma latinha de cerveja, você tira a atenção, e a mão do volante, para ingerir o líquido. Mas por outro acho um absurdo por já ter muitas franquias que a gente paga como imposto, o que eu não acho adequado. Há muitas coisas irregulares no trânsito, conversas ao celular, pessoas embriagadas, passando em blitze sem serem penalizadas, etc”, analisa ele.

“Vejo mais pessoas com celular ao volante. Acho que o povão já se acostumou demais a andar com o celular dentro do carro quando dirige, achando que é uma coisa de obrigação porque precisa ter para o trabalho. Isso é irregular”, conta o fretista.

Cleiton Santiago até dá uma dica para os motoristas não sendo multados quando falam ao celular: “O povo deveria adequar o seu celular ao som do carro, como no Bluetooth, ou algo parecido, e aí sim poder colocar as duas mãos no volante e dirigir com mais prudência”.

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