Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Trânsito

Ausência de radares eletrônicos reflete em acidentes em Manaus

Retirados há um ano e meio das ruas, equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade poderiam ajudar a evitar tragédias como a que resultou na morte do jovem ciclista Elias Silva, de 17 anos, há uma semana



portall.JPG Placas continuam no local do acidente, mas radares foram retirados (Fotos: Clóvis Miranda)
10/08/2016 às 21:38

"Se o radar estivesse funcionando, o ciclista poderia estar vivo, porque o motorista do caminhão seria obrigado a respeitar o limite de velocidade, que é de 40 quilômetros naquele trecho”, disse Cláudia Valente, uma das coordenadoras do Movimento Pedala Manaus, sobre a morte do adolescente Elias Santos da Silva, 17, arrastado por um caminhão por quase 100 metros na quinta-feira (4), na avenida São Jorge, Zona Oeste de Manaus.

O adolescente morreu no domingo por traumatismo craniano. No trecho em que ele foi arrastado há uma placa com limite de velocidade (40 quilômetros por hora), uma sinalização de área escolar e faixa de pedestres. Mas os dois radares eletrônicos que, segundo os moradores, obrigavam os motoristas a reduzirem a velocidade, foram retirados há um ano e seis meses, assim como todos os outros “corujinhas” da cidade, “abrindo brecha” para a imprudência.

Até hoje o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) não instalou novos radares de fiscalização. “Essa via é horrível. Os motoristas passam e não respeitam o limite de velocidade. Para piorar, não tem fiscalização, não tem redutor de velocidade e o pior: os motoristas não têm consciência. Volta e meia a gente se depara com um atropelamento nesta avenida”, contou Nestor Seixas, 65, que mora no bairro há quase 50 anos.

Nesta quarta-feira (10), ciclistas do Pedala Manaus instalaram a 8º ‘Ghost Bike’ em Manaus, desta vez no local onde Elias foi atropelado. As bicicletas brancas são um simbolismo, instaladas como memorial e para prestar homenagem a quem perdeu a vida por conta da imprudência no trânsito. Só este ano, dois ciclistas morreram atropelados, segundo dados do Pedala Manaus.

“Os números têm aumentado e isso é muito preocupante porque não é natural tantas mortes no trânsito assim. Ninguém deve morrer por acidente, a gente deve utilizar os veículos como meio de transporte e não como arma branca. A imprudência é uma coisa assustadora, a gente se sente num verdadeiro campo de guerra”, refletiu Cláudia.

Fragilidade

Para uma das coordenadoras do Movimento Pedala Manaus, Cláudia Valente, os ciclistas são as figuras mais frágeis do trânsito e que sentem mais diretamente a violência. “É como se estivéssemos em uma terra sem lei. Todo mundo faz o que quer e prevalece a lei do mais forte”.

A manifestação serviu não apenas para homenagear o ciclista morto, mas também para cobrar mais fiscalização do poder público, conforme ressaltou a ciclista. “Temos normas que devem ser seguidas e, se pararmos pra pensar, não existe um órgão que esteja fazendo seu trabalho direito, de fiscalizar, multar e orientar quanto à condução dos motoristas. Nós vamos cobrar porque não dá pra ficar do jeito que está”, afirmou.

Fatal

O adolescente foi atropelado por um caminhão na noite da última quinta-feira. Segundo testemunhas e policiais que atenderam a ocorrência, ele foi arrastado por aproximadamente 100 metros do local da batida. Ele foi levado ao Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto e, depois, encaminhado ao Hospital João Lúcio, onde morreu no último domingo, por trauma encefálico.

Convivência Legal

Para tentar conscientizar os motoristas sobre o respeito que devem ter com os ciclistas, o Movimento Pedala Manaus realizou a oitava atividade do projeto “Convivência Legal” de 2016, ontem, na empresa de ônibus Tema, que faz rota para empresas do Distrito Industrial, na Zona Sul. Pelo menos 90 motoristas participaram, entre eles, Ronnei Oliveira, 33, que exerce a função há sete anos.

“É uma sensação muito estranha, de medo, que faz nosso coração disparar. A gente que está do outro lado, dirigindo, quase nunca para pra pensar em como os ciclistas se sentem e no perigo que correm. Sentir isso na pele é essencial para mudarmos nosso comportamento”, comentou.

Segundo ele, a empresa faz constantes treinamentos com os funcionários, principalmente, sobre respeito no trânsito. Mas a oportunidade vivenciar “o outro lado”, complementa ainda mais os treinamentos.

A motorista Diana Rocha, 43, também teve a mesma sensação. Ela conta que tem mais sensibilidade e é mais cuidadosa no trânsito e, por isso, acha importante que os colegas também passem a respeitar os ciclistas. “Se colocar no lugar do outro é sempre muito importante, pois é aí que a gente vê os riscos que nós, motoristas, oferecemos. Dirigir é uma responsabilidade muito grande, principalmente quando carregamos vidas dentro de nossos ônibus”.


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