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Manaus
AMAZONAS NO FOCO

Avanço das investigações das forças de segurança desarticula frentes do crime

O secretário Sérgio Fontes, afirma que várias organizações criminosas que são alvos de investigação no Estado. Uma delas é especializada em contrabando de cigarros do Paraguai 07/05/2017 às 10:52 - Atualizado em 07/05/2017 às 11:47
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Alexandre Jabur é o procurador do MPF responsável pela denúncia oriunda da operação Maus Caminhos na Justiça Federal (Foto: Winnetou Almeida - 26/nov/2016)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Apesar do avanço e aperfeiçoamento das investigações, o número de organizações criminosas (Ocrim) existentes no Amazonas ainda é desconhecido pelas autoridades. A desarticulação dessas organizações tem se tornado frequente e revelam a movimentação ilegal de valores vultosos. A Ocrim é a associação de quatro ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais.

 O procurador da República Marcelo Jabur cita como exemplo as investigações feitas pela Controladoria Geral da União (CGU) que resultou na operação Cartas Chilena, que desarticulou uma organização que desviava recursos públicos federais da educação e da Saúde em Pauíni, (a 925 quilômetros de Manaus), no ano passado. De acordo com as investigações, havia envolvimento de agentes municipais e empresários no esquema.

Outro exemplo é a desarticulação do grupo criminoso que, de acordo com as investigações da Polícia Federal e da CGU, desviou mais de R$ 110 milhões da saúde do Amazonas, revelado pela operação “Maus Caminhos”. Dezesseis pessoas, a maioria empresários, são acusadas de envolvimento no esquema de desvio de recursos do sistema estadual. Segundo o MPF, o esquema de corrupção era comandado pelo médico Mouhamad Moustafa.

O secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, afirma que várias organizações criminosas que são alvos de investigação no Estado. Uma delas é especializada em contrabando de cigarros do Paraguai. O produto é distribuído no comércio de Manaus e é fartamente encontrado nos bairros.

Há casos em que nem é preciso ação policial para que uma Ocrim entre em colapso. Uma outra organização criminosa identificada pela polícia com atuação em Manaus é especializada no contrabando de estimulante sexual (Viagra). A entrada dessa medicação, assim como do cigarro, no território brasileiro sem recolhimento de impostos é proibida.  Conforme Sérgio Fontes, a produção do estimulante genérico está desestabilizando o contrabando, uma vez que o medicamento genérico está saindo mais barato que o importado ilegalmente.

As autoridades de segurança acreditam que outras Ocrim's estão agindo no Amazonas, que ainda não foram identificadas, mas que não demorará até que a polícia chegue a elas.  Há outros grupos criminosos que estão sob a mira da polícia, além de investigações em andamento. Tem chamado a atenção da polícia que a maioria das organizações criminosa se forma para lesar os cofres públicos. “Muitas tratam o que é público como sendo seu”, disse Fontes.

FDN segue atuante

A Família do Norte (FDN), organização criminosa que há mais de uma década se firmou no crime com o tráfico de droga, execuções e o comando da massa carcerária do Estado, foi alvo da investigação da Polícia Federal que resultou na operação La Muralla deflagrada no fim de 2015. Durante a operação, seus principais líderes (José Roberto “da Compensa”, Gelson Carnaúba e João Pinto Carioca, o “João Branco”) foram presos e mandados para  presídios federais, onde estão presos no momento.

De acordo com o secretário Sérgio Fontes, a FDN, embora em parte tenha sido desarticulada e seus líderes presos, continua atuando, não mais como era antes, mas a estrutura que foi criada pelos líderes continua funcionando.

 A organização se mantém com a venda de drogas e também com a contribuição dos seus associados.  Para uma pessoa ter uma carteirinha da facção, ela tem que pagar um valor ao que eles chamam de “caixinha”. Pagam a tarifa tanto os associados que estão atrás das grades como os que estão em liberdade.

Pouca representatividade

Para a SSP-AM, a facção Primeiro Comando da Capital (PCC), embora seja forte em outros estados e até no exterior, no Amazonas tem pouca representatividade. Há também no Estado um outro grupo de traficantes querendo se firmar, cujo o líder é “Marcinho Matador”.

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