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Manaus
ARTE DE RUA

Avenidas de Manaus viram 'galerias' para o grafite e chamam a atenção nas redes

Complexos viários do Coroado e da Álvaro Maia são alguns dos locais contemplados pelas ações dos artistas locais 10/09/2017 às 05:00 - Atualizado em 10/09/2017 às 22:49
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Munido de tintas e latas de spray, um grupo de artistas está ajudando a modificar a paisagem da capital amazonense. Muros de viadutos e passagens de nível da cidade viraram “telas” para grafiteiros como Rogério Arab, Deborah Erê, Raí Campos e Válney Moura, que deixam gravadas no concreto as marcas de uma arte de rua conectada com a cultura amazônica. 

As últimas ações nas avenidas Djalma Batista e Senador Álvaro Maia fazem parte do projeto “Amazônia Urbana” e são apoiadas pela Prefeitura, que fornece materiais e infraestrutura básica aos artistas. “Antes tínhamos o projeto ‘Mega Murais’, que passou por alguns viadutos, mas sem a parceria com o poder público”, conta Arab, articulador da iniciativa atual. 

Segundo ele, a proposta é elevar o nível e a visibilidade do grafite manauara por meio de trabalhos em grande escala – tendência mundial que vem sendo chamada de grafite muralismo. “A ideia é produzir esses murais e destacar novos artistas no cenário da cidade, além daqueles que já vêm trabalhando com isso ao longo dos anos”. 

LEIA MAIS: Manaus, capital do grafite na Amazônia?

A contar pelas reações e comentários nas redes sociais, o resultado tem sido positivo. “O grafite cria galerias a céu aberto. Você consegue andar pela cidade e reconhecer o trabalho de vários artistas, ao invés de apenas um ou dois. Agora precisamos formar um grupo de bons artistas com estilos e conceitos diferentes, mas na mesma sintonia que é a Amazônia”, opina Arab, que atua há quase duas décadas no segmento mais artístico da escrita urbana.


Trabalhos ampliam o portfólio dos grafiteiros locais e aumentam o “passe” deles em eventos internacionais (Antonio Lima)

Intercâmbio

Para Deborah Erê, representante do grafite feminino e feminista em Manaus, essa arte tem o poder de humanizar e dar vida a lugares antes ocupados só pelo concreto. “Esses lugares deixam de ser espaços só de passagem para virarem pontos de contemplação. Isso é muito positivo do ponto de vista da reflexão e da transformação que podemos gerar com nosso trabalho”.

Ao lado de outros 18 artistas, Deborah foi uma das participantes da primeira edição do Festival Amazônia Walls, que aconteceu recentemente no viaduto entre as avenidas Constantino Nery e Álvaro Maia. Incorporado ao projeto “Amazônia Urbana”, o evento foi pensado há algum tempo por Rogério Arab como um encontro internacional entre representantes do grafite. 

“Como era uma ideia que exigia muitos custos, não conseguimos dialogar com nenhum órgão ou empresa. Mas resolvemos aproveitar a brecha do ‘Amazônia Urbana’ para tirar o festival do papel e ‘vender’ a ideia de um evento que pode projetar Manaus fora daqui. Quem sabe próximo ano esse intercâmbio não se torne realidade...”, afirma ele.

Arab diz que a maior mídia para o grafite hoje é a Internet, onde os artistas compartilham com o mundo as suas novas obras. “Acredito que Manaus vem firmando seu lugar no cenário nacional, mas com um pé no latinoamericano também. A Internet hoje é globalizada, então quando postamos os trabalhos isso acaba tendo uma boa repercussão até fora do País”. 

Um exemplo disso foram os murais do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, no Coroado, que ficaram no top 3 das imagens mais visualizadas nas redes sociais da Gráfica Mestiza, especializada em divulgar a arte urbana de países da América Latina.

Blog: Deborah Erê, grafiteira

“Meu estilo  não é realista, faço uma arte mais figurativa porque mexo muito com o encanto e a fantasia. Além disso, gosto dos temas femininos, sempre retrato mulheres e sereias fora do padrão de beleza, que se parecem com as mulheres que encontramos nas ruas. O grupo de mulheres que fazem grafite em Manaus não é pequeno e vem ganhando espaço. Antes essa era uma arte dominada pelos homens, mas isso está mudando. Hoje temos eventos só com grafiteiras”.

Voz da web

“Uma salva de palmas para eles. Merecem!” - Mireide Queiroz

“Parabéns pelo belo trabalho e obrigada por preencher nossos espaços de cultura e arte!” - Beatriz Dias

“Estão dando um brilho nesses locais onde passamos todos os dias, que agora são salões de Belas Artes” - Luiz Fernando

“Muito bacana. Espero ver uma arte de vocês no viaduto que vai para o Aeroporto” - Juliana Monteiro

“Excelentes trabalhos, assim a cidade fica mais atrativa aos turistas e mais bela aos olhos dos amazonenses” - Andrea Ariadne

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