Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
violência na zona oeste

Na Zona Oeste de Manaus, bairro Tarumã vira verdadeira rota de execuções

Cercado por florestas e com a menor densidade demográfica da área urbana da capital, o local tem se tornado cenário de assassinatos e 'desovas' de corpos



IMG0017197798.JPG Já virou rotina o IML fazer a remoção de corpos no bairro. Foto: Arquivo AC
27/05/2016 às 10:31

“Eles trazem as vítimas para cá. Elas não são daqui porque se fossem não tinha mais ninguém, tendo em vista que poucas pessoas moram nessa área”, afirmou a comerciante Leila Martins de Carvalho, 53, sobre os constantes encontros de cadáveres na região do bairro Tarumã, na Zona Oeste. “Na maioria das vezes eles trazem para matar aqui, dificilmente já vem morto”, completou a comerciante, que mora na estrada do Vivenda do Pontal.

Não é de hoje que os moradores daquele bairro convivem com a falta de segurança. Pessoas são levadas para ser mortas nas matas do Tarumã até a luz do dia, de acordo com eles. Na semana passada, pelo menos dois corpos foram encontrados em ramais daquela região. E não há uma semana sequer que ocorrências desse tipo não sejam registradas pela polícia no local. Para quem vive lá, a solução seria maior efetivo policial e fiscalização.

“Era para ter uma barreira policial na ponte que dá acesso ao ramal da Anaconda, as estradas do Vivenda Verde e do Vivenda do Pontal, entres outros, para prevenir e evitar que essas áreas fossem utilizadas para desova. Todo carro que entrasse deveria ser revistado, assim, aquele que iria morrer poderia até não morrer mais e os assassinos, que tivesse com algum corpo dentro do veículo, seriam presos”, explicou Laila.

Para o presidente da comunidade Cristo Rei, Reinaldo Guimarães, o Tarumã é um local de desova porque é uma área distante e escura. Além disso, tem diversas rotas de folga. “De um lado temos as estradas e do outro o rio, ambos são usados para desova de corpo por assassinos que tem facilidade para fugir sem serem identificados. Por isso, praticamente toda semana a polícia encontra um ou mais corpos jogados nessa área”, apontou, ressaltando que o quantitativo de viaturas policiais é pequeno para atender toda a região do Tarumã, que é enorme.

Na opinião de uma moradora da comunidade Parque das Tribos, que se identificou apenas como Maria, 48, está cada vez mais perigoso para quem mora no Tarumã. “Até tinha melhorado, não tínhamos tanta notícia de desova de corpo, mas de um tempo para cá começou a aumentar os assassinatos aqui. Toda semana ficamos sabendo que um corpo foi achado no ramal tal ou na estrada tal. Falta segurança. Tem famílias, crianças que estudam e pessoas que saem cedo para o trabalho e só volta a noite”, pontuou.

Área facilita a prática de crimes

O tenente da 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), Abel Sid, explicou que o Tarumã é ponto de desova e assassinatos devido ser uma área grande, com pouca densidade demográfica, falta de iluminação pública e muitos ramais sem movimentação. Além disso, tem ainda a proximidade com o rio, que facilita a saída dos meliantes.

Para conter os crimes praticados naquela região, Sid conta que a 20ª Cicom realizar diversas ações, entre elas, barreiras policias em pontos e horários estratégicos, patrulhamento ostensivo, além de visitas comunitárias. “Essas duas primeiras ações são feitas todos os dias no final da noite e início da madrugada, horários que mais ocorrem desovas e execuções. Já pegamos várias pessoas armadas”, afirmou.

Embora a Companhia mantenha ações de segurança na área, o tenente destacou que há uma série de fatores que dificultam o patrulhamento, como a falta de iluminação pública, as péssimas condições das vias, uma vez que nem todas são trafegáveis por viatura e a dificuldade de acesso pelo rio.

“Não temos patrulhamento na orla do Tarumã e temos notícia de que as execuções ocorrem nessa parte também”, frisou Sid.

Ações na região

De acordo com o tenente da 20ª Cicom, Abel Sid, o patrulhamento no bairro do Tarumã é feito por quatro viaturas e duas motos. As ações são intensificas nos finais de semana. Para ele, os assassinos escolhem essa área para executar suas vitimas por diversos motivos, entre os quais, o isolamento da região, que faz com que o barulho dos tiros não sejam ouvidos por pessoas que podem denunciar os suspeitos.

Posto policial que poderia amenizar a insegurança dos moradores do bairro Tarumã, Zona Oeste, está desativado. Fotos: Márcio Silva

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