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Bairro Morro da liberdade reúne samba, futebol, religião e trabalho social

Projeto social Instituto Reino do Amanhã, desenvolvido pela escola de Samba Reino Unido da Liberdade, já tirou das ruas muitas crianças e adolescentes 08/07/2013 às 07:58
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Sede do Libermorro, time de futebol do bairro, que está atualmente licenciado de competições: paixão que acompanha a mairia dos brasileiros e dos moradores
Joana Queiroz ---

Chamado de “Morada da Alegria” pelos moradores, o bairro Morro da Liberdade, localizado na Zona Sul de Manaus, é um dos poucos onde a população tem mais elogios que reclamações. Com várias décadas de existência, ele surgiu com a ocupação pelos moradores ribeirinhos que vieram das proximidades do porto de Manaus, inicialmente com o nome de Morro do Tucumã.

O local hoje é um bairro familiar onde a maioria dos moradores se conhece por serem antigos no local e que praticamente levam a vida em comum, unidos pelo o samba, futebol e o sincretismo religioso, conhecido pelas manifestações populares.

“Quem mora no Morro da Liberdade não tem muitos motivos para sair do bairro. Aqui nós temos de tudo”, é o que diz Paulo Renato Menezes, o “Shinha 100%”, que nasceu e se criou no bairro e hoje é um dos compositores de samba-enredo da Escola de Samba Reino Unido da Liberdade. Ele ressalta que no bairro há mais de cinco escolas públicas onde as crianças estudam sem precisar sair da localidade, há comércios variados, posto de saúde que funciona até as 20h, além de três times de futebol.

“Shinha 100%” diz que o morador do bairro só sai para pagar as contas por falta de um posto bancário ou de uma lotérica e ainda para ir à feira que fica no bairro vizinho, Betânia. Para ele a vida social dos moradores do bairro acontece em volta do que mais o brasileiro gosta: samba e futebol, o que também atrai moradores de outros bairros nos finais de semana, levados pelo samba que rola na praça da Liberdade com a bateria da Reino Unido.

O comerciante aposentado José Santana Coelho, 77, foi um dos primeiros moradores do bairro. “Quando eu cheguei para morar aqui só tinha casas cobertas com palha”, recorda o aposentado. Ele disse que morar no morro da Liberdade é muito bom e que nunca teve vontade de sair de lá. Um dos motivos é a proximidade com que ele mais ama: o futebol.

O aposentado mora em frente à sede do Libermorro, o principal time de futebol do bairro, do qual ele chegou a ser presidente. Ele recorda com saudosismo dos campeonatos que o time saiu vitorioso, assim como das festas que aconteciam na sede social do clube. José Santana é bastante conhecido na comunidade e considerado um dos pontos de referência no bairro. Sereno e de fala pausada, o aposentado diz em tom de brincadeira que é bom morar no Morro porque tem de tudo, até um cemitério para ficar por lá quando morrer. “Até os traficantes que havia aqui a polícia está botando pra correr”, diz.

Instituto resgata crianças

O diretor de Carnaval da escola de Samba Reino Unido da Liberdade, Jairo Beiramar, destaca o trabalho social que é desenvolvido pela escola de samba junto às crianças do bairro, por meio do Instituto Reino do Amanhã, que nasceu há 30 anos como projeto social da agremiação, a fim de atender à demanda do bairro.

Segundo Beiramar, o projeto reúne atividades dedicadas à infância, adolescência e já tirou muitos meninos e meninas que viviam nas ruas em situação de risco e que hoje são cidadãos “de bem”, com formação superior, já inseridos no mercado de trabalho e pais de família. “Perdemos alguns mais resgatamos muitos”, disse o diretor de Carnaval da Reino Unido da Liberdade.

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