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Manaus
BR-174

Balneários localizados às margens de rodovias do AM ‘lideram’ índices de afogamentos

Ausência ou número insuficiente de salva-vidas e falta de equipamentos fundamentais ao resgate de banhistas contribuem para as ocorrências de afogamento, principalmente nos finais de semana, alerta o Corpo de Bombeiros 26/09/2016 às 05:00
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(Aguilar Abecassis)
Isabelle Valois Manaus (AM)

É nos balneários localizados às margens de rodovias como a BR-174 (que liga Manaus a Presidente Figueiredo) que o Corpo de Bombeiros registra a maior parte dos afogamentos. E nesta época do ano, quando as chuvas diminuem e o calor aumenta, a procura dos manauenses por balneários perto da capital aumenta consideravelmente nos finais de semana, assim como os riscos de novos acidentes com banhistas, que nem sempre se atentam para a segurança do local que escolheram para se divertir com a família. 

O alerta é do soldado do Corpo de Bombeiros do Amazonas Dênis Wilson Lira Ferreira, que lembra que, apesar de o cuidado precisar ser redobrado com as crianças, os adultos também figuram entre as vítimas mais frequentes. Segundo estimativa do Corpo de Bombeiros, os jovens de 18 a 25 anos são a maioria das vítimas de afogamento no Amazonas. 

A questão em si, lembra Ferreira, vai além de saber se o balneário possui um guarda-vidas (ou salva-vidas). “É preciso se aprofundar nos detalhes da segurança desse balneário: se há material para o bombeiro atuar, placas de informação com os detalhes sobre a área em que se pode nadar... Um deslize pode transformar a diversão em tragédia”, afirmou. 

Ainda de acordo com ele, o guarda-vidas deve ser um profissional preparado, não basta saber nadar. “O salva-vida precisa dispor de próprio preparo físico para poder nadar, abordar a vítima e rebocá-la até local seguro. Também é recomendado que ele tenha flutuadores à disposição para resgate”, afirmou o soldado, explicando que eles podem ser substituídos por bóias rígidas.

Outro equipamento fundamental para o resgate de banhistas, segundo Ferreira, é um cabo de, em média, 7 metros. Além disso, o profissional deve estar bem sinalizado para os banhistas em caso de necessidade. “O guarda-vidas tem que estar uniformizado e identificado, em local de fácil visualização e acionamento. Precisa estar focado e pronto para atender a qualquer ocorrência”, completou.

Detalhes importantes

Apesar de fundamentais, esses equipamentos são raros em muitos balneários ao longo da rodovia BR-174, os mais procurados pelos manauaras, que às vezes sequer se dão conta disso. 

O empresário Juraci de Araújo, 37, por exemplo, conta que, sempre que pode, leva a família para aproveitar o final de semana em um dos balneários situados ao longo da rodovia. No último sábado eles escolheram o localizado no quilômetros 19. A presença de um guarda-vidas foi o motivo apontado para eles terem escolhido esse local, “Neste aqui sempre há salva-vidas. Não tenho preocupação em liberar meus filhos e sobrinhos para entrarem na água. Além de ter uma área bem rasa, sei que eles estão sendo vigiados”, disse, sem saber que o profissional não é um bombeiro civil, não tem treinamento e nem os equipamentos necessários para o salvamento de banhistas. A única segurança ali era feita por uma corda, que delimitava a área de banhistas.

BOX

A falta de equipamentos básicos para o resgate de banhistas é problema comum em outros  balneários localizados ao longo da rodovia BR-174. No balneário do Boina Preta, localizado no km 11 da rodovia, por exemplo, não há nem equipamentos e nem salva-vidas. 

O gerente do local, Carlos Bazola, 47, alega que o balneário recebe uma queda d’água do igarapé do Leão e a profundidade no local não passa de 1 metro, por isso ele considera que não é necessária a presença de um bombeiro civil.
A ausência de placas de orientação sobre as áreas seguras para banhistas é outro problema encontrado não só lá, mas também no balneário do “11”, localizado no Km 11 da BR-174. 
Deslize à parte, a segurança é uma preocupação do estabelecimento. No balneário do 11, o grande fluxo de água e o fato de já terem ocorrido afogamentos de banhistas em anos anteriores levaram a direção do local a investir na segurança dos clientes. O gerente do balneário, Mário Nascimento, 41, disse que nos dias de maior movimento ele contrata um bombeiro civil para trabalhar na margem esquerda do igarapé, enquanto funcionários do balneário cuidam da margem direita. Quando a demanda é maior, este número aumenta para dois profissionais em cada margem, garante ele. “Assim conseguimos garantir segurança para os nosso clientes. Além dos bombeiros civis temos outros funcionários que nos ajudam neste trabalho. Eles ficam das 8h até às 17h monitorando os banhistas, além disso eles possuem os materiais necessário para caso tenha alguma vítima de afogamento e até em canoas”, disse o gerente.

A diretoria de parte técnica do Corpo de Bombeiros, também se responsabiliza na fiscalização dos balneários quanto a presença do guarda vidas treinados nos dias de funcionamento de cada balneário. De acordo com o auxiliar da chefia da Assessoria de Comunicação do Corpo de Bombeiros, Denis WIlson Lira Ferreira,as atividades desse tipo de empreendimento exige a presença de um guarda vidas treinado. 

Conforme o bombeiro, outro agente fiscalizador é a própria população que estão mais frequentes aos balneários. “Se o local não tiver as mínimas condições de segurança, os banhistas devem não o frequentar, então é importante que as pessoas também tenham essa conscientização e cobre dos proprietários, gerentes e funcionários de onde frequentam a presença dos guardas vidas”, reforçou.

Além da cobrança, Denis informou que é necessário que as pessoas também denunciem esses estabelecimentos que não estão cumprido com a lei. As denúncias podem ser realizadas diretamente pelo 193. O auxiliar garantiu que as equipes do Corpo de Bombeiros irão até o local denunciado para realizar a fiscalização e tomar as devidas providências.

“A população no geral precisa ajudar os demais órgãos no trabalho, afinal são eles que são os consumidores e estão mais próximo na convivência, além do mais, pagam por aquele serviço e devem cobrar por segurança e se não tives, denunciar”, reforçou.

SAIBA MAIS

Além dos cuidados se os balneários possui a segurança necessária para o divertimento,  o Corpo de Bombeiros também orienta, que as pessoas evitem em fazer o uso de bebidas alcoólicas, procurar antes de entrar na água, saber qual o local mais seguro para o banho, mas apropriada para o banho, conhecer o terreno de onde irá se divertir, também se recomenda que ao entrar na água que evite de entrar sozinho e quando se tratar de menores e crianças, mesmo que estejam de boia,  devem utilizar as áreas mais rasas e todo o momento ser acompanhado pelos pais ou adultos.


 

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