Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020
política

Bancada evangélica da Câmara de Manaus reage contra Fachin

Vereadores criticaram proposta do ministro do TSE de discutir, na corte, a cassação de mandato por abuso do poder religioso



vereador_8BB70FBF-07B1-47E7-B1C6-666E62B094A2.JPG Vereador Amaury Colares chamou o ministro Edson Fachin, vice-presidente do TSE de Nero, afirma que o magistrado quer perseguir o povo cristão. Foto: Divulgação
14/07/2020 às 08:12

Na sessão plenária da Câmara Municipal de Manaus (CMM) de ontem, o pastor e vereador Amauri Colares (Republicanos) chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de “novo Nero”.

As palavras acaloradas vieram após uma sequência de manifestações de repúdio contra a discussão no TSE sobre o entendimento de que o abuso do poder religioso precisa ser punido com a cassação do mandato dos candidatos eleitos com a ajuda de igrejas e templos. O assunto foi tema de matéria publicada por  A CRÍTICA no domingo.



O processo que analisa o uso de templos para alavancar votos volta à pauta do TSE em agosto, segundo declaração do ministro Tarcísio Vieira à VEJA. “Sim, eu pedi vista e já estou estudando a delicada matéria em meu recesso do TSE. A minha ideia é submeter o processo a julgamento o quanto antes”, disse Vieira ao jornalista Matheus Leitão.

“Nós estamos voltando ao tempo de Roma quando Nero mandou perseguir o povo cristão e mandou sacrificar a todos porque tinham ali a expressão livre de sua fé. Não estamos mais na época da Roma passada onde Nero mandou soltar os leões para devorar o povo cristão, mas é isso que nós começamos a ver hoje. O ministro Fachin, do STF é o Nero, hoje”, discursou Amaury Colares.

Perseguir

O parlamentar, que faz parte da bancada evangélica,  disse que Fachin quer perseguir o povo cristão e dizimar aqueles que têm divulgado a sua fé. “Eu diria ‘ai desse país’ se não existisse a comunidade cristã e a comunidade evangélica. Eu como pastor, cidadão, vereador nesta casa jamais poderia ficar calado a esse respeito. Lamentamos profundamente que hoje  o Supremo Tribunal Federal (STF) tente ser o Congresso Nacional e tente ditar leis regras para população brasileira”, disse. Na verdade o caso está sendo tratado no TSE e não no STF.

“Esse não é o papel do Supremo Tribunal Federal e nem do senhor ministro Fachin. Esse é o papel do legisladores do Congresso Nacional, do Senado da República, Assembleias Legislativas e das Câmaras Municipais. Esse é um papel nosso. Não estamos aqui para permitir de forma nenhuma e fica aqui o nosso protesto quando esse cidadão tentar impor sobre nós, o povo cristão evangélico brasileiro, uma regra do passado que não existe mais. Estamos em uma democracia onde a Constituição diz que os direitos são iguais para todos”, afirmou.

O recurso  que está sendo julgado no TSE discute a cassação da pastora evangélica e vereadora Valdirene dos Santos, eleita em 2016 em  Luziânia (GO). Ela é  acusada de praticar abuso de poder religioso durante a campanha ao promover reunião no templo da igreja Assembleia de Deus com apoio de outros pastores para pedir votos aos fiéis.

Personagem: Vereador pelo DC, Chico Preto

As manifestações a respeito do processo de abuso de poder religioso foram puxadas na sessão de ontem pelo vereador Chico Preto (DC). “Me vem à cabeça questionamentos que eu julgo por oportuno. Estão tentando ou querem limitar ação de membro de igreja no processo político? Sim, porque a igreja é social e os membros são a igreja. Igreja não é o templo”, disse.

“Os membros de toda e qualquer igreja são cidadãos e pessoas que participam do processo eleitoral. São pessoas que têm discernimento, visões, valores e estes grupo sociais possuem esses valores e querem que estejam representados nos parlamentos. Qual o problema? Qual medo disso?”, questionou.

Chico Preto enfatizou que os representantes eleitos a partir de instituições religiosas defendem os valores que acreditam. “São homens, por exemplo, que se posicionam contra o aborto, pessoas que se posicionam contra a ideologia de gênero e que não acreditam que esse é um assunto que tem que ser ministrado em escolas. Eu não acredito numa sociedade sem valores”, afirmou.

O vereador  disse que  essa representação é necessária. “Nós sabemos quais são os limites e igreja  não pode usar o púlpito para dar orientações porém, fora do púlpito qual é o crime de um líder, um diácono, um bispo, um pastor em chamar aqueles que compõem a sua igreja para dizer ‘nós precisamos discutir a nossa realidade’. Todos os grupos sociais fazem isso como médicos, advogados e jornalistas. Qual é o problema?”, questionou.

Vereadores confundem os tribunais

Fachin é Ministro do Supremo Tribunal Federal, mas sua fala a respeito do abuso do poder religioso foi feita no Tribunal Superior eleitoral, no qual, é vice-presidente.

“Não podemos permitir que se crie uma regra de abuso de poder religioso porque isso nunca existiu e não existe. Nós não podemos deixar que aconteça a discriminação e a perseguição com o povo cristão e com o povo evangélico”, disse Colares.

O vereador Roberto Sabino (Podemos) seguiu a linha do colega e confundiu os nomes dos tribunais, citando o STF e o STJ no lugar do TSE. “A sociedade verifica que como o Supremo e o Superior Tribunal de Justiça praticamente têm feito o papel do legislativo. É notório quando eles querem impor para sociedade o que eles acham que está certo”, afirmou.

“O Brasil está sufocado e na opressão  por 11 pessoas, que são 11 ministros, que querem legislar. Algo nunca visto em outros países. Culpa também do Senado, da Câmara Federal que fica permitindo essa situação dos ministros imporem e legislarem humilhando a sociedade com relação a esse tema”, disse.

Sabino disse que tal pauta é motivo de risada, já que católicos,  ministérios protestantes, evangélicos  e espíritas são grupos religiosos. “É absurdo e é algo que dá até para rir, essa é a verdade”, finalizou.

Parlamentar fala em criminalização

Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e dos Valores Cristãos - Fepacri, Wallace Oliveira (PROS)  disse que há uma tentativa de criminalizar a participação da população evangélica através de ameaças veladas.

Onze vereadores compõem a Fepacri: Wallace Oliveira (PROS), Gilmar Nascimento (Democratas), Marcel Alexandre (Podemos), Joelson Silva (Patriota), Dante (PSDB), Amauri Colares (Republicanos), Roberto Sabino (Podemos), Cláudio Proença (PMN), Professor Samuel (PL), Fred Mota (Republicanos) e André Luiz (PL).

“As regras eleitorais já existem. Eu tenho 19 anos que frequento uma igreja evangélica e nunca vi nessas igreja evangélica bandeiras partidárias, comercial ou qualquer tipo de situação que possa vir em desconformidade com o que legislação eleitoral estabelece”, disse.

O vereador citou também que as leis para cultos nas igrejas está sendo seguida de forma direta. “O que está acontecendo? A legislação já existe e é clara. Aquela legislação tem que ser seguida e ela é seguida porque a igreja não é o lugar onde se estabelece o descumprimento de regras, ao contrário na igreja o que mais se cumpre são regras e leis. É um terrorismo declarado contra os cristãos”, finalizou.

Maria Luiza Dacio
Repórter do Caderno A do Jornal A Crítica

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