Publicidade
Manaus
TIROTEIO

Bandidos atiram contra homem na Praça da Saudade e assustam clientes de bares

Estabelecimentos comerciais estavam lotados, mas ninguém ficou ferido. Alvo dos disparos seria um traficante de drogas, que conseguiu fugir. Testemunha fala em atentado contra LGBTs 30/10/2018 às 11:38 - Atualizado em 30/10/2018 às 14:52
Show cb96f3bd 315c 4adf 9b80 cde78b9039ba e8d0f776 6d54 4528 a76f f83e004044ef
Foto: Jander Robson
Oswaldo Neto e Márcia Monteiro Manaus (AM)

Criminosos armados atiraram contra um homem na Praça da Saudade, na rua Simon Bolivar, Centro de Manaus, na noite desta segunda-feira (30), causando um grande tumulto entre clientes de bares localizados na região. Os estabelecimentos comerciais estavam lotados, mas ninguém ficou ferido. O alvo dos disparos não foi identificado, mas seria um traficante de drogas que conseguiu fugir.

Segundo testemunhas entrevistadas pelo Portal A Crítica, um carro não identificado estacionou em frente à Praça da Saudade por volta das 21h30 e os ocupantes do veículo começaram a atirar contra o homem alvo dos disparos. O homem correu em direção aos bares da praça e os atiradores continuaram atirando, assustando os frequentadores dos bares e gerando correria. Na tarde de ontem, inclusive, noutro trecho da rua Simon Bolivar, já no bairro Aparecida, um homem foi assassinado com vários tiros de pistola e fuzil.

Conforme Joaquim Falcão, de 25 anos, cliente de um dos bares, dezenas de disparos foram efetuados. “É comum ali na área esse tipo de ‘aviãozinho’ (traficantes de drogas que vendem pequenas porções de entorpecentes). Daí ele saiu correndo pelo bar e aí esse cara (suspeito) veio correndo atrás dele”, disse.

Sobre a suspeita que o tiroteio foi um atentado contra o público frequentador de um dos bares, de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT+), Joaquim afirmou que os tiros não foram direcionados aos clientes. “Não teve atentado (contra LGBTs). Não teve nenhum disparo em cima das pessoas. Foi acerto de contas”, relatou.

Atentado contra o público

Entretanto, outra testemunha do crime, um estudante que estava em um dos bares e que não quis se identificar, houve atentado contra LGBTs. “Foi a pior coisa que já vi. O carro estacionou no local e começou a atirar contra o bar. A fachada (do bar) está toda fuzilada. Eu estava na primeira mesa próxima da rua e vi tudo. Só consegui me jogar no chão e tenho certeza que foi premeditado. Todos sabem que ali é um público exclusivamente LGBT”, afirmou.

O delegado titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Orlando Amaral, explicou à reportagem que atentados com alvos aleatórios não são comuns em Manaus. Segundo ele, a ação de atiradores geralmente possui um ponto específico.

“Fica difícil dar um parâmetro (se houve atentado) porque não sabemos ainda o que aconteceu, mas não se tem notícia aqui em Manaus (sobre atentado) como acontece em outros países. A pessoa atira sabendo em quem está atirando, como aconteceu recentemente na Compensa e no Bariri (áreas de periferia em Manaus). Nesse caso, acredito que havia um alvo certo”, argumentou.

Insegurança e tráfico

Um morador da rua Simon Bolívar que vive há cerca de 30 anos na região disse à reportagem do Portal A Crítica que durante o tiroteio várias pessoas tentaram se esconder na casa dele. “Eles estavam assustados e amedrontados”, declarou o morador, que também não quis se identificar por medo de represálias.

Para ele, a situação é reflexo da falta de segurança na Praça da Saudade, que é mal iluminada e há pouco policiamento. “Os bares não são o problema, pois a área fica movimentada. Acontece que essas cenas têm se repetido ali e essas pessoas não podem ser penalizadas. A praça está ocupada pela marginalidade. Antigamente caminhávamos e hoje não pode mais”, disse.

Moradores da rua Simon Bolivar e das redondezas da Praça da Saudade pretendem, inclusive, se mobilizar e encaminhar um projeto de melhorias na área. A ideia, segundo o morador entrevistado pelo Portal A Crítica, é criar um calçadão na área do bar e fazer do local um ponto turístico.

Polícia Militar

A reportagem entrou em contato com o tenente-coronel Auzier, da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom). Segundo ele, o policiamento na Praça da Saudade foi reforçado, mas até o momento nenhum dos donos dos bares registrou Boletim de Ocorrência do caso. A reportagem não conseguiu contato com os proprietários dos estabelecimentos.

OAB nega LGBTfobia

Em nota divulgada à imprensa, a Comissão Especial de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Amazonas (OAB-AM) informou que o tiroteio na Praça da Saudade "não tem relação específica com LGBTfobia". Segundo o órgão, foi feita uma "averiguação da ocorrência" junto à Polícia Militar e que o caso "refere-se ao tráfico de drogas na região".

"Ratificamos nosso compromisso com a comunidade e estamos à disposição para salvaguardar quaisquer direitos humanos violados ou situações atentatórias contra a vida das pessoas LGBT+", finaliza a nota, assinada por Maurício Viana de Oliveira, presidente da Comissão Especial de Diversidade Sexual da OAB/AM

Publicidade
Publicidade