Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
Manaus

Barracas improvisadas tomam conta de estacionamento na Zona Norte de Manaus

Moradores do conjunto habitacional Viver Melhor tornam o local um verdadeiro comércio ilegal. Os feirantes pagam R$ 20 por vigilância, a rede elétrica das barracas é clandestina, não há limpeza e muito menos fiscalização



1.gif Distante de tudo e sem feiras ou mercadinhos nas proximidades, moradores do residencial Viver Melhor improvisaram a feira, que já reúne 225 barracas de lona
12/04/2013 às 10:00

O estacionamento do conjunto habitacional Viver Melhor, no bairro de Santa Etelvina, Zona Norte, foi transformado em uma feira improvisada cujo crescimento está sem controle e fiscalização. O último levantamento feito pelo Governo do Estado identificou 178 barracas no local. No entanto, atualmente são 225 funcionando como boxes de feira e ocupando três quadras do conjunto.  Todos os dias o número de barracas aumenta.

A ocupação gera um contraste evidente entre os prédios planejados e barracas improvisada com lona, compensado e papelão. Os feirantes, todos moradores do residencial, que é o maior do País e referência do programa “Minha Casa Minha Vida”, ainda têm que pagar R$ 20 por semana para a manutenção e vigilância do local. A taxa é paga sem que haja nenhuma regulamentação da feira. A rede elétrica das barracas é clandestina, não há limpeza e nem vigilantes. O valor é pago a uma “comissão gestora” para executar serviços básicos.



A feira improvisada surgiu em função do isolamento do conjunto e da falta de opção para comprar bens de primeira necessidade e alimentos. Moradores que tinham pequenos comércios em áreas de risco e à beira de igarapés de onde foram retirados montaram as barracas. A intenção foi suprir a falta de mercados, feira, lojas de roupas e até farmácia. “Para comprar qualquer coisa tínhamos que sair do conjunto, chegar a Torquato Tapajós e procurar uma taberna no Santa Etelvina. O conjunto foi entregue só com os apartamentos e mais nada”, disse Janeiça Silva, 33.

A feira começou no dia 15 de janeiro no portal de entrada do conjunto e foi retirada do local. Os feirantes passaram a ocupar os estacionamentos da quadra 45, que ficou cheio. Sem espaço, passaram para o estacionamento da quadra 44 e depois para a 37. Atualmente, barracas dispersas sinalizam novos blocos de ocupação em outras quadras. Em vista do cenário, os próprios feirantes afirmam que se o governo não tomar providência e impor um limite, em pouco tempo todas as quadras do conjunto serão tomadas por barracas.

O Viver Melhor foi entregue em dezembro de 2012 como um bairro planejado de Manaus. Contudo, não previa feira e nem local onde os moradores pudessem fazer compras. “O jeito foi improvisar. A feira ajudou porque não precisamos mais sair do conjunto para comprar uma carne ou caixa de fósforo. Todo mundo sabe que não é o melhor jeito e que muita coisa tem que melhorar. Só que sem ajuda a gente faz o que dá”, disse a feirante Rosinete Araujo*, 35.


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