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Manaus
INVESTIGAÇÃO

Bebê é sequestrado de maternidade em Manaus, diz mãe a policiais; Susam nega

Segundo policiais que atenderam a ocorrência, a sequestradora conhecia a vítima e a abrigou por três meses. A Maternidade Balbina Mestrinho nega sequestro dentro da unidade 20/02/2019 às 17:07 - Atualizado em 20/02/2019 às 21:39
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Foto: Reprodução/Internet
acritica.com Manaus (AM)

A mãe de um bebê de apenas sete dias de vida alega que o filho foi sequestrado por outra mulher dentro da Maternidade Balbina Mestrinho, na Zona Sul de Manaus. O caso foi acompanhado por investigadores do 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que conseguiram devolver o menino à mãe ontem, terça-feira (19). Conforme os policiais, a sequestradora chegou a tentar registrar a criança como próprio filho. Por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), a direção da maternidade negou o caso.

A Maternidade Balbina Mestrinho descartou o sequestro dentro da unidade. Em nota, a direção informou que a mãe e o bebê tiveram alta médica juntas no dia 14 de fevereiro, dois dias após o parto. A assessoria de imprensa disponibilizou um vídeo que mostra a mãe e o bebê em direção do que seria a saída da maternidade. O registro tem duração de 12 segundos e é datado do dia 14 de fevereiro, tendo sido registrado às 15h13.

Ainda segundo a maternidade, a mãe havia dado entrada na unidade no dia 12 de fevereiro às 13h51, acompanhada de uma amiga. “A criança nasceu de parto normal, cerca de uma hora depois, ficando internada, ao lado da mãe, em alojamento conjunto, até a alta. Não há registros na maternidade de ocorrência com a família, desde a entrada até a saída da mãe e da recém-nascida”, informou a Susam.

A maternidade acrescenta que a mãe, inclusive, recebeu a Declaração de Nascido Vivo (DNV) e foi direto ao cartório, que funciona junto à maternidade, registrar a criança. “Todos os registros estão à disposição das autoridades policiais para a investigação”.

Investigadores da PC

Conforme o investigador Eduardo Corrêa, do 14º DIP, a polícia foi acionada por uma jovem de 22 anos. Ela contou à polícia que estava grávida e recebeu ajuda da tal sequestradora nos últimos três meses de gestação. As duas moravam no município de Manacapuru, interior do Amazonas.

“A mulher se colocou à disposição para ajudar a vítima. Elas são conhecidas de Manacapuru, mas a mãe não tinha muitos recursos para comprar remédio, alimento, essas coisas, e então ela (sequestradora) ofereceu abrigo e acompanhou a mãe até a maternidade. Em nenhum momento ela concordou que entregaria a criança”, relatou o investigador Eduardo Corrêa, à reportagem do Portal A Crítica.

Segundo outro policial civil que ajudou no resgate da criança, mas que preferiu não se identificar, depois da jovem dar à luz dentro da maternidade, no último dia 12 de fevereiro, a sequestradora raptou a criança e saiu da unidade de saúde.

Ainda de acordo com o policial, os funcionários da maternidade acharam que a sequestradora seria parente da mãe da criança devido ao auxílio dado à vítima e a proximidade entre as duas.

“Nem dá para considerar falha do hospital. Ela sumiu com a criança. A mãe ficou todos esses dias procurando o bebê e nos pediu ajuda. Alguém disse para ela (mãe) que a mulher estava com a criança no Alvorada e fomos lá averiguar”, disse o policial.

Ao chegarem ao endereço, segundo os policiais, a sequestradora relatou que havia pegado o bebê porque achava que “tinha o direito”. A mulher seria estéril e tinha o desejo de ter um filho. “No entendimento dela, por ter ajudado a mulher ela achava que poderia ficar com o bebê. Um total desconhecimento da lei, porque ela já estava agilizando até o registro do menino mesmo não tendo permissão. Ela tinha umas roupas para o bebê e disse que não iria dar, então tivemos que convencê-la a devolver o bebê”, explicou.

O bebê foi devolvido à mãe nessa terça-feira (19), uma semana depois do rapto, e hoje passa bem. Conforme informações dos investigadores, a vítima não quis prestar queixa contra a mulher que raptou a criança. A reportagem aguarda posicionamento da Secretaria de Saúde do Estado (Susam) sobre o caso ter ocorrido dentro da maternidade.

PC apura o caso

A Polícia Civil informou que a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Depca) vai apurar o caso. Em nota, a PC não confirmou a informação que o bebê foi sequestrado, no entanto, após ampla divulgação nas redes sociais, a delegacia assumiu a imediata condição das investigações, realizando uma verificação preliminar da informação através de um Inquérito Policial.

Outros casos na Balbina

Casos polêmicos envolvendo a Maternidade Balbina Mestrinho vieram à tona nesta semana. No último domingo (17) uma gestante e o bebê dela morreram durante atendimento na unidade de saúde. Os familiares acusaram os profissionais de negligência. Ontem (19), um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou um médico obstetra violentando uma gestante durante trabalho de parto.

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