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Bebida regional garante sustento de empreendedor e sua família

Açaí vindo de Codajás e de outros municípios do interior é fonte de renda de Laércio Falcão, que mantém ponto comercial na Feira da Compensa 23/10/2015 às 15:50
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Laércio Falcão veio para a capital com sonho de abrir negócio próprio com o açaí, que aprecia desde a infância, em Codajás. “Bebo desde que me entendo por gente”, afirma
Jony Clay Borges Manaus (AM)

São pequenas frutas roxas, pouco maiores que contas, vindas de vários municípios do interior do Amazonas, que ajudam a garantir o sustento de Laércio Falcão Lima, de 36 anos, e sua família. Para o amazonense natural de Codajás, há 15 anos vivendo em Manaus, o açaí hoje é não apenas o alimento familiar que aprecia desde a infância, como se tornou o carro-chefe do Açaí Manaus Mix, ponto comercial que ele mantém na Feira Modelo da Compensa.

No Açaí Manaus Mix, Laércio comercializa o açaí tanto em litro quanto em copos, pronto para consumo, com açúcar, tapioca e farinhas amarela e de tapioca opcionais. A polpa é preparada na despolpadeira no mesmo dia, a partir de matéria-prima que hoje vem de Anori e Codajás, e que nos próximos meses deverá vir também de Manacapuru, Manaquiri, Beruri e Anamã, dependendo da época do ano.

“De um município para outro muda a tonalidade e o sabor. O melhor é o de Manaquiri, de cor forte e muito sabor”, sentencia ele, com inegável conhecimento de causa: “Tomo todos os dias e não enjoo. Desde que me entendo por gente eu tomo açaí. Não tem um gosto padrão, gosto com um pouco de açúcar só, com caldo não muito espesso nem muito fino. E tomo com tudo: farinha amarela, pão, torrada, bolacha e por aí vai”.

Num período de entressafra como o atual, o açaí se torna mais escasso, os preços sobem e o consumo tende a diminuir. “A saca do açaí subiu de R$ 70 para R$ 280, preço que só vai baixar final de novembro, de janeiro em diante. O preço do litro que vendo passou de R$ 5 para 10. As vendas caem muito nessa época, cerca de 70%”, explica Laércio, que hoje vende uma média de 50 litros/dia, longe dos 200 litros/dia do auge da produção.

Nesse período, ele apela para o buriti e as polpas de frutas, outros itens de seu cardápio. “Vou para Roraima, onde a venda do produto é maior”, informa o empreendedor, que vende cerca de 1 mil litros da bebida diariamente.

NEGÓCIO ERA SONHO

À parte a flutuação da produção, Laércio não vê do que reclamar. O Açaí Manaus Mix é fruto de um sonho que ele acalenta desde antes da mudança para a capital. “Eu trabalhava numa fábrica de açaí em Codajás. Meu sonho era vir para Manaus e montar um negócio próprio”, recorda ele, que passou cinco anos economizando para abrir o primeiro ponto, dez anos atrás.

A certa altura, teve de se desfazer do negócio, mas pouco depois adquiriu o ponto na Compensa, que mantém há seis anos. Hoje, divide com a irmã também um ponto comercial, em outra localização na feira, também batizado Açaí Manaus Mix, mas que tem como carro-chefe a versão frozen da bebida.

“É um projeto de longo prazo, de investimento. É um negócio pequeno, indo a passos lentos, mas avançando”, diz ele, que se encarrega em boa parte do processamento na despolpadeira. A atual esposa e uma ajudante também ajudam no atendimento e nas vendas. “Geralmente a gente acorda bem cedo, por volta das 4h, e trabalha até 18h, às vezes 19h. Todos os dias da semana, exceto às vezes na entressafra”.

Quinze anos após vir a Manaus atrás de seu sonho, Laércio sente que está no lugar certo. “É o melhor lugar para se fazer na vida, montar um negócio e ser feliz. Se você tiver um sonho para conquistar, é o lugar certo”, declara ele. “Manaus é um lugar de onde não quero sair nunca”.


BUSCA RÁPIDA

Banhos na hora do lazer

Com a venda do açaí, Laércio e a mulher mantêm a casa e os dois filhos, de 5 e de 13 anos, família que constituiu aqui em Manaus. Apesar da labuta diária, a família encontra tempo para ocasionais idas a uma sorveteria ou restaurante, e para um banho ao menos duas vezes por mês, no sítio de um amigo na Manaus-Boa Vista (BR-174). Às quartas, sábados e domingos, o roteiro inclui ainda a igreja evangélica que Laércio frequenta.

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