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Manaus
HOMENAGEM

Berço dos manauaras, maternidade Balbina Mestrinho completa 57 anos de fundação

Tradicional maternidade passou pela ditadura militar e completa mais um ano de fundação na próxima segunda (14). Unidade de referência realiza, em média, 500 partos por mês 10/05/2018 às 11:07 - Atualizado em 10/05/2018 às 11:08
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Secretária geral de administração da unidade, Linete Lopes, trabalha há 12 anos no local (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Pouca gente pode ter uma relação tão próxima com a maternidade Balbina Mestrinho como Linete Lopes da Silva, 55. Há 12 anos ela trabalha no mesmo lugar onde nasceu, dois anos após a inauguração da unidade, na época denominada Ana Nery. “Nada foi programado, tanto que há pouco tempo que caiu a ficha e lembrei que trabalho no mesmo lugar onde nasci”, conta a secretária geral de administração da unidade. A maternidade, que completa 57 anos de fundação na próxima segunda-feira, fica na Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul de Manaus.

Separada e sem nenhum filho, Linete também lembra que a unidade mudou várias vezes de nome por influência da ditadura militar, que se instalou no País em 1964 e que se manteve no poder até a década de 1980. O regime de repressão ajudou a apagar uma parte da história da primeira maternidade de referência de Manaus.

“Os únicos registros são a partir de 1991. Teve um período em que os arquivos da Susam (Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas) pegaram fogo e a história foi embora”, recorda a funcionária.

Linete lembra, com tristeza, de muitas mães que abdicam à condição determinada por Deus e abandonas suas “crias” na própria maternidade. “Eu vejo muita coisa acontecendo aqui, mas o que me deixa mais triste é ver mães que abandonam seus filhos. É muito difícil encarar essa realidade”, desabafou ela, com ar de tristeza, a sempre alegre Linete.

A atual diretora-geral é a carioca Rafaela Gomes Faria da Silva, 42. Embora esteja como gestora há pouco tempo, ela conhece a história da maternidade a partir de seu fundador. “O saudoso Gilberto Mestrinho foi um ícone desse serviço tão importante para o Amazonas e, num período em que o regime era de repressão, mudaram o nome, e depois voltou ao nome da genitora do governador”, cita a gestora.

“Sabemos que, assim como a maternidade Ana Braga, somos uma referência em alta complexidade. Já existe um projeto de ampliação e deveremos ganhar mais noventa e quatro leitos”, revela a diretora. Entre as novidades, o projeto inclui um centro de parto normal, extra-hospitalar, para atendimento de parturientes que não estejam correndo riscos.

Programação

As festividades de aniversário estão ocorrendo desde ontem, com a abertura da 5ª Semana de Enfermagem e Serviço Social. Hoje haverá uma homenagem alusiva ao Dia das Mães, com distribuição de brindes e apresentações musicais para pacientes e funcionários. Também haverá palestras sobre o “Trabalho do Serviço Social”; “Aleitamento Materno e Sustentabilidade da Comunidade e do Ambiente”; “Serviço Social e a Comunicação Pública: Desafios da Contemporaneidade”; e “Código de Ética do Serviço Social: 25 anos”.

Homenagem ao criador

Não é por acaso que o motorista particular leva o nome Gilberto (o Guerra). Nascido na Balbina em 1968, Gilberto foi um dos beneficiados pelos milhares de brinquedos que o então governador Gilberto Mestrinho entregava anualmente às crianças amazonenses. “Meu pai gostava muito do gesto humanitário do governador, por isso me batizou com o nome de Gilberto”, revela o motorista.

“Meu pai me dizia que, quando tivesse dez anos e visse meu nome estampado em todo lugar, eu ia entender o motivo da homenagem. E não é que aconteceu? Passei a colecionar tudo que levasse esse nome, como o timão, que era o símbolo de campanha do ex-governador, enfim, vasculhei a história do Gilberto Mestrinho, me achando o próprio”, se diverte, hoje, Gilberto.

Unidade moderna e referência

A maternidade começou a funcionar em 1961 e hoje realiza, em média, 500 partos por mês.  Recentemente, passou por reformulação na estrutura administrativa, além da conclusão das obras da Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal (UCINCo), ampliando o número de leitos para bebês prematuros  de dez para 16.

As obras na maternidade fazem parte do trabalho de revitalização que a Susam vem executando nas unidades da rede estadual de saúde. A unidade conta com um centro de parto convencional, o serviço de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) materno, UTI Neonatal e o atendimento para parturientes em situação de alto risco. “O crescimento populacional é algo que está evidente e precisamos acompanhar esse crescimento com serviço de qualidade”, aposta a gestora.

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