Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020
HOMENAGEM

Berço dos manauaras, maternidade Balbina Mestrinho completa 57 anos de fundação

Tradicional maternidade passou pela ditadura militar e completa mais um ano de fundação na próxima segunda (14). Unidade de referência realiza, em média, 500 partos por mês



materndade.JPG Secretária geral de administração da unidade, Linete Lopes, trabalha há 12 anos no local (Foto: Euzivaldo Queiroz)
10/05/2018 às 11:07

Pouca gente pode ter uma relação tão próxima com a maternidade Balbina Mestrinho como Linete Lopes da Silva, 55. Há 12 anos ela trabalha no mesmo lugar onde nasceu, dois anos após a inauguração da unidade, na época denominada Ana Nery. “Nada foi programado, tanto que há pouco tempo que caiu a ficha e lembrei que trabalho no mesmo lugar onde nasci”, conta a secretária geral de administração da unidade. A maternidade, que completa 57 anos de fundação na próxima segunda-feira, fica na Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul de Manaus.

Separada e sem nenhum filho, Linete também lembra que a unidade mudou várias vezes de nome por influência da ditadura militar, que se instalou no País em 1964 e que se manteve no poder até a década de 1980. O regime de repressão ajudou a apagar uma parte da história da primeira maternidade de referência de Manaus.



“Os únicos registros são a partir de 1991. Teve um período em que os arquivos da Susam (Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas) pegaram fogo e a história foi embora”, recorda a funcionária.

Linete lembra, com tristeza, de muitas mães que abdicam à condição determinada por Deus e abandonas suas “crias” na própria maternidade. “Eu vejo muita coisa acontecendo aqui, mas o que me deixa mais triste é ver mães que abandonam seus filhos. É muito difícil encarar essa realidade”, desabafou ela, com ar de tristeza, a sempre alegre Linete.

A atual diretora-geral é a carioca Rafaela Gomes Faria da Silva, 42. Embora esteja como gestora há pouco tempo, ela conhece a história da maternidade a partir de seu fundador. “O saudoso Gilberto Mestrinho foi um ícone desse serviço tão importante para o Amazonas e, num período em que o regime era de repressão, mudaram o nome, e depois voltou ao nome da genitora do governador”, cita a gestora.

“Sabemos que, assim como a maternidade Ana Braga, somos uma referência em alta complexidade. Já existe um projeto de ampliação e deveremos ganhar mais noventa e quatro leitos”, revela a diretora. Entre as novidades, o projeto inclui um centro de parto normal, extra-hospitalar, para atendimento de parturientes que não estejam correndo riscos.

Programação

As festividades de aniversário estão ocorrendo desde ontem, com a abertura da 5ª Semana de Enfermagem e Serviço Social. Hoje haverá uma homenagem alusiva ao Dia das Mães, com distribuição de brindes e apresentações musicais para pacientes e funcionários. Também haverá palestras sobre o “Trabalho do Serviço Social”; “Aleitamento Materno e Sustentabilidade da Comunidade e do Ambiente”; “Serviço Social e a Comunicação Pública: Desafios da Contemporaneidade”; e “Código de Ética do Serviço Social: 25 anos”.

Homenagem ao criador

Não é por acaso que o motorista particular leva o nome Gilberto (o Guerra). Nascido na Balbina em 1968, Gilberto foi um dos beneficiados pelos milhares de brinquedos que o então governador Gilberto Mestrinho entregava anualmente às crianças amazonenses. “Meu pai gostava muito do gesto humanitário do governador, por isso me batizou com o nome de Gilberto”, revela o motorista.

“Meu pai me dizia que, quando tivesse dez anos e visse meu nome estampado em todo lugar, eu ia entender o motivo da homenagem. E não é que aconteceu? Passei a colecionar tudo que levasse esse nome, como o timão, que era o símbolo de campanha do ex-governador, enfim, vasculhei a história do Gilberto Mestrinho, me achando o próprio”, se diverte, hoje, Gilberto.

Unidade moderna e referência

A maternidade começou a funcionar em 1961 e hoje realiza, em média, 500 partos por mês.  Recentemente, passou por reformulação na estrutura administrativa, além da conclusão das obras da Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal (UCINCo), ampliando o número de leitos para bebês prematuros  de dez para 16.

As obras na maternidade fazem parte do trabalho de revitalização que a Susam vem executando nas unidades da rede estadual de saúde. A unidade conta com um centro de parto convencional, o serviço de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) materno, UTI Neonatal e o atendimento para parturientes em situação de alto risco. “O crescimento populacional é algo que está evidente e precisamos acompanhar esse crescimento com serviço de qualidade”, aposta a gestora.


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