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Bernardo Monteiro é 'o homem da Copa' escolhido por Artur

Então diretor de Planejamento da Seas, em 2010, ele decidiu se inscrever no programa “Banco Talentos da Copa”, iniciativa do governo do Estado para selecionar profissionais que atuariam na Empresa da Copa (que acabou não sendo criada) 16/03/2013 às 11:39
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Bernardo passou por entrevista com o prefeito de Manaus, Artur Neto, para posteriormente assumir a Unidade Gestora da Copa no âmbito do município
André Alves Manaus

Foi por análise de currículo que o prefeito Artur Neto (PSDB) definiu o nome de Bernardo Monteiro de Paula, 29, para o comando da Unidade Gestora do Projeto Copa no âmbito do município, a UGM-Copa. Ele tem formação para o cargo e entusiasmo de sobra. Graduado em Administração Pública pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), pós-graduado pela mesma instituição em Planejamento Governamental e em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Bernardo é um dos mais empolgados com o campeonato mundial de futebol. Então diretor de Planejamento da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), em 2010 Bernardo Monteiro de Paula decidiu se inscrever no programa “Banco Talentos da Copa”, iniciativa do governo do Estado para selecionar profissionais que atuariam na Empresa da Copa (que acabou não sendo criada).

Dos 1.400 candidatos, ficou entre os 34 selecionados. Posteriormente, foi escolhido para trabalhar na Unidade Gestora da Copa do Estado, comandada por Miguel Capobiango. Com a experiência adquirida no período, ganhou a confiança de Artur Neto e foi escolhido para a governança do evento em Manaus. “O tema sempre me despertou muito fascínio”, revela. Sobre as dificuldades de preparar a cidade para o evento, afirma: “Respiramos Copa do Mundo. Mas, como o prefeito Artur Neto diz, não queremos preparar Manaus apenas para Copa, e sim, para o cidadão. A gente não quer que a cidade fique bonita apenas para o turista, mas para a população”. Sem uma sala fixa (a UGM-Copa ainda não consta na atual estrutura administrativa da Prefeitura), Bernardo recebeu A CRÍTICA em uma sala da ManausCult para a seguinte entrevista.

O brasileiro cunhou a frase ‘imagine na Copa’ para expressar o quanto, aparentemente, estamos despreparados para receber um evento desse porte. Vamos fazer feio?

Absolutamente, não. O case da África do Sul foi emblemático. Estive um mês atrás com o prefeito Artur na obra do aeroporto Eduardo Gomes. Imagine o que foi a inauguração da obra do aeroporto há trinta anos atrás. É o mesmo salto de qualidade que teremos agora. Segundo dados da Infraero, o fluxo operacional na cidade será de quase 13 milhões de passageiros. Ainda tem o porto requalificado  - com investimento de aproximadamente R$ 90 milhões para a reforma. E a Arena da Amazônia não servirá apenas para o futebol. Manaus merece um espaço estruturado para grandes eventos, quem sabe com apresentações do The Black Eyed Peas, U2. Bono Vox. Precisamos dotar Manaus, uma cidade de 2 milhões de habitantes, de infra-estrutura para receber grandes eventos.

Esse é o legado da Copa?

Parte.  Temos um Plano de Mobilidade que compreende aproximadamente 50 quilômetros de ruas entre o Aeroporto, a Arena da Amazônia, o Porto de Manaus e a Ponta Negra. Nesse quadrilátero a Prefeitura pretende até a Copa do Mundo requalificar as vias com sinalização horizontal, vertical, paisagismo, calçadas. Esse é um trabalho duríssimo. Além disso, o Fan Fest será na Ponta Negra. Achei muito adequada a mudança porque é a imagem que passa para a aproximadamente 3 bilhões de telespectadores. Durante 30 dias teremos a Ponta Negra, o cartão postal de Manaus, e o rio Negro como fundo, num momento de congregação do futebol e do esporte, para o mundo ver.

Essa é a prioridade da Prefeitura?

No âmbito da estrutura física da cidade. O trabalho da Copa do Mundo segue duas vertentes: a parte de infraestrutura e a parte de serviços. O manauara tem um jeitão muito hospitaleiro. Conhece uma pessoa e convida para o churrasco no fim de semana para assistir o jogo do Flamengo. A gente precisa refletir isso nos nossos serviços. Ter qualidade. Melhorar isso. Não estou dizendo que é ruim. Já atendemos bem. Precisamos atender melhor o turista e o cidadão.

Essa é uma reclamação constante de quem vem de fora, o atendimento ruim...

 Estamos estudando a criação – ainda vamos definir um nome – do que pode ser um ‘Selo Empresa Amiga de Manaus’ ou ‘Selo Empresa Sustentável’. O que é isso? Queremos incentivar o empreendedor a melhorar cada vez mais os seus serviços. Vamos imaginar que temos um empreendimento que tenha 20 garçons. Desses 20 garçons a gente atribui alguns critérios sobre quantos por cento terá que falar inglês. Além disso, aquele empreendimento capacita seu funcionário para bem atender o turista e cumpre todos os requisitos da vigilância sanitária, tem um ambiente adequado, uma série de requisitos para ter essa indicação. A Prefeitura vai indicar o lugar que atende esses benefícios. A empresa terá benefícios de marketing e a gente está estudando redução da alíquota de ISS. Isso é uma forma de reciprocidade. O empreendedor investe no seu negócio, portanto, tem serviços melhores para o cidadão e para o turista. No turismo, o que mais vale hoje é o marketing boca a boca. Queremos priorizar os empreendimentos que tenham essa visão.

O que a população ganha de fato com a Copa?

Hoje o governo federal, através da matriz de responsabilidades, priorizou alguns investimentos para as cidades-sede da Copa do Mundo: aeroporto, aproximadamente R$ 400 milhoes; Porto de Manaus, R$ 90 milhoes. Isso a fundo perdido, oneroso para a União. O Estado nem o Município têm que pagar esse financiamento. O governo do Estado está construindo a Arena da Amazônia – a Arena não tem uma visão apenas para o futebol, mas para a realização de grandes eventos que antes não se tinha um local para realizar. Temos, com o time da Copa do Mundo, necessidade da cidade estar pronta, a exigência de que os serviços públicos estejam aptos e qualificados num curto espaço de tempo. Esses aproximadamente 50 km de vias que pretendemos requalificar até a Copa, o que demoraria dois, três anos, estamos fazendo um esforço grande para poder implementar e ficar pronto até o evento. Isso do lado tangível.

E o legado intangível?

Colocar Manaus, o Estado do Amazonas, a região Norte, no calendário mundial. Imaginar que aproximadamente 3 bilhões de telespectadores estarão vendo Manaus. Isso vai despertar fascínio, interesse de ver uma cidade bonita, com quase 2 milhões de habitantes. Expor isso para o mundo, e a partir daí ter dividendos de turismo, atrativos que façam incrementar nossa economia.

No que a UGM-Copa pode ajudar?       

A Unidade Gestora do Município é articuladora de todos esses assuntos que envolvem a preparação de Manaus para a Copa do Mundo.  Nós temos a missão de priorizar a pauta de projetos da Copa dentro das secretarias. Somos os grandes articuladores de tudo o que acontecerá até 2014 junto com o governo do Estado do Amazonas, que tem a sua UGP-Copa.

A atual administração pegou ‘bonde andando’. Não é pouco tempo?

É. E por isso estamos trabalhando muito, trabalhando forte, elaborando projetos. É importante destacar que no âmbito municipal as iniciativas foram muito tímidas nos últimos quatro anos. Devemos recuperar esse tempo. Só que isso na medida certa. A gente não pode prometer o que não pode cumprir. Então, acho que isso tem que ser a tônica dessa Prefeitura: uma gestão austera, com pés no chão, e dentro da medida do que é possível, somando muitos esforços, tentar entregar, até junho de 2014, uma cidade bonita.

Qual é a conta da Prefeitura?

A gente acredita que até abril temos esses valores definidos. Tão logo tenhamos esses valores em mãos, vamos divulgar.

Quem ganha mais com a Copa, a Fifa ou a população local?

A população. A Copa é uma grande oportunidade para Manaus se expor para o mundo e dizer que aqui, além do Polo Industrial de Manaus, existe muita riqueza, muita beleza, e  além dos resorts de selva, temos uma cidade linda, uma jóia que ainda está escondida, que foi gloriosa no passado, no tempo da borracha, e que continua gloriosa. Temos edificações lindíssimas no Centro da cidade, o Encontro das Águas que é fenomenal. Temos bastante atrativos. Vejo isso como uma grande oportunidade.

Quando se projetou Manaus para a Copa, havia a previsão da construção até lá do Monotrilho, BRT... Quando isso foi sendo eliminado do Projeto Copa, você não acha que a população ficou frustrada?

Existia uma matriz de responsabilidade da Copa do Mundo, que num primeiro momento contemplava, além do estádio, obra de mobilidade urbana, e nesse momento existia o BRT e o Monotrilho. O que aconteceu: a matriz de responsabilidade da Copa tem que ficar pronta até a Copa do Mundo. No primeiro momento, ela serviu para garantir esses recursos. Esses recursos passaram a ser contemplados no PAC, não mais no PAC/Copa, e passaram a ser linhas de financiamento acessíveis aos Estados e municípios. Estavam no PAC da Copa e foram migradas para o PAC. Ora, sem a organização e realização desse evento, talvez não teríamos esses financiamentos, que são imprescindíveis para a requalificação da mobilidade urbana da cidade. A questão da mobilidade urbana, seja por parte do governo do Estado, o Monotrilho, seja por parte da Prefeitura, o BRT, é um grande legado para Manaus que transcende a Copa do Mundo.

Vale a pena todo esse esforço por três jogos?

São quatro (risos). E eu não digo que são ‘apenas’ os quatro jogos. De junho de 2013 a julho de 2014 Manaus estará no epicentro mundial como a capital da Amazônia, para o mundo inteiro. Agora, temos que ser ágeis para potencializar e aproveitar essas oportunidades e reverter isso em dividendos e lucro na questão do fomento do turismo. São quatro jogos. Não são três (risos). E são 30 dias de evento onde teremos o Fan Fest funcionando durante os 30 dias do evento e uma série de jogos sendo passados na Ponta Negra. Jogos do Brasil. O nome Manaus na pauta mundial durante os 30 dias de jogos.

E o prefeito Artur Neto?

Ele não tem hora para ligar. Cobra o tempo inteiro. Isso é muito positivo. Nos estimula a buscar fazer o melhor.

Como foi sua escolha para a UGM-Copa?

Em razão da experiência acumulada na organização da Copa, no governo do Amazonas, acreditei que poderia somar na gestão do prefeito Artur e encaminhei meu currículo para a equipe de transição.

Foi entrevistado pelo prefeito?

Fui entrevistado pelo dr. Rodemarck (Castelo Branco, coordenador da equipe de transição) e depois pelo prefeito. Próximo ao anúncio do secretariado, o prefeito Artur me ligou convidando para estar à frente da UGM-Copa. Como manauara, me senti honrado por poder contribuir na gestão municipal da cidade que nasci e constituí família, e igualmente honrado por poder participar do governo liderado por um político que além das virtudes que lhe são peculiares, inspira valores, aposta na juventude, permitindo que uma nova geração, nas palavras dele, floresça.

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