Terça-feira, 24 de Setembro de 2019
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Centro de Manaus terá bicicletário, mas estrutura dos pontos é questionada

Pelo menos 110 bicicletas serão colocadas em 11 estações pelo Centro. Mas será que o Centro tem estrutura?



biciclet_rio.JPG Pessoas envolvidas em pedalagem acreditam que o Centro não tem infraestrutura / Foto: Euzivaldo Queiroz
09/07/2016 às 17:00

Até o final deste ano, o Centro de Manaus deve ganhar um sistema de bicicletas compartilhadas. A ideia inicial é da criação de 11 estações, com a previsão de 110 bicicletas, para beneficiar a população que frequenta o espaço e poderá fazer deslocamentos curtos e rápidos para trabalho, lazer e entretenimento. Mas será que  os pontos escolhidos e a estrutura é apropriada para receber o sistema?

Em algumas cidades do País e até em outros locais no mundo  existe esse tipo de sistema que geralmente são compostos por estações de bicicletas inteligentes, distribuídas em diferentes pontos da cidade e visa oferecer uma opção de transporte sustentável, saudável e não poluente.

A ideia está em fase do edital de chamamento público para as pessoas jurídicas apresentarem as propostas. Como responsável pelo desenvolvimento do sistema, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) informou que o sistema funcionará com estações com autoatendimento e serão instaladas em diversos pontos de uma região, possibilitando ao usuário fazer a retirada da bicicleta usando seu celular/aplicativo ou cartão de acesso.

As primeiras estações devem ocorrer nas praças centrais de Manaus. “O Centro foi escolhido porque concentra grande parte de praças e parques públicos, espaços culturais, esportivos, de saúde, escolas e o comércio, que será ainda mais valorizado”, explicou o diretor-presidente do Implurb, Roberto Moita.


No Rio de Janeiro tem o projeto Bike Rio e as "magrelas" estão em vários pontos / Foto: Reprodução/Internet

Para um dos coordenadores do movimento Pedala Manaus, Paulo Aguiar, a iniciativa é interessante e boa, mas para que realmente o projeto caminhe a prefeitura precisa traçar objetivos para a estrutura geral do sistema.

“No edital está algo bem vago, a prefeitura menciona a instalação de bicicletários, as bikes serão de uso público, precisa ver a situação de segurança das bicicletas como também da própria população que irá aderir o sistema”, explicou.

Além disso, Aguiar afirma que o Centro não há uma infraestrutura adequada para rotas de bike, conforme o coordenador do movimento é necessário criar ciclovias, ciclofaixas e outros, até para ajudar na segurança do ciclista, pois sem segurança, não haverá utilização do sistema. 

Outro ponto importante é realizar a implantação de outras estações nos terminais públicos como também em outros pontos estratégicos da cidade, mas reforçando que o projeto para que dê certo precisa ter a infraestrutura de circulação e segurança para o ciclista.

Planejamento

De acordo com o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), “Um bom sistema de bicicletas compartilhadas deve apresentar características de planejamento que resultem em um desempenho eficiente, reduzindo os custos de operação e assegurando que os sistemas possam ser utilizados pelo maior número possível de habitantes de uma cidade”.

O sistema compreende toda a estrutura que vai desde os pontos de retirada da bicicleta, sinalização, segurança, rotas - lembrando das ciclovias e ciclorotas - como a população irá realizar a retirada do veículo, como ser monitorado e outros aspectos.

Pontos

Inicialmente, os pontos definidos incluem estações nas praças: da Saudade, Heliodoro Balbi, da Matriz, Tenreiro Aranha, Paço Municipal, Mercado Adopho Lisboa, avenida Eduardo Ribeiro, entre outros.

Blog: Paulo Aguiar, um dos coordenadores do Movimento Pedala Manaus

“No caso de Manaus, e pelas informações passadas pelo Implurb, as estações serão instaladas no Centro da cidade e próximas de pontos turísticos e praças, com uma tendência muito forte para o lazer e entretenimento, porém a prefeitura não deve esquecer também de pensar nas bicicletas compartilhadas como alternativa de transporte, pois há um uso muito forte delas no Centro com esta finalidade”, declarou o coordenador.

“Outro ponto importantíssimo que deve ser observado e levado em consideração antes da instalação é o oferecimento de condições e estímulo ao uso das bicicletas. Deve haver uma campanha bem ampla de esclarecimento quanto ao uso como também uma de sensibilização dos motoristas com cuidado e educação ao ciclista. Também deve haver infraestrutura cicloviária que permita o uso tranquilo da bicicleta, seja com ciclovias, ciclofaixas e vias compartilhadas. Sinalização informando as rotas de trafego das bicicletas será fundamental”, complementou.

“Por fim, o sistema não deve ser restrito ao centro. Quanto mais estações em outras regiões da cidade, mais o uso da bicicleta será estimulado. A PMM pode já pensar inclusive em instalar estações nos terminais de ônibus e promover a intermodalidade”, finalizou.


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