Sábado, 19 de Outubro de 2019
REUNIÃO

Bispos da região amazônica fazem último encontro antes do Sínodo

Identificação de demandas de povos indígenas e ribeirinhos de países da Amazônia foi principal foco do encontro. Sínodo sobre Amazônia ocorre em outubro, no Vaticano



Capturar_E26CDD2C-E1A0-4C8F-AC12-A27CC09C7D05.JPG Foto: Divulgação/Pascom
19/09/2019 às 20:12

O último encontro dos bispos da região amazônica, realizado nesta quinta-feira (10), em Manaus, serviu para apresentar como foi feito o "processo de escuta" de ribeirinhos e povos indígenas para identificar as principais demandas dos povos da região, que serão levadas ao Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, entre 6 e 27 de outubro, no Vaticano.

Ao todo, 179 dos 390 povos presentes na Pan-Amazônia (cerca de 44%) participaram de alguma forma desta etapa de escuta, realizada em forma de 265 encontros nas paróquias locais de nove países - atendendo, assim, a um pedido do papa Francisco para que os povos indígenas fossem os principais protagonistas e ouvidos com especial atenção.



De acordo com o padre Zenildo Lima, reitor do Seminário Diocesano São José, é preciso repensar o modelo de presença da igreja na Amazônia. "A gente percebe certa ausência da igreja nas comunidades mais distantes. Precisamos reconfigurar esse quadro ministerial para assegurar presença e a celebração da fé nesses lugares’’, reforçou.

Ema relação às controvérsias em torno do Sínodo, justamente por ser realizado em meio a críticas internacionais ao governo brasileiro por conta do grande número de queimadas na região amazônica, Lima atribui isso a "ruídos" espalhados pela internet.

"O momento político atual favorece uma compreensão limitada sobre o Sínodo por parte de algumas pessoas. O Sínodo, que nasceu da encíclica “Laudato Si” (“Louvado Sejas”) [apresentada pelo papa Francisco em 2015], foi convocado em 2017. A configuração política do Brasil era outra. Muita gente não compreende que se trata de um encontro de igreja que reflete sobre o seu papel dentro de uma realidade, no caso a amazônica", explicou.

O padre Zenildo Lima aproveitou a ocasião para ressaltar que a soberania nacional é uma questão que a Igreja Católica reafirma com segurança. ‘’Há lugares onde só a Igreja e o Exército têm acesso. Todos os dados coletados durante a preparação do Sínodo estará à disposição do governo até para subsidiar políticas públicas para essas comunidades distantes. Não há segredos’’, disse.

Assembleia Regional

Com o tema "Igreja da Amazônia: Casa do Pão, da Palavra, da Caridade e da Missão em busca de novos caminhos", o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)  – AM/RR realizou, de segunda (16) até esta quarta (19), a 47ª. Assembleia Regional. O encontro reuniu 90 pessoas, entre bispos, padres, religiosos e leigos, das nove dioceses do Amazonas e de Roraima.

Para o 2° vice presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e bispo da Diocese de Roraima, dom Mário Antônio, já faz parte da história da igreja a anunciação das boas novas e a indignação com as injustiças sociais. "O nosso intuito não é fazer cobranças ao governo e, sim, como igreja (cristãos e cidadãos) queremos ir contra tudo que não promove a vida na região amazônica (seja entidades, ONGs ou governos)", frisou.

A fala do bispo está em consonância com a carta divulgada, na manhã de ontem, assinada pelos delegados participantes da assembleia regional. "Temos consciência do momento histórico que estamos vivendo, as ameaças e as perdas que pairam sobre conquistas e direitos sociais adquiridos a custo de muita luta e martírio, principalmente aqueles que atentam contra a vida dos povos indígenas, da terra, da floresta, dos lagos e rios", diz um trecho da carta.

Polêmicas

No próximo mês, mais de 250 integrantes da Igreja Católica, além de indígenas, ribeirinhos e cientistas de nove países que fazem parte da Amazônia, se reunirão no Vaticano para o Sínodo da Amazônia. Além de discutir novas formas de evangelização na região, a conferência deve promover uma firme defesa da preservação da floresta e dos povos indígenas.

O encontro tem desagradado a ala ultraconservadora da Igreja Católica, que tem tentado de todas as formas fortalecer uma oposição ao papa Francisco por conta de sua defesa aberta a um maior acolhimento de divorciados e gays, e por dedicar atenção especial a temas ambientais.

Um dos pontos mais controversos a serem debatidos no Sínodo está o reforço ministerial de "padres casados" em regiões de difícil acesso. "Foi uma questão levantada no processo de escuta. De fato, existem muitos homens que deixaram o exercício do ministério e abraçaram o sagrado sacramento do matrimônio, mas não perderam a essência ministerial. Não podem mais fazê-lo por uma questão canônica. O reforço deles na evangelização será discutido", completou padre Zenildo Lima.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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