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Manaus
Perigo à vista

'Boca de lobo' onde criança morreu durante enxurrada continua sem proteção

Caso ocorreu no dia 5 de maio com o estudante Guilherme Guerreiro, de apenas 7 anos. Além do local do acidente, no Alvorada 2, ao menos dez bueiros nas proximidades continuam destampados e oferecendo perigo 21/07/2016 às 12:02 - Atualizado em 21/07/2016 às 12:07
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Local onde criança morreu segue sem proteção (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Era uma manhã chuvosa, como a de ontem, quando o estudante Guilherme Guerreiro, aos sete anos, morreu depois de cair em uma “boca de lobo” sem proteção na rua Ovídio Gomes Monteiro, às margens do igarapé da Sapolândia, no Alvorada 2, Zona Leste. A tragédia foi no dia 5 de maio e quase três meses depois, os moradores continuam correndo riscos ao caminharem pelo local. No entorno, ao menos dez bueiros estão sem proteção.

“Não aconteceu nada, ninguém fez nada, nenhuma autoridade tomou providência. Os governantes não se importam com a dor do povo. Se tivesse sido um filho deles, eles talvez fariam alguma coisa”, desabafa o comerciante Djalma Guerreiro, 35, pai do pequeno Guilherme, enquanto lembrava do filho. “Qualquer hora pode acontecer com outra criança e eu não quero esta dor pra ninguém”.

Djalma conta que, quase três meses depois da perda do filho, não conseguiu voltar à rotina. “Antes eu vinha trabalhar com vontade, com alegria. Agora eu venho por causa da minha filha mais nova, que vai fazer dois anos”. Segundo ele, a família não abriu nenhum processo contra o Estado porque ainda não tiveram forças, mas esperavam, ao menos, que com a repercussão do caso os bueiros recebessem proteção.

“Ainda dói muito. Quanto mais o tempo passa, mais a saudade aumenta. A gente se revolta porque mesmo com a morte do nosso filho, nenhuma providência foi tomada. Outro dia um homem caiu no bueiro e por sorte teve apenas ferimentos leves”, relata Odenice Torres, 33, mãe de Guilherme.

Bueiros destampados

O local aonde a criança caiu, em maio deste ano, continua sem proteção. Do outro lado da via, um outro bueiro em plena passagem de pedestre também está aberto. Na ocasião do acidente, os moradores haviam reclamado deste mesmo problema. A situação se repete nas outras ruas, principalmente na rua 11 e na avenida H, ambos no Alvorada.

“A gente sempre lembra do que aconteceu com o Guilherme e agora tomamos mais cuidado ao andar pela rua. Mas mesmo assim, isto não deveria acontecer. Pagamos impostos e é um direito nosso que os bueiros estejam com proteção”, reclama a dona de casa Jucélia Sampaio, 47, moradora do bairro.

Outro caso

Semanas antes da morte de Guilherme, outra criança, André Pereira Crescênço, de seis anos, havia caído num bueiro na esquina da rua 9 com a Penetração 4, no Mutirão, Zona Leste. O corpo dele foi encontado três dias depois, a aproximadamente 12 quilômetros do bueiro onde ele caiu.

Naquela área, Prefeitura de Manaus realizou uma ação e colocou proteção nos bueiros da rua. Mas, na mesma ocasião, o diretor de Serviços Básicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) José Roberto Costa, informou que haviam mais de 2 mil bueiros sem tampas pela cidade.

Empresa em processo licitatório

A Secretaria da Região Metropolitana de Manaus, que administra o Prosamim, foi procurada para se manifestar sobre o bueiro em que a criança caiu em maio, e que continua sem proteção, mas não respondeu até o fechamento desta edição. A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) foi questionada sobre os mais de 2 mil bueiros sem proteção em Manaus e informou que a pasta está em processo licitatório para a contratação de empresas terceirizadas para continuar os trabalhos que estão em andamento. Sobre a situação dos bueiros da rua 11 e avenida H , a pasta frisou que foi repassada para o distrito de obras responsável e a vedação será providenciada.

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