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Brasil fazendo história: Manaus reúne cerca de 90 mil pessoas para lutar contra a impunidade

Exército de cidadãos e cidadãs se concentrou na Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, e marcharam até a Arena Amazônia 21/06/2013 às 10:04
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Com palavras de ordem cobrando melhoria dos serviços públicos e contra a corrupção, o mar de gente tomou conta das avenidas Eduardo Ribeiro e Djalma Batista
Rosiene Carvalho ---

Cerca de 90 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar do Amazonas, ocuparam as principais avenidas do Centro e da zona Centro-Sul de Manaus, nesta quinta-feira (20), num protesto contra a corrupção e a precariedade dos serviços públicos oferecidos à população. A massa extravasou por meio de cartazes, palavras de ordem e músicas, que exaltavam o patriotismo, indignação contra os atos dos poderes Executivo e Legislativo.

A manifestação combinada por meio da rede social Facebook ultrapassou em muito a expectativa de participação feita nos registros virtuais e, na sua maioria, embora sem um líder definido, foi pacífica como queriam os integrantes.

O ato, além de parar a capital e expor os múltiplos problemas sociais que enfrenta quem vive em Manaus, deve entrar para a história da cidade e marcar para sempre a memória de cada um e cada uma que participou das quatro horas e meia de caminhada entre o Centro da cidade e a milionária e inacabada Arena da Amazônia.

Com objetivo inicial de diminuir o preço da tarifa de ônibus, o ato popular teve nos políticos o principal alvo das críticas. A caminhada estava marcada para começar às 17h, mas a aglomeração de pessoas em vários pontos do Centro começou bem antes disso.

A partir das 14h, grupos foram se formando na praças da Polícia, Saudade, Matriz, em frente ao Instituto de Educação do Amazonas (IEA) e ao redor do Relógio Municipal. Vários grupos preparavam na hora mesmo cartazes de cartolina, sentados no chão, e dando sugestões uns aos outros sobre o que escrever. Outros trouxeram as faixas de casa e as distribuíam entre os amigos. 

Em pouco tempo, a multidão tomava a avenida Getúlio Vargas. Em um dos canteiros centrais, o eterno candidato do PCB Luiz Navarro acompanhava impressionado o protesto e disse não temer o contato com os manifestantes que estavam repugnando os políticos. “Não me vaiaram. Me cumprimentaram. Eles reprovam os que estão no poder, mamando no dinheiro do povo”, declarou.

Quando a massa concentrada no Relógio Municipal começou a se mover, por volta de 17h, a avenida Djalma Batista, uma das rotas mais usadas pelos veículos na cidade, era ocupada pelos primeiros manifestantes.  Quem entrou no viaduto da Djalma, não teve como não se emocionar ao ouvir os ecos das vozes cantando Legião Urbana.

Às 18h22, a Arena foi alcançada pela caminhada sendo que a maior pico de concentração de pessoas foi entre 19h30 e 20h. Neste horário, toda a avenida Pedro Teixeira, entre a

Constantino Nery e a Djalma Batista, e a frente da Arena lotaram de pessoas que se moviam com dificuldade e não cansavam de levantar seus cartazes. Um dos momentos marcantes foi quando todos ficaram de costas para a Arena da Amazônia e cantaram o hino nacional.

Vândalos atearam fogo em ônibus

Vândalos infiltrados entre os manifestantes tentaram derrubar as grades do prédio da Prefeitura de Manaus e jogaram pedras contra policiais que estavam no estacionamento. A PM reagiu com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

A ação da polícia dispersou a multidão, mas, insatisfeitos, muitos iniciaram quebra-quebra pela extensão da Avenida Brasil, atearam fogo em um ônibus, atiraram pedras nos policiais e destruiram paradas de ônibus.

A Polícia Militar avançou pela avenida e montou barreiras para impedir que esse grupo de vândalos chegassem novamente perto do prédio da prefeitura.

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