Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Durante cirurgia

Briga de médicos durante cirurgia contribuiu para óbito de paciente, acusa família

A cirurgia do adolescente de 14 anos Lúcio Pena Figueira era realizada normalmente no Hospital “Joãozinho”, quando os dois profissionais se desentenderam e partiram para agressão física



portal.JPG “Deixaram meu irmão com a cabeça aberta”, disse o irmão da vítima, Francisco Carlos, 23 (Evandro Seixas)
12/08/2016 às 16:13

A briga entre dois médicos durante uma cirurgia realizada em um hospital de Manaus, na semana passada, contribuiu para causar o óbito do adolescente Lúcio Pena Figueira, de 14 anos, que faleceu hoje. A acusação é feita por familiares. “Eles (os médicos) estavam brigando lá e deixaram meu irmão com a cabeça aberta. Mandaram outro médico, mas demorou”, disse Francisco Carlos, 23, irmão do paciente.

Segundo ele, a cirurgia estava sendo realizada normalmente no Hospital e Pronto Socorro da Criança da Zona Leste, o “Joãozinho”, no dia 4 de agosto, quando os dois profissionais – o neurocirurgião Odilamar Santos de Andrade e o anestesista Aldo Sales – se desentenderam e partiram para a agressão física. “Minha mãe estava sentada no corredor, esperando, quando começaram a briga lá para dentro”, contou.

De acordo com o irmão, desde o momento em que iniciou a briga, até a retirada dos médicos de dentro da sala de cirurgia e a providência de novos profissionais para continuar o procedimento foram cerca de duas horas. “Pela hora que começou, (a cirurgia iniciou) foi meia noite e acabou umas três e meia da madrugada”, disse Francisco Carlos. “Demorou mais para fazer cirurgia. Ela (mãe) está arrasada com a perda do filho dela, era o caçula”.

O adolescente passava por cirurgia no crânio depois de ter sofrido uma queda em casa e bater a cabeça. “Ele não caiu da laje. Ele estava deitado na cama, mandando mensagem para a minha irmã e se levantou. Ele falou ‘mãe, está doendo minha cabeça’. Ela falou ‘pega o remédio lá, meu filho, a dipirona, para você tomar’. Aí quando ele abriu a geladeira e já foi se entortando todo, desmaiou e o socorremos. Não houve queda”, explicou. Após a cirurgia, Lúcio ficou oito dias na UTI do hospital, mas não resistiu.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) disse que “o incidente entre os médicos no centro cirúrgico [...] não teve qualquer influência no estado do paciente, que já apresentava um quadro gravíssimo de saúde, conforme o registro de prontuário”.

Sindicância

O Conselho Regional de Medicina (CRM) também abriu sindicância, do tipo ex-officio – quando nem família nem hospital registram denúncia, mas o órgão toma conhecimento do caso através da mídia. “O conselho condena veementemente esse tipo de comportamento. O objetivo principal de um médico é o paciente”, explicou o médico José Bernardes Sobrinho, presidente do CRM.

“Vamos apurar o que aconteceu de ilícito, saber quais artigos (infrações) foram cometidos. Já solicitamos documentos do hospital e eles (médicos) vão ser chamados para depor, com amplo direito de defesa. Também as testemunhas, a família”, disse Bernardes Sobrinho. O presidente do CRM também foi  nomeado como relator de sindicância. O prazo máximo para a investigação é um ano. “Mas vamos fazer o mais rápido possível”, adiantou.

Afastados

A briga dos médicos gerou a abertura de uma sindicância para apurar a conduta deles, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Susam). Os dois profissionais eram funcionários terceirizados do Hospital “Joãozinho” e foram afastados das funções. O neurocirurgião trabalhava para a Clínica Amazonense de Neurocirurgia (CAN) e o anestesista para a Cooperativa Amazonense de Anestesiologistas (Coopaneste).

Indenização

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) informou que vai ajuizar uma ação indenizatória contra o Estado pela briga dos médicos durante a cirurgia. “Nós fizemos contato com a família para explicar sobre os direitos deles. A priori, a intenção é ajuizar essa ação indenizatória em face do Estado”, disse o defensor Danilo Germano, no início da semana. 

Velório

A vítima morava com a mãe e mais três irmãos no bairro Mauazinho, na Zona Leste. Entretanto, o velório do adolescente acontecerá na Paróquia de São Lázaro, no bairro São Lázaro, na Zona Sul de Manaus, na noite de hoje. “Entrego nas mãos de Deus. Estou triste, meu irmão foi embora. Minha mãe está arrasada”, completou o irmão da vítima.


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