Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
BURACOS

Bueiros abertos preocupam população; Seminf diz que vândalos destroem tampas

Risco de acidentes fatais por conta do problema multiplica durante o período das fortes chuvas na capital



BURACO.JPG Bueiro sem tampa fica bem em frente a uma escola municipal. Fotos: Gilson Mello
09/01/2018 às 07:20

Bueiros abertos e com precariedade na estrutura seguem expostos nas ruas de Manaus. O problema, que vitimou fatalmente três crianças em 2016, traz preocupação aos moradores de vários bairros da cidade, entre os quais, da Zona Sul, que temem pela segurança de quem transita pelos locais. De acordo com os relatos, a situação representa risco a todos, especialmente neste período de chuvas. 

Na esquina das ruas Paulo VI com a Amizade, no conjunto Jardim Petrópolis, há dois bueiros, um em cada lado, ambos sem tampas. O perigo no local é constante devido às estruturas ficarem quase em frente a uma escola da rede pública municipal.

“Estudam muitas crianças nesse colégio e o nosso medo é que a qualquer momento uma delas caia dentro do buraco”, disse a doméstica Francinilda Lima Faba, 47. 


Sem conseguir nada com a prefeitura, moradores improvisam tampas de madeira

O industriário Daniel Nascimento Carvalho, 43, contou que há muito tempo os moradores pedem ajuda da prefeitura, mas nunca conseguiram. Para minimizar o problema, eles mesmos improvisam as tampas para os bueiros, mas como o fluxo de veículo é grande no local, elas logo são danificadas. “Com pessoas ainda não houve nada grave, mas carros caem direto dentro dos buracos”, relatou.

Na rua Fragata, também no conjunto Jardim Petrópolis, os bueiros sem proteção são um perigo quando chove. A comerciante Alessandra Raposo de Souza, 23, afirmou que as estruturas não são suficientes para dar vazão à água e deixam a via alagada com maior risco de as pessoas sofrerem acidentes.

“Ninguém vê nada, assim fica mais fácil de alguém cair dentro do buraco ou ser arrastada para ele”, enfatizou.

Problema parecido é encontrado na avenida Parintins, no bairro Cachoeirinha. A doméstica Maria Eunice, 66, disse que constantemente veículos caem dentro dos bueiros sem tampa.

“Outra coisa não, mas prejuízos estão causando muito aos motoristas que ficam com a roda presa dentro dos buracos”, afirmou. “Graças a Deus ainda não houve danos com pessoas”, completou. 

Na rua Antônio Passos de Miranda, bairro São Francisco, o perigo também é eminente. Bueiros sem tampas ficam no caminho dos pedestres e, como a população descarta irregularmente lixo próximo à estrutura, o perigo aumenta. “Se a pessoa não vier prestando bastante a atenção é capaz de sofrer um grave acidente”, apontou o autônomo Charles Silva, 35.

Conduta monitorada pelo MP-AM

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que concluiu, em julho do ano passado, a instalação de tampas em mais de 2,7 mil bueiros da cidade. O trabalho, que segundo a pasta também faz parte das suas ações de rotina, foi feito em cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado, em 2016, com o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM).

A ação, de acordo com a Seminf, priorizou os bueiros que ofereciam maior risco à população e envolveu ainda a produção das tampas, a recuperação, instalação de gradis de proteção e a limpeza de tubulações. A pasta afirmou ainda que, “dentro de uma política de ação que respeita a segurança da população e seu bem-estar acima de tudo, a Prefeitura de Manaus tem como prática e prioridade entregar com tampas todas as novas drenagens implantadas na cidade”.

“No entanto, devido a ações criminosas de vândalos, que destroem tampas para roubo de material, o trabalho da secretaria torna-se maior que o necessário. O crime é furto qualificado, bem como dilapidação do patrimônio público. Vale ressaltar que quem recebe ou compra essas tampas furtadas pode ser processado por receptação de material furtado”, enfatizou em nota.

Três crianças morreram em 2016

Em 2016, a soma da irresponsabilidade dos bueiros sem tampas com as fortes chuvas provocaram a morte de três crianças em diferentes regiões da cidade. A primeira vítima foi André Pereira Crescenço, 6, em abril, no bairro Novo Aleixo (antigo Mutirão), na Zona Norte, a segunda Guilherme Guerreiro, 7, em maio, no bairro Alvorada 2, Zona Oeste, e a terceira Gustavo Silva Araújo, 7, em outubro, no  Monte das Oliveiras, Zona Norte.

 

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