Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
realidade perigosa

Bueiros sem tampa aumentam o risco de acidentes na capital

'Há anos que esse buracão está aí sem tampa e a prefeitura nunca fez nada', gritou o aposentado Arruda Sampaio para a nossa equipe de reportagem, enquanto esperava o sinal abrir



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10/10/2019 às 08:44

Manaus segue padecendo com os bueiros abertos ou com a estrutura precária. O problema, que vitimou fatalmente três crianças em 2016, ainda é corriqueiro e se torna ainda mais perigoso em períodos chuvosos.  Naquele ano, em uma audiência no Ministério Público do Estado (MP-AM), a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) se comprometendo a tampar 2,5 mil bueiros existentes, o que, segundo o Município, aconteceu em 2017.

Mesmo assim, dois anos depois, em um giro pelas zonas Norte e Sul de Manaus, não é muito difícil encontrar algum bueiro destampado que pode oferecer riscos a motoristas e pedestres. Na rua Barão do Rio Branco, no cruzamento com a Avenida das Torres, Zona Norte de Manaus (sentido São Judas Tadeu), por exemplo, há um enorme bueiro destampado bem na esquina. Para fazer uma curva segura nesse trecho os carros precisam diminuir a velocidade além do normal. Veículos maiores, inevitavelmente, passam rente ao buraco. Um acidente é só uma questão de centímetros ou de uma curva mais fechada.

“Há anos que esse buracão está aí sem tampa e a prefeitura nunca fez nada”, gritou o aposentado Arruda Sampaio para a nossa equipe de reportagem, enquanto esperava o sinal abrir.

Na esquina da Avenida Brasil, Compensa, Zona Oeste da capital, bem próximo à sede da Prefeitura de Manaus, há uma rua próxima à ponte com três bueiros destampados: dois na calçada e um no meio da rua. O bueiro destampado fica numa curva estreita e, segundo taxistas que trabalham numa praça próxima, é corriqueiro que motoristas mais distraídos passem por cima.

“Esse buraco está destampado há pelo menos um ano. Já vi muitos carros ficarem engatados nesse buraco. Alguns motoristas descem, tiram foto e vão embora. A prefeitura deveria dar um jeito de tampar esses buracos de uma forma que os caras [ladrões] não roubem, porque o maior prejudicado nessa história toda é a população”, contou o taxista Evaldo Amaral, que trabalha na área há pelo menos dois anos.

Consultada pela reportagem, a Seminf assegurou que concluiu a instalação de tampas dentro do prazo estabelecido pelo MP-AM. Contudo, ao ser indagada sobre um levantamento atualizado de bueiros destampados, respondeu, por meio nota enviada à redação, que a pasta realiza a manutenção nos bueiros que já possuem tampa ao mesmo tempo em que solicita a confecção do gradil daqueles que estão sem.

“No entanto, devido a ações criminosas de vândalos, que destroem tampas para roubo de material, e também por muitas vezes estacionamentos irregulares que acabam danificando o equipamento o trabalho da secretaria torna-se maior que o necessário”, diz um trecho.

A nota encerra informando que a Seminf tem realizado, em todos os bairros de Manaus, serviços de manutenção, reposição e construção de redes de drenagem já com equipamento devidamente vedado ou tampado.

A Seminf não soube informar o número atual de bueiros expostos existentes em Manaus. No ano passado, o promotor de Justiça Paulo Stélio afirmou que o TAC firmado em 2016 foi cumprido pela prefeitura. Na oportunidade, ele informou que, por se tratar de uma demanda de serviço contínuo, o MP-AM continuava “atento às reclamações dos cidadãos quanto a essa questão”.

​Meninos cairam em bueiros sem tampa e morreram afogados

Durante um forte temporal na noite do último dia 27, Everaldo da Silva Lemos, 44, morreu após ser arrastado pela correnteza e cair num bueiro no bairro Zumbi, Zona Leste de Manaus.



Em 2016, a combinação de fortes chuvas e bueiros abertos provocou  a morte de três crianças em diferentes regiões da cidade. A primeira vítima foi André Pereira Crescenço, 6 anos, em abril, no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte. O menino caiu em um bueiro, no dia 24, um domingo, após uma enxurrada e teve o corpo levado por mais de 10 quilômetros, vindo a ser encontrado por um voluntário das buscas no Parque Municipal do Mindu, Zona Centro-Sul, dois dias depois.  


Foto: Winnetou Almeida

A segunda vítima foi Guilherme Guerreiro, 7 anos, em maio, no bairro Alvorada 2, Zona Centro-Oeste. Na manhã do dia 5, ele caiu em uma boca de lobo sem proteção na rua Ovídio Gomes Monteiro, às margens do igarapé da Sapolândia. “Ele não era de estar na rua. Tinha ido fazer um favor para o pai e já estava voltando pra casa para se arrumar e ir para a escola. Foi quando começou a chover forte, ele escorregou e caiu no igarapé”, relatou o tio dele Odirlei Pereira Torres à época. Guilherme  foi encontrado sem vida no fim da manhã, por volta das 11h40, por moradores do beco Pedro Teixeira, na rua José Belém, na Chapada, Zona Centro-Sul. O corpo dele percorreu pouco mais de três quilômetros até ser encontrado. 

Gustavo Silva Araújo, 7 anos,  foi a terceira vítima, em outubro, no Monte das Oliveiras, Zona Norte.  No dia 23 daquele mês ele caiu num bueiro do bairro durante um temporal. O corpo foi encontrado quatro dias depois, nos fundos do condomínio Vila Suíça, no  Tarumã, a pelo menos sete quilômetros (em linha reta) do bueiro que ele caiu.
 

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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