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Manaus
CULTURA DIFERENTE

Cacique venezuelano da etnia warao teme conflito entre indígenas em abrigo

Anibal Perez explicou que na cultura deles, cada família vive em um barraco, igual como faziam no entorno da Rodoviária de Manaus 01/06/2017 às 18:25 - Atualizado em 01/06/2017 às 18:59
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Em sua cultura, waraos vivem em barracos. Foto: Antonio Lima
Isabelle Valois Manaus (AM)

O cacique warao Anibal Perez disse estar agradecido por ganhar o abrigo e reconhece todo o esforço da população e do poder público para ajudá-los, mas se preocupa com os conflitos que a situação possa vir acarretar. Nesta quinta-feira (1°), os 297 indígenas venezuelanos que estavam nos arredores da Rodoviária de Manaus, na Zona Centro-Sul, foram levados para um abrigo no bairro Coroado, na Zona Leste.

Perez explicou que na cultura deles, cada família vive em um barraco, igual como eles faziam no entorno da Rodoviária de Manaus. “No abrigo teremos que viver misturados. Nossa cultura nos diz que cada família deve ter o seu próprio barraco, não falo de casa, mas de barracos, igual esses que fizemos ao redor da rodoviária. Lá seremos obrigados a viver todos juntos, e temos medo do conflito que isto possa vir nos causa”, reforçou.

Além da demarcação dos barracos, o indígena informou que também se preocupa com o desenvolvimento das crianças. “Nossa cultura é essa, não queremos que as crianças a percam, mas vamos buscar um meio de conseguir nos reorganizar no abrigo”.

Segundo ele, os indígenas não pretendem passar o resto da vida pedindo e que esperam pela oportunidade de trabalho. “Sabemos confeccionar peças artesanais, mas por enquanto não temos a matéria prima. Nossa intenção não é passar o resto das nossas vidas pedindo, queremos trabalhar, queremos garantir o nosso próprio conforto, como o de nossas famílias, com o nosso trabalho e estamos esperando essa oportunidade”, disse.

Anibal contou que quase toda semana, um grupo dos indígenas viaja até Tucupita, na Venezuela, para entregar todas as doações, mantimentos e dinheiro que conseguem arrecadar em Manaus aos demais familiares que continuam na cidade. Depois disso, eles retornam para o Brasil em busca de dar continuidade neste intercâmbio.

“A cada dia a situação tem piorado na Venezuela, temos parentes que não têm condições de saírem de lá, por isso que levamos toda semana as doações e outros mantimentos que conseguimos por aqui”, reforçou. Perez disse que um grupo de 20 indígenas irá realizar esse procedimento nos próximos dias.

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