Domingo, 19 de Maio de 2019
INSPEÇÃO

Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa tem primeira revista 22 dias após reativação

Seap encontrou armas, celulares, simulacro de arma de fogo e até um túnel que possivelmente seria usado para fuga. Local registrou quatro mortes neste mês e abriga presos que vieram ameaçados de outros presídios



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Seap e PM encontraram objetos ilícitos durante revista (Foto: Divulgação)
24/01/2017 às 15:42

Pela primeira vez após ser reativada em janeiro, a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, localizada no Centro da capital, passou por revista na manhã desta terça-feira (24). A inspeção encontrou objetos como celulares, facas, simulacro de arma de fogo e uma teresa de 9 metros. Um túnel também foi descoberto durante o procedimento, que só ocorreu 22 dias após a transferência de detentos que estavam em outras unidades prisionais.

A revista foi realizada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e a Polícia Militar. Conforme anunciado pelo governo, a cadeia funcionará até o mês de abril servindo de abrigo para presos ligados à facção Primeiro Comando da Capital (PCC) que estavam ameaçados de mortes em presídios como o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) e Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). Segundo a Seap, atualmente a cadeia abriga 246 presos. 

Ainda de acordo com a Seap, foram encontrados 11 celulares, 3 chips, 6 carregadores, 22 estoques, 1 faca de mesa, 2 baterias, 1 cartão de memória, 1 simulacro de arma de fogo feito de esponja, 1 barra de ferro, 1 porção de tabaco, 1 tubo de ferro, 10 metros de fios de cobre. Além disso, foi descoberto em uma das celas um buraco, que seria possivelmente usado para uma fuga, com uma teresa de 9 metros, feito com capas de colchões usados pelos internos.  

A Seap ainda informou que a ação contou com um efetivo de 92 pessoas, entre policiais militares do Comando de Policiamento Especializado (CPE) e servidores da secretaria. Representantes do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Amazonas (OAB-AM), acompanharam o procedimento de revista.

A reportagem questionou a secretaria sobre a periodicidade das revistas no local, no entanto, a Seap disse que não podia informar tendo em vista que os procedimentos só poderiam ser divulgados após acontecerem. A secretaria justifica que a divulgação das revistas causaria um alerta entre os presos.

Mortes e ameaças

Além do massacre registrado no Compaj no dia 1º de janeiro e mortes na UPP, a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa também registrou homicídios durante a crise do sistema penitenciário do Amazonas. Confira a cronologia dos acontecimentos até o dia 17 de janeiro.

Na madrugada do dia 8 de janeiro, quatro presos foram mortos durante tumulto na cadeia. A SSP disse ainda que a causa do tumulto foi uma briga de "motivo desconhecido" e as mortes seriam investigadas. 

Após novas ameaças, o juiz plantonista Flávio Henrique Albuquerque autorizou a transferência de 20 presos para a Unidade Prisional de Itacoatiara, porém, os detentos voltaram para a capital depois de determinação do juízo do município. O objetivo, segundo a Justiça, foi assegurar a integridade física dos mesmos, já que eles continuavam sendo ameaçados de morte.


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