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Manaus
SEGURANÇA

Cadeia Pública Vidal Pessoa, no Centro, Zona Sul, será desativada até junho deste ano

Com fim das atividades carcerárias da 'Vidal', que completou este mês 108 anos de existência, vizinhos contam os dias para que isso aconteça, na esperança de dias mais tranquilos 04/04/2016 às 04:00 - Atualizado em 04/04/2016 às 09:20
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Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o prédio ficará à disposição do Estado (Foto: Winnetou Almeida).
FABIANE OLIVEIRA Manaus (AM)

Localizada na avenida Sete de Setembro, uma das principais vias do Centro de Manaus e a menos de 100 metros de três centros educacionais e igrejas, a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, que completou este mês 108 anos de existência, será desativada até o junho deste ano e terá o prédio à disposição do Estado.

Pelo menos, é o que garante a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), que também afirma que até o momento, o presídio continua sendo porta de entrada para o sistema.

Vizinhos contam os dias para que isso aconteça, na esperança de dias mais tranquilos. O agente de limpeza, José Carlos, 53, é vizinho da Vidal há mais de 40 anos e já passou por angústias.

Além de sempre observar a fuga dos presos, o agente conta que em uma das vezes, ao ir ao banheiro, pela madrugada, encontrou um fugitivo com a perna quebrada.

No momento, ele apenas implorou que ele não fizesse nada com ele nem com a família e que saísse do lugar. “Quando eles fogem, se a porta estiver aberta, eles vão entrando casa adentro. Nosso medo é que, quando eles fogem, eles não querem saber de nada", contou.

Morador da comunidade por 18 anos, o autônomo Osmar Lemos, 50, relembra que em certo período as fugas aconteciam de dois em dois meses. “Muitos fugiam e atravessam para o bairro do Educandos e Colônia Oliveira Machado, ‘daí, já era’. Não tinha mais como capturar”, disse.

Os jovens, Ilnafan Nascimento, 21, e Rafael Nogueira, 15, que cresceram ao lado da Vidal Pessoa, acompanhando rebeliões e fugas, comentam sobre a rotina no local.

Rafael fala que já presenciou três rebeliões e chegou a observar presos fugindo e andando tranquilamente pela via. “Nós ficamos preocupados porque é um presídio. Em uma dessas últimas rebeliões, teve tiroteio e eu até caí do beliche assustado com o barulho e a quantidade de tiros”, disse o morador do entorno da “Vidal”.

Para a Ilnafan existe o lado do ruim da saída do presídio do local: a ausência de policiais. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), no momento, aguarda-se a conclusão da obra do novo Centro de Detenção Provisória (CDP-2), que está sendo construído no quilômetro 8 da rodovia BR 174 (Manaus-Boa Vista), com capacidade para 571 presos.

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