Domingo, 16 de Junho de 2019
PET

Cadelinha chow chow com hidrocefalia sobrevive graças a família e veterinários

Aurora não enxerga, nem anda. Por conta do problema, donos gastam mensalmente R$ 520 com refeição e R$ 80 com fraldas descartáveis para recém-nascidos



IMG-20190518-WA0060_5EA96FE6-E8A3-4149-B5FC-009CB35FF762.jpg Foto: Acervo Pessoal
24/05/2019 às 17:04

Um animal muda a vida de qualquer pessoa. E, na maioria das vezes, para melhor. Eles respondem a demonstrações de carinho e também parecem entender quando o dono não está bem. Nessas horas, geralmente os papéis se invertem: os bichinhos de quatro patas passam a agir como verdadeiros terapeutas.

E quando esses animais nascem especiais? Não respondem a estímulos e, muitas vezes, passam seus dias praticamente vegetando. O que leva uma pessoa a ter gastos impensáveis com seres com quase zero expectativa de vida? Eles são bichinhos de quatro patas que, dificilmente, irão lhe receber no portão, dando pulos de alegria.

Se tem explicação para alguém se dedicar tanto assim a um cachorro, no caso, a resposta está no amor. O sentimento brota sem expectativa de retribuição. Essa é a realidade da autônoma Bruna Prado, que todos os dias exerce com intensidade seu papel de mãe. Ela gerou Vinícius, hoje com 12 anos, e é mãe adotiva de Aurora, uma cadelinha da raça chow chow que mudou radicalmente sua rotina há 8 meses.

Amor desmedido

Aurora encaixa-se perfeitamente bem nessa definição de amor desmedido. A princesinha da casa nasceu pra lá de especial. Primeiro porque é amada, incondicionalmente, por todos da família. E, segundo, por sofrer de hidrocefalia; lhe faltar um globo ocular; ter limitação visual no outro olho; e apresentar a mastigação comprometida pela dentição incompleta. 

“Meu prazer é vê-la respirando, mantendo-se fortinha e abanando o rabinho pelado quando lhe faço carinho. Ah, também tem os beijinhos que dá com a linguinha roxa”, derrete-se Bruna, explicando que o futuro de Aurora é incerto. Cada dia superado por ela é visto como uma vitória. Essas barreiras são acompanhadas 24 horas por Bruna, Vinícius e pelo pai, o vendedor Marcos Siqueira.

Tão pequena, a chow chow já se mostra uma guerreira! A primeira batalha vencida foi a do abandono pela mãe canina, o que é normal no mundo animal. Depois, Aurora superou uma cirurgia para drenar o líquido do cérebro e instalar uma válvula no local.

Só assim, conseguiu-se evitar suas dores e, consequentemente, o sofrimento da família que não aguentava mais vê-la com crises convulsivas. As dores se foram e, com elas, algumas funções básicas também: Aurora deixou de andar, de comer sozinha e ficou quase dois meses alimentando-se por sonda.

“Atualmente, ela vem apresentando outros problemas neurológicos que ainda estão sendo investigados pelos médicos veterinários. Só sabemos que de uns dias para cá ela tem ficado com a cabeça inclinada para trás”, lamenta Bruna, informando que acredita se tratar de “opistótono”, um tipo de posição anormal causada por fortes espasmos musculares.

Veterinários buscam melhorar a qualidade de vida

Muitas patologias vistas em humanos também acometem animais, seja de cunho neurológico, ortopédico, de forma congênita e até má formações. Existem bichinhos com síndrome de down, com histórico de convulsões, além de males como hepatite, diabetes, pressão alta, problemas renais, entre outros.

“O que acontece é que a maioria dos casos, se não for diagnosticada no início, acaba levando o animal a óbito”, explica o médico veterinário Akel Cavalcante, ressaltando que o empenho do dono do animal conta muito para o sucesso do tratamento. “Nem todos se dispõem a ter cuidado.”

Pode-se dizer que Akel é uma das pessoas responsáveis por tornar os dias de Aurora quase “cor-de-rosa”. Ele vem cuidando da pequena e estudando seu problema para ver até onde a medicina pode auxiliar. O outro profissional que acompanha o caso da chow chow é o veterinário Shalako Chagas

Os dois fazem um atendimento sem custos para a família de Aurora. “Não quero parecer bonzinho. É que vejo o interesse da dona do bichinho em querer que ele fique bem. A Bruna é uma pessoa que realmente ama esse animal. E isso para nós, veterinários, é muito gratificante”, ressalta Akel.

O veterinário explica a situação da chow chow. Ela nasceu com hidrocefalia (acúmulo de líquido dentro do crânio) e precisou drenar o líquido que se encontrava no encéfalo. “Coloquei uma válvula de silicone, transportando o líquido do cérebro para o abdômen. Por isso ela está sobrevivendo.”

Prognóstico

De acordo com Akel, o prognóstico de Aurora é incerto. Ele explica que ela poderia ter morrido logo após a cirurgia. Mas está sobrevivendo há quatro meses. Para ele, isso deve-se aos procedimentos realizados e também aos cuidados extremos da família. “Queremos o bem-estar do animal, que ele tenha qualidade de vida. A dona dela é uma pessoa muito dedicada! É por isso que me disponho a cuidar da Aurora sem custos.”

Gastos diários são elevados

O amor está acima de tudo, mas não pode-se deixar de ressaltar os gastos com um animal nessas condições. Aurora, por exemplo, gasta por mês em torno de R$ 520 com refeição e R$ 80 com fraldas descartáveis para recém-nascidos. Isso sem contar a gasolina para ir ao médico e a compra de remédios.

“Recebemos uma vez ou outra ajuda de pessoas conhecidas. Já é um reforço para comprar uma fralda  ou uma papinha”, explica Bruna, ressaltando que a comida que o “estômago de Aurora aceita” é aquela de potinhos industrializados, usada por bebês. “Já tentamos fazer em casa, com verduras e carnes. Mas ela não se adaptou.”

Também é necessário que use fralda para que se mantenha sempre sequinha e não corra o risco de contrair uma pneumonia. “Também experimentamos umas marcas mais em conta. E o xixi e cocô vazavam sempre e deixavam a Aurora molhada.”

Quem puder e quiser ajudar a chow chow especial basta entrar em contato com a família pelo Instagram de Aurora,  o @princesauaurora_chow.

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