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Manaus
A serviço da PM

Cães farejadores são treinados para localização de drogas e pessoas perdidas

No início da Companhia de Cães, a Polícia Militar comprava os animais,  mas atualmente está independente porque as cadelas dão crias e os filhotes são selecionados e os escolhidos são separados para serem treinados 21/05/2016 às 23:15 - Atualizado em 22/05/2016 às 15:15
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Capitão Paulo Padilha explica que o treinamento para cada cão é especifico (Euzivaldo Queiroz)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Basta um comando para ‘Horus’ entrar em ação. Ele é um dos cães mais antigos que integram o pelotão canino da Polícia Militar do Amazonas e tem como atividade principal localizar corpos. “Nós conseguimos localizar uma criança de dois anos que havia se perdido nas matas do Puraquequara, quando todos que participantes já  tinham desistido. Pelo faro chegamos à criança”, relata com orgulho o 1º tenente Paulo Sérgio Cordeiro. Como Horus, o canil da Polícia Militar tem atualmente 31 cães de raça, destes 17 em atividade. Eles são das raças rottweiller, pastor alemão, labrador e rastreadores brasileiros que são treinados desde quando são filhotinhos para auxiliar o policial. Eles são treinados para farejar explosivos, droga, buscas de pessoas em selva e de cadáveres, além de serem cães de guarda.

A cadela da raça pastor belga, cabo Juma, foi treinada para farejar entorpecentes. De acordo como comandante do canil capitão Paulo Padilha, o treinamento é especifico e a cabo têm em sua ficha funcional várias ações nas quais ela foi vitoriosa.  Foi ela que foi usada para descobrir aproximadamente 100 quilos de droga avaliados em mais de R$ 400 mil, além de ter identificado porções de droga em interiores de mochilas de dois alunos do Colégio da Polícia Militar, unidade Nilton Lins.

A ação teve 90% de aprovação de pais de alunos. Nos dias seguintes gestores de outras escolas entraram em contato com o comando aprovando a ação e pedindo informações de como solicitar os serviços da cabo Juma nas escolas. Os cães também fazem apresentação social e são usados para reprimir distúrbios sociais como rebeliões e motins em presídio. “A presença de cães em presídios surte efeito positivo porque dificilmente alguém vai enfrentar o ataque de um cão”, diz Padilha.

Conforme Padilha, os cães que integram o canil da PM são das raças, rottweiller, pastor de malinois, labrador e rastreador brasileiro. Estes começam ser treinados quando filhotinhos, cada um recebe um condutor que passa a cuidar dele desde os primeiros ensinamentos que é se defender e caçar, em seguida começam a receber os treinamentos específicos.

Os cães são treinados duas vezes por dia e se alimentam de ração especial e, depois dos nove anos de atividade, são aposentados e doados para alguém, escolhido pelo comando e pelo condutor, que possa dar o cuidado semelhante ao que ele recebe quando está em atividade. Mesmo depois de doado ainda recebe a atenção do condutor.

Preparando-se para a despedida

O tenente Paulo Sérgio Cordeiro é o condutor do cão Horus  e está se preparando para se separar dele.   O cão completou nove anos de atividade e está indo para a reserva, mas antes vai  receber uma homenagem na Assembléia Legislativa do Estado Amazonas (Aleam) pelos seus feitos enquanto policial.

Cordeiro lembra que Horus é filho do cão Raio e que ele é semelhante ao pai. Destemido, e que para ele, pai e filho foram grandes companheiros.

O destinos de Horus já está definido, ele será doado a um empresário e vai morar  em uma fazenda, onde tem espaço suficiente para ele brincar e correr que e o que ele mais gosta de fazer. De acordo com o capitão Padilha, mesmo depois  de doado, o cão continua recebendo a visita do seu condutor. “O condutor vai à casa onde o cão está, verifica as condições do local e se ele está sendo bem cuidado”, disse .

Na semana passada um outro cão foi doado para um pastor evangélico. Antes, o condutor foi ao local para ver se havia espaço suficiente para o animal  ficar e  ter uma vida boa até morrer. Paulo Sérgio  disse que vai ficar acompanhando os primeiros dias do cão na sua nova casa.

Filhotes selecionados, preparados e treinados

No início da Companhia de Cães, a Polícia Militar comprava os animais,  mas atualmente está independente porque as cadelas dão crias e os filhotes são selecionados e os escolhidos são separados para serem treinados.

De acordo com Padilha, há teorias que falam que todo o cão serve para ser um policial, mas na prática a coisa não é bem assim. Quando recém nascido são feitos vários testes com o filhote e a escolha depende da aptidão do cão. O que gosta de morder muito provavelmente será um bom cão de guarda e proteção, o que usa mais o olfato pode ser treinado para farejar entorpecente ou explosivo.

O condutor observa também o comportamento dos animais. Para ser um farejador de explosivo o cão precisa ter um comportamento mais tranquilo, para que, assim que sentir o produto, senta ou deita. Se for muito não pode ser um farejador de drogas porque pode danificar, por exemplo, um carro quando estiver fazendo as buscas. Assim que ele sente o cheiro da droga, senta ou deita. Além de cão de guarda, os  pastores alemães malinois e os rottweiller - este último causa efeito psicológico - são treinados para atacar e usados nos presídios, para desobstrução de vias e reintegração de posse. “É o último meio a ser empregado. A ação de um cão corresponde ao uso de  30 policiais”, diz o comandante.

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