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Manaus
AMOR AO PRÓXIMO

Cães ‘terapeutas’ do Corpo de Bombeiros ajudam crianças autistas em tratamento

A cinoterapia, que é uma terapia realizada com o auxílio de cães, agora está sendo oferecida ao Instituto Autismo no Amazonas (IAAM) pelo Corpo de Bombeiros, que disponibilizou dois cães para interagir com os autistas do local 28/04/2018 às 11:46
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Pacientes e familiares podem acompanhar as sessões. Fotos: Jair Araújo
Joana Queiroz Manaus (AM)

Conviver com animais de estimação ajuda crianças e adolescentes com autismo a melhorarem a capacidade de se relacionarem com outras pessoas, explica a pedagoga e diretora técnica do Instituto Autismo no Amazonas (IAAM), Miriam Rodrigues.

 A cinoterapia, que é uma terapia realizada com o auxílio de cães, agora está sendo oferecida ao instituto pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), que disponibilizou dois cães para interagir com os autistas do local. Os trabalhos começaram na última sexta-feira por meio do projeto “Cão Bombeiro, Cão Esperança”. Pelo menos duas vezes por semana, dois cães irão ao instituto para interagir com as crianças e adolescentes.

Miriam disse que o início dos trabalhos neste mês faz alusão ao Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, comemorado no último dia 2, cujas ações se estendem por todo abril.

Na sexta-feira, os cães Hope e Bolt, ambos da raça Labrador, foram levados ao IAAM. Embora treinados e dóceis, a maioria das crianças preferiu admirar de longe os animais no primeiro contato. Poucos tiveram a coragem de se aproximar. Houve quem brincasse com os cachorros e até passasse as mãos neles.

O soldado Jorge Ferraz explicou que no início da terapia é sempre assim e que, com o passar do tempo, melhora o contato dos adolescentes e crianças autistas com os animais, até mesmo os que nem sempre conseguem se relacionar com outros indivíduos. Ter o contato com um animal pode fazer com que ela se sinta mais à vontade.

O bombeiro contou que Hope é o cão mais antigo da corporação, que ele está se aposentando e, para não ficar parado de uma vez, o cão será usado no projeto DNA cinoterapia  com as crianças. Além do IAAM, os cães vão colaborar com  outras entidades que trabalham com autistas.


Labradores Hope e Bolt, o mais antigo da corporação, foram os primeiros a participar do ‘Cão Bombeiro, Cão Esperança’

Os pais das crianças acreditam que a cinoterapia vai ajudar no desenvolvimento dos filhos. A atendente Michele dos Santos Monteiro, 29, tem um filho de oito anos de idade que é autista e frequenta o IAAM. De acordo com ela, o comportamento do menino mudou depois que ele passou a frequentar o local. “No início ele foi diagnosticado com o grau de autismo moderado e agora está leve”, disse. As terapias ajudaram bastante e o menino, que antes tinha dificuldades de falar agora já está bem melhor pronunciando as palavras, disse a mãe.

O filho da assistente social Edilene Lopes, 42, tem nove anos de idade e também está no IAAM. Ela disse que as terapias ajudaram muito no desenvolvimento dele, principalmente no relacionamento dele com as pessoas da família.  Ela acredita que a cinoterapia só vai ajudar.

Projeto no Cipcães

Além dos bombeiros, a Polícia Militar também já despertou para a cinoterapia e está elaborando um projeto por meio da Companhia de Policiamento com Cães (CiPCães). No último dia 18, policiais da companhia fizeram uma visita de cortesia ao abrigo infantil Núcleo de Assistência à Criança em Situação de Risco (Nacer), quando apresentaram para  as 21 crianças abrigadas no local o cão Jack. 

Informação e apoio terapêutico

O IAAM atende uma média de 50 adolescentes e crianças, e seus familiares. “Nós trabalhamos em forma de terapia com alguns voluntários, outras pessoas algumas cedidas e outras contratadas, que são fonoaudiólogo, nutricionista, pedagogos, educadores físicos, terapeutas e psicólogos.  Miriam explicou que o atendimento é em regime de terapia: a criança vai para o instituto uma ou duas vezes na semana e faz quatro terapias no dia. O atendimento acontece durante a semana pela manhã e de tarde.

Conforme Miriam Rodrigues,  para que uma criança frequente o IAAM, inicialmente ela passa pela assistente social, que faz o primeiro atendimento de triagem, quando é verificado se a criança ou o adolescente já tem laudo médico apontando que ele é autista. Ela e família entram para uma lista de espera e, quando aparece uma vaga, elas são chamadas. “Aqui a gente faz esse trabalho de acolhimento, explica como funciona aqui, informa para eles os direitos que a família e a criança têm. A coisa começa a mudar quando começam a fazer as terapias individuais e em grupo. A melhora é significativa em casa com a família”.

Apoio familiar

A diretora do IAAM disse que o trabalho que oferecido no instituto não ajuda apenas as crianças e adolescentes, mas as famílias também. De acordo com ela, as famílias chegam angustiadas, não sabendo como lidar com a situação e sem direção. Muitas ansiosas e algumas não aceitam ter uma pessoa com esse diagnóstico.

Método: origem e definição

A cinoterapia é uma técnica de intervenção terapêutica considerada como uma subdivisão da TAA (Terapia Assistida por Animais), tendo animais como autores principais. A terapia surgiu por volta do século 18, na Inglaterra. O método consiste na utilização de cães adestrados para acompanhar pacientes em tratamento físico, psíquico e emocional. A primeira experiência com visitas terapêuticas no Brasil foi realizada em 1997.

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