Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
CIDADANIA AMPLIADA

Cafeteria de Manaus realiza projeto de combate à intolerância contra minorias

Empresa atenderá vítimas de preconceito, discriminação e homofobia e contratará imigrantes, gays e idosos



1775894_C941E16E-9CFE-480B-87FD-A69D1C745005.jpg Foto: Eraldo Lopes/Freelancer
14/06/2020 às 06:00

Diante de uma série de ataques e represálias enfrentadas pelos grupos classificados como minorias, uma cafeteria de Manaus decidiu abrir suas portas de uma forma diferenciada e vai oferecer acolhimento às vítimas de todo tipo de preconceito, discriminação e intolerância. Acolhimento esse, não só financeiro, se dando através de empregos, mas até com assistência psicossocial gratuita.

A substância química que origina o café, inspirou Adson Soares Garcia, advogado e um dos sócios da Caféziun, para a criação do projeto. A sequência de atos discriminatórios e racistas que vêm ocorrendo em meio a pandemia, provocaram reflexão e consequentemente a execução do projeto ‘Cafeína’.



“Confesso que foi essa introspecção na quarentena que nos motivou. Nós tínhamos uma perspectiva de que esse período fosse melhorar o ser humano e que fosse nos ajudar a sair dessa fase de pandemia mais conscientes e mais preocupados com próximo. E eu percebi que com algumas pessoas aconteceu o contrário e parece que aumentou a indiferença, intolerância, discriminação e preconceito”, lamentou Adson.

Essa indignação foi a base da elaboração do projeto de assistência jurídica, médica, psicológica gratuita, que está disponível na íntegra nas redes sociais da cafeteria, e com a ajuda voluntária de profissionais das áreas de serviço social, educação, saúde, jornalismo, direito e deve iniciar a partir do dia 26 deste mês, através de canais virtuais e as redes sociais da cafeteria.

Suporte

Os agendamentos acontecerão de segunda-feira a sábado, de 8h às 14h. O objetivo do projeto é atender e analisar os casos e fornecer suporte e orientação às vítimas de racismo, homofobia, xenofobia e demais atitudes eivadas de preconceito, discriminação e intolerância.

O atendimento presencial será individualizado com o profissional designado e com hora marcada para resguardar a intimidade da vítima. Os atendimentos também poderão acontecer de forma remota por conta da pandemia do coronavírus.

A cafeteria criada em 2019 possui duas unidades em Manaus, uma no Dom Pedro e outra no bairro Vieiralves e emprega atualmente 18 funcionários. Além do projeto oferecer assistência gratuita, também irá  contratar preferencialmente pessoas da comunidade LGBTQ+, negros, pessoas acima de 50 anos e estrangeiros.

Os interessados podem entrar em contato também através das redes sociais da cafeteria e enviarem seus currículos até o dia 30 de Junho. “Nós vamos receber os currículos até o dia 30. Até agora, a procura foi boa. As pessoas se identificaram dizendo que poderia ser seu primeiro emprego e realmente agradeceram pela oportunidade para a comunidade”, disse.

“Todos devem ser respeitados independente de qualquer coisa. Não precisa amar. Se você não consegue amar o próximo como Deus mandou, não precisa. Mas você precisa pelo menos respeitar o espaço e a condição. Respeitar o ser humano.

De acordo com o sócio, o projeto não nasceu com data de validade. “Enquanto tiver voluntários e gente que acredita, a gente vai continuar com esse projeto. Não tem data de término. Atenderemos quantas pessoas nos procurarem”, disse.

Conscientização

Adson Garcia lembrou que junto ao apoio às vítimas deve existir a conscientização da população. “O que anda lado a lado do projeto de assistência às vítimas é o conscientizar da sociedade. Para isso, vamos fazer ações como a distribuição de folhetos informativos acerca do que é o racismo e o preconceito. Fazer com que as pessoas olhem para isso e que esses índices alarmantes de violência contra essas vítimas de preconceitos, discriminações e intolerância tenham uma certa diminuição”, disse.

“O projeto é lato não é só para o nosso mundo empresarial, e sim, para uma sociedade de forma geral. Queremos colocar mecanismos que ajudem a melhorar a vida da sociedade no modo geral e a gente cresça com esse projeto tanto na parte conscientização quanto na parte de assistência. Não é crime ser diferente. E o que é ser diferente? Por que eu tenho de rotular isso?”, questionou.

De acordo com o sócio da empresa, a recepção da clientela que a cafeteria já possui foi extremamente positiva. “Considerando os comentários e as curtidas sobre o projeto, nós ficamos muito felizes com a repercussão. A gente fica um pouco triste com alguns dos poucos comentários negativos, mas, o que nos conforta é que a grande maioria apoia”, comemorou.

“O caféziun conclama toda a população de bem para lutar contra qualquer atitude que tente diminuir ou subjugar o ser humano”, finalizou.

Para mais contato e mais informações: (92) 98488-0996 ou pelo instagram https://www.instagram.com/cafeziun/

Maria Luiza Dacio
Repórter do Caderno A do Jornal A Crítica

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